Formação clássica do Dead Kennedys (East Bay Ray, Jello Biafra, D.H. Peligro, Klaus Flouride)

Quando se fala em Dead Kennedys, é provável que o primeiro nome que venha à cabeça seja o de Jello Biafra. Ainda assim, não podemos esquecer do gigantesco impacto que o trabalho de East Bay Ray na guitarra teve no sucesso dos caras — e da cena punk em geral.

Com suas fortes influências do surf rock, Ray também virou um ícone por si só. Em 2020, ele e o baixista Klaus Floride são os únicos membros originais ainda na banda e, certamente, ambos têm muita história pra contar.

Em um novo especial, a Louder desafiou o cara a escolher suas 10 músicas preferidas do DK. E, pelo visto, a “rivalidade” entre o guitarrista e Biafra segue firme e a seleção de músicas veio cheia de cutucadas ao ex-vocalista.

O resultado você confere logo abaixo, com comentários do próprio Ray sobre cada escolha!

“Holiday in Cambodia” (1980)

Para mim, essa é uma de nossas melhores músicas, tem tanta coisa a seu favor. Pode não soar tão complicada superficialmente, mas na verdade tem muito mais seções do que a maioria das outras músicas. E um ingrediente secreto, inesperado, com a batida da bateria. Eu nunca me canso de tocá-la.

“California Über Alles” (1979)

Nossa peça de Wagner com um ritmo de bolero. Essa foi nossa primeiríssima gravação. Eu lembro de planejar a sessão e levar a banda até um estúdio barato em um porão. Ali foi onde eu também aprendi a mixar, nós passamos oito horas gravando e 30 horas mixando! Eu continuava voltando e refazendo tudo de novo até que todos nós gostássemos em nossos diferentes sistemas de som. E no carro, nunca esqueça.

“Police Truck” (1980)

Uma ótima música pra começar. Nós tentamos mixar esse single, junto com ‘Holiday in Cambodia’, com a banda toda, mas tinha cozinheiros demais na cozinha. Eu saí e fiz a mix por minha conta, e a banda poderia escolher ou não, e fui gratificado quando todos decidiram que minha mix era a que deveria ser lançada como single. Mas isso levou a problemas no futuro, já que um certo vocalista fez questão de que eu nunca mais mixasse a banda.

“Too Drunk to Fuck” (1981)

Uma história baseada em fatos com os quais muita gente pode se relacionar. Musicalmente, é meio que inspirada por instrumentais do surf.

“Moon Over Marin” (1982)

A maioria da banda e da gravadora na época queriam que isso fosse lançado como um single, teria sido ótimo. Mas o [Jello] Biafra estava preocupado em ter uma música que eu escrevi sendo maior do que algo com o que ele estava mais envolvido — então ele não deixou que isso acontecesse.

“MTV Get Off the Air” (1984)

Eu gosto da ‘MTV Get Off the Air’ porque ela tem tantos sentimentos diferentes mas ainda se mantém como uma música só. Eu até cheguei a trabalhar em uma parte inspirada em um ‘bang-bang à italiana’.

“Nazi Punks Fuck Off” (1981)

Em um certo ponto, a cena punk começou a ver surgir esses tipos violentos e cabeças duras. Eles não pensavam muito e achavam que deveriam ser violentos, como os ‘hooligans’ do futebol. Eles estavam tirando a cena do seu local de diversidade e criatividade, e essa foi a nossa resposta.

“Bleed for Me” (1982)

Uma música sobre ir à guerra por petróleo. Fico desapontado e triste que essa música ainda seja tão relevante atualmente. Uma parte que se destaca pra mim é como a música sombria e má do pré-refrão realmente se encaixa no assunto.

“Let’s Lynch the Landlord” (1980)

Essa música foi inspirada por um proprietário real de um dos apartamentos em que vivíamos na época. Ela tem meio que uma vibe de bandas de garagem dos anos 60, que eu e o Biafra temos como um de nossos estilos preferidos.

“Riot” (1982)

Durante a introdução, tem um som arranhado que eu faço na minha guitarra, que eu meio que só fiz. Uma vez estávamos tocando essa música ao vivo — eu sempre vou lembrar disso — e a plateia comemorou bem naquela parte. Foi algo que realmente me fez perceber quanto a banda e nossas músicas são amadas.

 
Compartilhar