Batalha do Britpop
Foto: Reprodução/NME
 

Em 1995, o britpop dominava a Inglaterra. A música, antes relegada ao underground das casas de shows pequenas nas capitais, ganhou o mainstream em 1994 e o estilo teve uma breve vida até o seu declínio, em 97.

Neste ano, duas bandas tiveram maior destaque na mídia britânica, alcance de público e sucesso mundial. Obviamente que estou falando sobre Blur e Oasis, dois dos nomes mais marcantes do rock na década de 1990.

Havia uma certa dicotomia que foi base para a conhecida rivalidade entre as bandas (e fãs) alimentada pela mídia. O Oasis, liderado pelos irmãs Liam e Noel Gallagher, representava a massa trabalhadora de Manchester, no Norte, sem muitas oportunidades após o governo de Margaret Thatcher. Já o Blur fazia o contraponto, simbolizando a classe média de Londres, os jovens da classe artística no Sul da Inglaterra.

Foto: Reprodução/NME

O Brit Awards de 1995 foi uma espécie de termômetro, mostrando que essa rivalidade ia muito além dos tabloides. Enquanto uns pensavam que as bandas estavam em pé de igualdade, representando a mesma causa na música britânica, suas atitudes mostravam que existia um certo ressentimento.

Na premiação, o Blur levou os prêmios de melhor álbum, melhor vídeo, melhor single e melhor grupo britânico. Os caras do Oasis estavam concorrendo em três dessas categorias, mas levaram apenas o de melhor revelação. Curioso, pois seu primeiro disco, Definitely Maybe, foi um sucesso instantâneo entre a mídia e o público.

Na entrega da premiação de melhor grupo, Damon Albarn surpreendeu finalizando o agradecimento dizendo que o prêmio deveria ser dividido com os caras do Oasis. Se aquilo foi irônico ou não, ninguém sabe até hoje. Detalhe que, em 1996, a banda de Manchester levou a estatueta de melhor grupo e ironizou “Parklife” no palco.

Todas as provocações, fossem reais ou apenas um plano de marketing muito bem arquitetado pela assessoria de cada banda, continuaram sendo fomentadas pela mídia e esquentaram o clima para o fatídico dia em que os britânicos marcaram o lançamento de seus novos singles para a mesma data.

Foi então que, em 14 de Agosto daquele mesmo ano, as bandas se enfrentaram nos charts pela primeira vez, com os singles “Country House” e “Roll With It”. Ambas as faixas integrariam novos discos, que sairiam entre Setembro e Outubro: The Great Escape, que fecha a trilogia britpop do Blur, e (What’s The Story?) Morning Glory, álbum clássico dos irmãs Gallagher.

A disputa foi cunhada de “batalha do britpop” pela mídia, e rendeu uma icônica capa para o semanário musical NME:

Foto: Reprodução/NME

E após tanta especulação, a batalha foi ganha pelo Blur, com 274 mil cópias vendidas, contra 216 mil para o Oasis. Os irmãos Gallagher não ficaram muito felizes com o resultado, considerando o fato do Blur ter lançado, sem aviso, duas versões diferentes do single pela metade do preço; uma verdadeira trapaça.

O kissuco ferveu mais ainda a partir dali: indiretas e cutucões na mídia se tornaram norma, com Noel, inclusive, afirmando que desejava que Damon e Alex James, baixista do Blur, “pegassem AIDS e morressem”. Rolou um pedido de desculpas e, hoje em dia, pela graça da boa música, os músicos são amigos e até mesmo colaboram juntos.

O Blur pode ter levado os principais prêmios no Brit Awards de 1995 e ter ganhado a “batalha do britpop”, mas quem levou a melhor foi o Oasis no ano seguinte, que dominou todas as mídias da época, ganhou diversos prêmios e arrebatou mais de 250 mil pessoas no lendário fim de semana em Knebworth.

A história mudou completamente em 1997, com o lançamento de Be Here Now, da banda de Manchester, não tendo um desempenho tão bom quanto o estrondoso sucesso dos dois lançados anteriormente; e o disco homônimo do Blur, que levou a banda em outra direção criativa a partir dali. Foi o declínio dos anos dourados do britpop e um aceno para o que viria mais à frente nos anos 2000.

Relembre os sucessos com a gente:

 
 
Compartilhar