Festival Reading e Leeds
 

Brexit, como foi chamado o movimento de saída do Reino Unido da União Europeia, ainda está dando o que falar. E agora foi revelado que a iniciativa pode ter um impacto péssimo em artistas estrangeiros no início de carreira.

Como informou a Consequence of Sound, a partir de 2021 será necessário um visto para tocar no país. Intitulado “Visto de Trabalhador Temporário Tipo 5”, o documento passará a ser requerido para pessoas que trabalham na indústria criativa e esportiva.

Além de pagar a taxa no valor de 244 libras esterlinas (cerca de R$1.400), os requerentes precisarão comprovar que têm pelo menos 1000 libras esterlinas (aproximadamente R$5.700) em suas contas por 90 dias antes do pedido para obter a aprovação. A justificativa é que este valor permitiria à pessoa se sustentar no país durante o período em que estiver lá.

A única forma de estar isento deste requerimento é tendo um “padrinho” que permita aos músicos ter “aprovação plena” para vistos no Reino Unido. Segundo o The Guardianum porta-voz do governo britânico fez pouco caso da situação e disse apenas que “as regras já permitem que os artistas do mundo participem de eventos, shows e competições sem precisar de um apadrinhamento formal ou de um visto de trabalho e isso continuará sendo o caso”.

Pronunciamento da Sociedade Incorporada de Músicos

Já a executiva chefe da Sociedade Incorporada de Músicos, Deborah Annett, discorda que a decisão não terá impactos. Ela disse:

Estamos profundamente desapontados que a movimentação livre entre músicos e outros artistas da União Europeia foi descartada e pedimos ao Governo do Reino Unido que reconsidere nosso pedido por um visto de dois anos e múltiplas entradas. Como o ex-ministro do estado no Departamento de Digital, Cultura, Mídia e Esportes Nigel Adams MP falou no mês passado, ‘fazer turnês é absolutamente o ganha pão da indústria’.

A preocupação é justificada, já que a decisão afeta muito mais os músicos em início de carreira. O valor é irrisório para bandas que se apresentarão em festivais enormes como o Glastonbury e tantos outros, mas pode inviabilizar performances menores de bandas da Europa.