Clau
Foto: Divulgação
 

Quando falamos sobre pop, é comum fazermos ligações com a música internacional que é reconhecida como tal. É o pop das pistas, de nomes como Beyoncé, Ariana Grande, Shawn Mendes e Lady Gaga. Ao mesmo, também entram nesse universo o trabalho mais introspectivo de nomes como Coldplay e o hip hop de nomes como Eminem. Assunto é o que não falta em discussões sobre o que é e o que não é pop.

No Brasil, a coisa parece ainda mais complicada. Até temos um termo para isso: MPB, supostamente a música popular brasileira que passou a ser associada a repercussões da bossa nova no imaginário musical do país. Mas isso definitivamente não resume o que é pop para nós. Afinal, a música sertaneja e o funk atualmente dominam as paradas nacionais. Em resumo, o nosso pop é bem diferente do pop internacional!

Mas, ao longo dos últimos anos, tentativas de um pop mais puxado pela base R&B ganharam espaço significativo. Isso está espelhado de forma mais clara no trabalho de nomes como Anitta e Ludmilla, que, por assim dizer, passaram a carregar o pop nacional “nas costas” ao longo da última década. Um exemplo mais claro de nome inspirado por este gênero está na jornada musical de Clau, um nome em ascensão no pop brasileiro.

Inspirada especialmente pelo R&B dos anos 2000, a cantora traz uma sonoridade cada vez mais encorpada. Após ter sua voz veiculada em todas as rádios nacionais no refrão do hit “Pouca Pausa” (em parceria com o grupo Haikaiss e com o Cortesia da Casa), a cantora tem focado em seguir seu próprio caminho.

 

“O segredo é acreditar na própria sonoridade e na própria atitude”

O primeiro passo desta nova fase é a canção “Primeira Vez“. Divulgada recentemente, a música traça similaridades com o trabalho de nomes como Destiny’s Child e Ciara. Talvez esta música apresente o R&B de forma mais crua, além de deixar claro o posicionamento musical da cantora. É também a primeira prévia que temos de seu aguardado disco de estreia, que será lançado ainda em 2020.

Tivemos a oportunidade de conversar com Clau sobre a nova música, sobre o pop no Brasil e sobre o novo momento de sua carreira. Confira abaixo o papo na íntegra e o clipe, que tem a direção de Rafael Marques:

TMDQA!: Seu novo single chamou a minha atenção por conta da questão estética. “Primeira Vez” talvez seja a sua canção que a mais remete à estética do R&B internacional. Ela traz essas características fluidas e sensuais do gênero. Como você chegou a essa sonoridade e como é explorá-la, uma vez que não são tão frequentes no pop brasileiro essas influências de forma mais explícita?

Clau: É um gênero que eu, particularmente, gosto e consumo muito. Desde o início da minha carreira, sempre trouxe essa influência e esses elementos do R&B. Foi uma crescente. Agora eu sinto que posso, de forma mais madura, mostrar a minha essência na música. Como você falou, a “Primeira Vez” traz essa questão por trazer mais essa voz, coisa que talvez a gente ache diferente. Quem escutar a música com fone de ouvido, vai entender que ali existem várias harmonias e melodias dialogando entre si. É um aspecto que eu realmente quero trazer nessa nova fase da minha carreira, para definir a minha verdade artística.

TMDQA!: É interessante essa questão de trazer a verdade na música. Você é um nome de cada vez mais visibilidade na cena. Sua voz já é reconhecida nas mais diversas rádios brasileiras e é importante nota que o público está comprando e prestando atenção justamente nesse discurso verdadeiro. Você conquistou tudo isso sem seguir necessariamente uma fórmula de sucesso.

Clau: Eu acho que essa sempre foi a minha intenção. Quando as pessoas me pedem opinião sobre início de carreira, eu costumo dizer que o segredo é acreditar na própria sonoridade e na própria atitude. A gente precisa buscar o nosso diferencial. Se a gente replicar alguma fórmula de sucesso, talvez a gente acabe ficando frustrado por não conseguir o destaque que merece. Quanto mais original a gente conseguir ser, melhor.

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Quem aí ama assistir os bastidores dos clipes favoritos assim como eu?? Em #PrimeiraVez eu tive a ideia de roteiro e escrevi a história, colocando tudo aquilo que eu senti ao gravar essa música incrivel e que queria transmitir pro expectador pra se envolver no que eu descrevo cantando a letra, só que na imagem tbm. O diretor @rafa.mqs e a equipe colocaram todas essas minhas ideias em um projeto concreto. E o resultado é esse clipe trazendo essa sensualidade, esse calor e intensidade que a música pede. Gostaram de ver um pouquinho por trás das câmeras?? Conta aqui o que achou de tudo isso! Eu amo todos esses processos artísticos q posso me jogar, e vou estar respondendo vcs aqui nos comentários sobre isso tbm 🖤 me conta qual é a cena que vc mais gosta!! #rnb #pop #music #hophop #fashion #look #musicvideo #video #makingof #behindthescenes #backstage

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“Ne-Yo, Usher, Black Eyed Peas, Christina Aguilera…”

TMDQA!: A gente vive um momento de muita produção. Nesse meio, é importante acharmos nossa singularidade. Essa é a forma mais certa de se conseguir algum destaque. Nesse sentido, como você vê o destaque que conquistou com essa singularidade? Você sentiu que representa algum vão ainda não preenchido na música nacional?

