Nick Cave no Primavera Sound 2013
Foto de Nick Cave via Shutterstock
 

Em 2015, o cantor Nick Cave passou por uma das piores experiências que alguém pode vivenciar: seu filho Arthur, que tinha apenas 15 anos, morreu ao cair de um penhasco.

Agora, Cave acaba de compartilhar uma bela carta que escreveu para uma fã ao ser questionado se ainda sentia a presença de Arthur em sua vida após todos esses anos.

No caso, Cynthia fez a seguinte pergunta:

Eu vivenciei a morte de meu pai, minha irmã e meu primeiro amor nos últimos anos e sinto que tenho uma espécie de comunicação com eles, especialmente através dos meus sonhos. Eles estão me ajudando.

Você e a Susie também sentem que seu filho Arthur ainda está com vocês e se comunicando de alguma forma?

Em sua resposta, Nick Cave agradeceu Cynthia por sua “linda pergunta”, e discutiu como a morte de Arthur ainda impacta a sua vida constantemente.

Pelo que eu observo, se nós amamos, nós sofremos. É isso. Esse é o pacto. A dor e o amor estão eternamente entrelaçados. A dor é um lembrete terrível da profundidade do nosso amor e, como o amor, a dor é não-negociável. Existe uma vastidão na dor que nos sobrecarrega. Nós somos minúsculos e trêmulos aglomerados de átomos absorvidos pela impressionante presença da dor. Isso ocupa o núcleo do nosso ser e se estende pelos nossos dedos até os limites do universo.

Dentro desse giro rodopiante, todo tipo de loucura existe; fantasmas e espíritos e visitas de sonhos, e tudo o mais que nós, em nossa angústia, desejamos que exista. Esses são dons preciosos que são tão válidos e tão reais quanto precisamos que sejam. Eles são os guias espirituais que nos levam para fora da escuridão.

Cave continuou ao falar sobre ainda sentir a presença de seu filho:

Eu ouço ele falar comigo, me guiar, embora ele possa não estar ali. Ele visita a Susie em seus sonhos regularmente, conversa com ela, conforta ela, embora ele possa não estar lá. A dor do pavor arrasta fantasmas brilhantes em seu rastro. Esses espíritos são ideias, essencialmente. Eles são nossas imaginações atônitas que ressurgem após a calamidade.

Como ideias, esses espíritos falam de possibilidade. Siga suas ideias, porque do outro lado da ideia está a mudança, o crescimento e a redenção. Crie seus espíritos. Chame eles. Deseje que eles existam. Fale com eles. São suas mãos impossíveis e fantasmagóricas que nos atraem de volta ao mundo do qual fomos alijados; melhores agora e inimaginavelmente mudados.

 
 
Compartilhar