Bring Me the Horizon
Foto: Justin Borucki/Divulgação
 

Quem acompanha o Bring Me the Horizon sabe que 2019 foi um ano de muitas mudanças na sonoridade dos caras.

Depois da abordagem mais pop em amo e do retorno ao rock com o single “Ludens”, a banda voltou a surpreender. Music to listen to~dance to~blaze to~pray to~feed to~sleep to~talk to~grind to~trip to~breathe to~help to~hurt to~scroll to~roll to~love to~hate to~learn Too~plot to~play to~be to~feel to~breed to~sweat to~dream to~hide to~live to~die to~GO TO foi lançado neste dia 27 de Dezembro, última sexta-feira do ano – e da década. E sim, esse é o nome da obra.

Aliás, por incrível que pareça, um nome bem apropriado: a proposta do trabalho é realmente essa, de fornecer uma espécie de trilha sonora para todas as situações citadas. Com apenas oito faixas e mais de uma hora de duração, a novidade que foi anunciada por alguns como EP mas é mais longa do que todos os álbuns da banda até hoje viaja entre experimentalismos e belas melodias.

Definitivamente buscando uma sonoridade vanguardista, o BMTH mostra ser uma das bandas mais transparentes da atualidade. As oito músicas estão entre os materiais mais crus lançados desde o untitled unmastered., do Kendrick Lamar, em 2016, e trazem uma alta dose de elementos eletrônicos.

Sonoridade

A influência de Radiohead, especialmente do Kid A, é nítida. Ainda assim, faixas como “Candy Truck / You Expected: LAB Your Result: Green” trazem refrães bem aproximados do pop radiofônico entre batidas bem robotizadas.

Algumas outras canções deixam bem claro que o EP traz sobras e demos das gravações de amo. Vários temas são retomados, como na faixa de abertura (“Steal Something.”) que tem letras e melodias bem similares a “i apologise if you feel something”, faixa que abre o disco lançado em Janeiro.

Outra que vale a menção é “¿”, que tem participação de Halsey. A cantora e a banda já haviam registrado a parceria no passado, mas nada havia sido divulgado oficialmente – parece que, ao que tudo indica, os vocais dela seriam utilizados em “in the dark” mas foram deixados de lado e acabaram reciclados nessa versão, que soa quase como um remix.

Por fim, não podemos esquecer de “Underground Big {HEADFULOFHYENA}”, a faixa mais experimental do álbum. Com 24 minutos de duração, cerca de 15 se resumem ao vocalista Oliver Sykes “conversando” com o ouvinte; ele começa com o que parece uma tentativa de nos hipnotizar, passa por vários desabafos como a sua suposta falta de talento musical, confissões sobre uso de autotune e “plágios inconscientes” de Evanescence [a música “nihilist blues” soaria como “Never Go Back”] e finaliza com um discurso sobre a importância do veganismo.

Ouça a seguir o registro que, pelo menos no Spotify, está na área de álbuns e não EPs da banda.

Novo Disco do Bring Me the Horizon

Definitivamente o Music to… não é para qualquer um. Soando como produto bruto, o trabalho tem o nome de Oli e do tecladista Jordan Fish escritos por todo lado. Resta aos fãs respeitar a coragem e transparência de lançar algo tão diferente e cru.

É bem claro que algumas dessas músicas poderiam ser lapidadas em algo bem melhor. Porém, até de um ponto de vista técnico é interessante observar o processo criativo dos caras.

Vale ressaltar ainda que o lançamento surpresa corrobora com o que Oli disse no mês passado. Se adequando aos novos padrões de produção musical, ele afirmou que a tendência é que o Bring Me the Horizon nunca mais volte a lançar um álbum e continue apostando em EPs. Esperamos que diversas sonoridades sejam exploradas daqui pra frente!

 
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