Clau: Acho que eu nem poderia fazer de outra forma, sabe? Eu amo tanto a música que eu acredito nela e me conecto com ela de uma forma que seja verdadeira. A “Pouca Pausa”, por exemplo, eu acho incrível que seja uma canção super R&B, mesmo sendo uma música de pista e dançante. Ela ganhou muito espaço nas rádios, na televisão, no streaming… Acho que foi uma coisa muito especial. Para mim, foi até inesperado ver algo diferente. Existem várias outras questões envolvidas, como ser uma canção muito longa e com muito rap. No fim das contas, o público nos ajudou a quebrar essas barreiras.

TMDQA!: A impressão que eu tive diante do sucesso de “Pouca Pausa” é que o brasileiro sempre está em busca de algo novo. Na época, nem você e nem os meninos do Haikaiss faziam muito sucesso.

Clau: Foi um momento especial para todos nós! Acho que ninguém esperava que a música fosse chegar tão longe. Foi uma criação espontânea, entre amigos. Acho que o público sentiu toda essa vibe boa e, no fim, deu super certo. Mesmo já fazendo dois anos, ainda é uma música bem atual. É uma música que não tem erro (risos).

TMDQA!: Uma vez que o R&B não era um gênero explicitamente explorado no pop brasileiro, quais foram as suas principais influências musicais?

Clau: Acho que quem escutar “Primeira Vez” e conhecer minimamente o trabalho das Destiny’s Child vai logo lembrar daquela época. Eu meio que fiz o papel das três nessa música, cantando todas as vozes sozinha. Uma coisa que eu amo e que é muito presente no meu trabalho é R&B dos anos 2000, que tem essa característica mais pop. Esse novo single traz muitas influências dessa época: Ne-Yo, Usher, Black Eyed Peas, Christina Aguilera… São coisas que fui juntando para criar a minha identidade musical. É claro que tem coisas mais atuais também, como Bruno Mars, Frank Ocean e The Weeknd, que trazem essa estética de uma forma mais moderna.

 

“É sempre ótimo poder trocar com artistas que admiro”

TMDQA!: Uma coisa que eu tenho visto cada vez mais na música brasileira é a importância de parcerias para os artistas menores começarem a crescer. Como você enxerga essa questão? Já tem outras parcerias em mente?

Clau: Eu acho incrível! Eu já fiz um monte de feat. Além dos meninos, já gravei com Luccas Carlos, Rincon Sapiência, PK… Agora eu estou em um momento mais focado na minha voz. Eu não estou tão focada no momento em parcerias por já ter explorado bastante esse lado. Mas eu estou sempre aberta. É sempre ótimo poder trocar com artistas que admiro. O pessoal agora pode esperar uma fase minha um pouco mais sozinha (risos).

TMDQA!: Como está a sua expectativa em relação a essa lançamento?

Clau: Eu estou super feliz e ansiosa! Como já faz meses que eu não lanço música, a galera já estava até me cobrando novidades! Enquanto isso, eu estava focada gravando sem o público imaginar. Mas eu estou muito animada, porque a música é incrível. É o primeiro passo para um projeto maior que vem depois. Eu ainda pretendo lançar álbum este ano, daqui a alguns meses. “Primeira Vez” foi escolhida para ser o primeiro single.

O álbum vai ser o meu primeiro. Estou me dedicando de corpo e alma para fazer as músicas mais incríveis da minha vida. O público pode esperar muita musicalidade, mais voz, mais melodias grandiosas. As produções e composições estão incríveis. Estou cheia de pensamentos positivos para esta nova fase. Sei que me dediquei bastante e quero que a galera curta muito comigo!

TMDQA!: Você falou dos seus fãs, e acredito que eles estejam ainda mais atiçados diante dos tempos de isolamento social que vivemos hoje. Como está sendo, para você, lançar uma música em tempos de quarentena? Acredito que isso tenha afetado o processo de divulgação e até mesmo de produção da música.

Clau: Com certeza! Acho que todo mundo, artista ou não, está sendo prejudicado de alguma forma com a pandemia, tendo que reformular muitas coisas na vida. Os planos não estão saindo da forma que planejamos. No meu projeto, não é diferente! A gente optou por lançar “Primeira Vez”, que já estava programada. Ao mesmo tempo, achei interessante lançar uma música durante esse período complicado. Acho que a música tem esse poder de trazer sentimentos bons. Já para o álbum, realmente tivemos que alterar bastante o planejamento, tanto que ainda não temos uma data prevista para o lançamento. Estamos nos preparando e estudando qual vai ser a melhor maneira de lançar isso.

 

“Um processo de autoconhecimento”

TMDQA!: Avaliando a sua trajetória musical até hoje, como você enxerga o seu desenvolvimento, não só como artista mas também seu desenvolvimento pessoal? Como, na sua opinião, a “Primeira Vez” reflete essa evolução?

Clau: Eu acho que, desde o início com o EP #Relaxa (2018) até agora, eu realmente pude crescer muito, evoluir e me descobrir. Naquela época, eu ainda morava lá no interior do Rio Grande do Sul, então eu ainda não tinha uma vivência muito forte dentro do meio musical. Não tinha quase nada de conhecimento sobre esse universo. Daquela época até hoje, sinto que mudei muito. Agora, me conheço melhor e sei o que eu quero seguir e o que quero falar com meu público.

A parte legal de entrar em uma nova fase é justamente essa reflexão sobre tudo que já fiz. Foi como entrar em um processo de autoconhecimento maior, para poder entregar aquilo que acredito através da minha personalidade artística. Acho que toda essa caminhada, desde a minha mudança, foi me ajudando a me entender como artista e como pessoa. Acredito que tudo isso vai estar refletido no meu álbum de estreia: quem eu sou, o que eu quero transmitir, a minha essência e a qualidade musical que quero mostrar.

 
 
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