L7 - Bricks Are Heavy
 

Em abril de 1992, o L7 estava inserido em meio ao auge do movimento grunge, onde um ano antes foram lançados discos fundamentais como Ten do Pearl Jam, Badmotorfinger do Soundgarden, além do Nirvana, que havia chegado em cada centímetro do planeta com Nevermind. 

Formado por Donita Sparks (voz, guitarra), Susi Gardner (guitarra, voz), Jennifer Finch (baixo, voz) e Demetra Plakas (bateria, voz), o L7 chegava ao terceiro disco, Bricks Are Heavy, que alcançaria um lugar de destaque, se tornando um clássico por vários motivos.

Inserida em um movimento majoritariamente dominado por artistas masculinos, uma banda feita integralmente por mulheres, com letras que iam de assuntos políticos ao sarcasmo em segundos, representava uma visão diferente e privilegiada do caldeirão efervescente em que se encontrava o mercado da música.

A banda foi um prato cheio e quente para os canais especializados que se esbaldavam com uma geração de nomes que falou com o público muito de perto, quase como um melhor amigo que mostrava um disco, e o mesmo sem muitos esforços ia parar no aparelho de som infinitas vezes.

O L7 tinha a atitude certa, era contestador, mas em segundos depois era irônico, com riffs pesados, sujos, com influências do metal, do garage rock e a rapidez que só o punk rock poderia dar como influência para Donita e companhia.

Isso já era provado de cara na sequência de abertura do disco, com a rápida “Wargasm” e sua letra politizada fazendo sátira à sede de guerras dos governos americanos, na debochada e pesada “Scrap” e no hit mundial “Pretend We’re Dead” em que o momento arrastado, quase uma balada para os padrões L7, foi o grande destaque, indo parar no primeiro lugar da Billboard Top Heatseekers.

Saber passear bem pelas próprias influências foi um grande trunfo. Nada ficou deslocado dentro de um trabalho que com as suas pluralidades fez uma unidade forte, seja em em momentos como “One More Thing”, que seguia os padrões do grande hit do álbum, ou nas velozes “Mr. Integrity”, “Everglade” ou “Shitlist”.

O L7 foi louvado por gênios como Kurt Cobain, literalmente fez barulho por onde passou, influenciou uma infinidade de bandas, conquistou marcos para as mulheres, fez um histórico show no Brasil em 1993, e após isso, lançou os discos Hungry For Stink (1994), The Beauty Process: Triple Platinum (1997) e Slap Happy (1999), até a pausa da banda que teve início no ano 2000 e durou 15 anos, com o retorno aos palcos e no ano passado o lançamento do disco de inéditas Scatter The Rats.

Nessa época de quarentena, fica a dica para revisitar essa pérola.