Foto por FIMS / Jabutaya

A cidade de Curitiba, com seus quase 2 milhões de habitantes, tem um histórico importante e influente ao apresentar seus valores musicais para todo país.

Com cenas efervescentes que no passado nos brindaram com grandes bandas de gêneros como hard rock, punk, hardcore e ska, a capital paranaense também sempre foi diversa e revelou bandas e artistas que vão do folk ao eletrônico passando pelo indie através de caminhos interessantíssimos, como nós já mostramos por aqui.

Há alguns dias o TMDQA! esteve na cidade para cobrir a FIMS, Feira Internacional de Música do Sul, e a convite do evento não apenas mostrou tudo que aconteceu por lá no Instagram Stories, como também participou de forma ativa da programação.

É sempre muito interessante participar de feiras e encontros da música como esse, e viver o ambiente de quem produz e consome arte e proporciona trocas das mais incríveis faz com que a gente saia do local com energia renovada olhando para o futuro. No caso de Curitiba, isso ainda foi potencializado pelo fato de que a cidade está vivendo uma fase de ouro quando o assunto é música, e o comentário geral foi de que daria para fazer um festival de primeira linha só com bandas locais.

Logo abaixo a gente fala tanto sobre o que rolou na feira quanto os shows e destaques que fazem da cena curitibana uma das mais ricas hoje em dia, principalmente com nomes que vimos bem de perto como Mulamba, Tuyo e Machete Bomb.

 

Palestras, Painéis e Workshops

A programação diurna da FIMS conta com diversas palestras, painéis e workshops que abordam os mais diferentes temas envolvendo a música hoje em dia.

Desde festivais do Brasil até direitos autorais passando por um debate sobre como as playlists são importantes hoje em dia, os assuntos rendem pra quem é artista, produtor, organizador de eventos, jornalista e mais. Com assuntos tão atuais, sempre há o que aprender ao presenciar conversas como essas.

Logo no início da feira tive a oportunidade de oferecer um workshop ao lado de Fabiana Batistela, da SIM São Paulo, sobre como as bandas poderiam otimizar as suas apresentações durante os pitches da feira.

Bandas e artistas de todo o país foram selecionados para apresentarem seus trabalhos em oportunidades de 8 minutos, e foi incrível perceber como todos estavam ali para trocar ideias, aprender e otimizar uma oportunidade que pode abrir caminhos na sequência das atividades. Nomes como os de Raissa Fayet, Thais Morell, Bananeiras Brass Band, Bruna Lucchesi (BLÄR) e Siamese conseguiram passar a mensagem e chamaram a atenção com as apresentações dos seus trabalhos.

 

Outro momento que derrubou barreiras foi o painel sobre a dissolução de fronteiras em que tive o prazer de participar com colegas de festivais da Europa e da América do Sul, falando pelo TMDQA! e também pelo Festival CoMA, de Brasília, onde participo da curadoria da parte de Conferências. Com casa cheia, discutimos sobre os fatores que impedem a importação e exportação de músicas de outras regiões no Brasil, e de lá nasceu uma parceria que você leitor do site poderá ler muito em breve por aqui.

Temas como o de Direitos Autorais, Feiras de Música e Festivais do Brasil também proporcionaram debates quentes e conversas das quais todo mundo que vive de música deveria participar em algum momento da carreira. Na presença de profissionais da área sempre dispostos a compartilhar conhecimento, a oportunidade de entender diversos aspectos da indústria e crescer com eles é sempre bastante única.

 

Showcases

Além da sempre proveitosa troca com profissionais de várias áreas, outro aspecto fundamental das feiras de música está, é claro, na música.

Showcases e shows noturnos são chances que temos para ver bem de perto o que de melhor está acontecendo na cena local e foi aí que mergulhamos de vez no que está acontecendo em Curitiba.

Os showcases com 20 minutos cada um aconteciam sempre entre um painel e outro, o que permitia com que todos fossem até o belo Auditório Kraide, dentro do Portão Cultural, para se divertir com os novos artistas do Sul.

Apresentaram-se no palco tanto talentos de Curitiba quanto do resto do país, e foi incrível ver performances intimistas de nomes curitibanos como Central Sistema de Som e Tuyo, que encerrou a programação da feira com uma performance impecável e é uma banda sobre a qual falaremos mais na sequência.

