Vivendo do Ócio
Foto: David Campbell

E o The Strokes não foi o único grupo que voltou com disco de inéditas após vários anos. Esta sexta (10), quem também deu as caras foi a consagrada banda baiana Vivendo do Ócio. Homônimo, o novo disco é o primeiro lançado desde Selva Mundo (2015), marcando uma nova fase para os integrantes.

Com produção de Thiago Guerra (Fresno) e Gabriel Zander, Vivendo do Ócio aborda temas distintos que passam por liberdade, perdão, tempo e amor. Completíssimo, o lançamento passeia pelo indie rock enquanto não nega referências da bossa nova, no reggae e no neo soul.

Enquanto isso, viaja pela sonoridade alcançada nos três discos anteriores da banda e ainda adiciona mais referências. Até música escrita em italiano integra o resultado final, uma vez que os irmãos Luca e Davide Bori têm essa referência na família.

Mas, como era de se esperar, o álbum não poupa críticas sociais, uma das marcas registradas da Vivendo do Ócio. Dito isso, podemos adiantar que a “família tradicional brasileira” e o “tribunal da internet” não foram poupados.

 

Faixa-a-faixa

Os integrantes da banda contaram ao TMDQA! um pouco sobre cada uma das faixas que integram o disco.

Vale lembrar que “Cê Pode“, “Muito” e “Il Tempo” já haviam sido disponibilizadas anteriormente. Fora essas, as outras sete faixas são inéditas, e contemplam as participações especiais de Luiz Galvão (do Novos Baianos, na letra de “O Amor Passa No Teste“) e de Fábio Trummer (que escreveu a letra e também gravou backing vocal em “Paredes Vazias“).

Abaixo, além dos depoimentos sobre cada uma das canções, você confere também a capa do disco, um design do baixista e vocalista Luca Bori. A arte foi inspirada em uma apresentação artística feita por seu pai, Fabrizio Bori.

Capa de "Vivendo do Ócio" (Vivendo do Ócio)
Foto: Divulgação

“Cê Pode”

Davide Bori: A música fala sobre a liberdade de você ser o que você quiser ser, sem preconceitos.

“O Amor Passa No Teste”

Dieguito Reis: Fala sobre a força e a importância do amor em tempos de provação. O  trajeto pode ser sofrido, mas o amor sempre passa no teste.

“Paredes Vazias”

Jajá Cardoso: Essa música veio a partir de um sonho que tive com o Fabio Trummer, onde ele tocava e cantava no violão repetidamente: “Essas casas todas iguais”. Então ninguém melhor do que o próprio pra fazer essa música. Escrevemos misturando aspectos lúdicos e diretos sobre a desvalorização da arte e o comportamento bizarro da “família tradicional brasileira”.

“O Agora”

Luca Bori: Fala sobre a cobrança por alcançar algo que muitas vezes você já está vivendo e ainda não percebeu.

“Massagem de Ego”

Jajá Cardoso: Essa música fala sobre a ilusão que a internet cria na cabeça das pessoas. Desde as fake news até a perda de tempo com debates no “tribunal da internet” e aos os novos padrões de vida e sucesso. Antes disso, a sociedade se inspirava na TV. Porém, de um tempo pra cá, a internet tem sido a inspiração para esses padrões, agindo de uma forma ainda mais profunda. A música é uma crítica também ao afastamento do ser humano de si mesmo e das coisas mais importantes da vida ao estar “rodeado de telas”.

“Evolução”

Luca Bori: É uma crítica ao capitalismo desenfreado, onde o progresso e o lucro estão acima de nossas vidas.

“Nova Ordem”

Jajá Cardoso: Eu, como bom entusiasta das teorias de conspiração, me inspirei em algumas delas pra escrever essa letra. Ser conspiração ou não depende do entendimento de cada um. No geral, é uma visão de como as grandes corporações e agências de marketing agem para afetar o comportamento humano, e as resoluções que afetam a sociedade de forma global.

“Muito”

Luca Bori: Fala sobre viver sua essência, viver a sua paz sem a necessidade de ter sempre mais.

“Il Tempo”

Jajá Cardoso: Na sociedade de hoje, ninguém tem mais tempo para nada, e muita gente também sofre com o controle do tempo. Então, a música fala sobre esse assunto de uma forma poética, tendo como pano de fundo um romance onde as pessoas mal conseguem se ver.

“Vestígios”

Jajá Cardoso: Essa letra fala sobre redenção e sobre perdoar e valorizar os bons sentimentos que uma pessoa tem pela outra. Também é uma homenagem a amizade que tenho com meu irmão do coração Dieguito.