Grupos e artistas como Brass Groove Brasil (Santa Catarina), Rhaissa Bittar (São Paulo), ANAADI (Rio Grande Do Sul) e Cuscobayo (Rio Grande do Sul) também fizeram bonito, além da lendária banda Os Replicantes, que tem uma base consistente e os vocais de Júlia Barth para mostrar que continua afiadíssima no Punk Rock tanto em seus clássicos como novas canções do disco Libertà!, lançado em 2018.

@oituyo fechando os showcases da #fimsul com muita sensibilidade e poder.

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Circuito Off

Com as atividades do dia acabando às 20 horas, tínhamos todos uma folga de uma hora até que o Circuito Off desse as caras com shows em diferentes casas e restaurantes da cidade. E nesse shows a gente pôde ver de perto alguns dos principais talentos de Curitiba em ação.

A Tuyo fez com que o restaurante A Caiçara, de culinária típica do litoral do Paraná, ficasse lotado e com gente de pé, às mesas e no chão acompanhando de perto o talento desse trio sensacional.

Apostando nas vozes poderosas de Lio Soares e Lay Soares, o Tuyo ainda conta com o violão de Jean Machado e batidas que acompanham boa parte das canções.

Em uma sonoridade que é difícil de descrever mas sensacional de presenciar, as músicas da banda se aproximam de bandas lendárias como Cocteau Twins até outras mais novas como The XX.

Entre músicas cujas letras e arranjos são de emocionar e arrepiar, Lio quebra o gelo com carisma e piadas certeiras, que servem tanto pra gente dar umas boas risadas quanto para ela afastar o nervosismo do palco, ainda presente.

Após um EP, a banda irá lançar seu primeiro disco cheio ao final de 2018 e definitivamente esse é um dos álbuns mais aguardados do ano por aqui.

Outro destaque curitibano dos showcases da FIMS 2018 veio no Jokers, bar/pub/restaurante/casa de shows que fica no centro da cidade e é uma baita pedida para quem visita a cidade.

Por lá tivemos uma noite oferecida pelo festival Rec-Beat com a banda 2DE1, de São Paulo, e a Mulamba, de Curitiba.

Com casa lotada e um show que impressiona tanto pela capacidade musical de suas integrantes quanto pela performance muitas vezes teatral, a Mulamba protestou, cantou, dançou, impôs sua mistura de rock and roll com música brasileira e mostrou que está iniciando um caminho interessantíssimo para ter um dos shows mais quentes do Brasil.

A noite era de experimentações e o show que começou a mil por hora acabou perdendo fôlego até o final, mas ainda assim mostrou mais uma banda de Curitiba que também deve lançar disco em breve e vai dar o que falar.

Ao fim da noite a banda gaúcha Os Replicantes ainda mostrou seu punk rock afiadíssimo para quem resolveu aproveitar a madrugada, como esse que aqui escreve, e com certeza deixou todo mundo que estava lá com a alma lavada por ter feito a escolha certa.

Da nova “Punk de Boutique” até o clássico “Surfista Calhorda”, o grupo mandou bem demais.

Por fim, outro showcase que chamou bastante a nossa atenção foi o da noite oferecida pelo festival Se Rasgum.

Rolando no Basement, que já abrigou a lendária casa de shows 92 Graus em Curitiba, o show começou com a Central Sistema de Som e seu som imponente, e foi seguido de Estrela Leminski e Téo Ruiz, que além de idealizadores da feira também mostraram um show redondinho no palco.

Alternando estilos que vão do indie ao pop/rock e também deixando suas posições políticas e sociais bastante claras, a dupla contou com uma banda talentosíssima para colocar todo mundo pra dançar e transformar o Basement em uma grande festa.

Ao final veio o show de mais um dos nomes curitibanos que deve dar o que falar no país todo muito em breve: Machete Bomb.

A banda faz uma mistura singular de rap, rock e música brasileira, e soa como se o Rage Against The Machine tivesse encontrado o samba e o hip hop brasileiro com um grande diferencial: ao invés de uma guitarra, temos um cavaquinho.

A pressão e a presença do Machete Bomb já podem ser sentidos em estúdio, mas ao vivo a coisa sobe ainda mais um nível e fica impressionante.

Com letras que falam do cotidiano de Curitiba e da realidade de quem vive pelas ruas da cidade, o cavaquinho cheio de distorção e pedais de efeito é o poderoso trovão em uma tempestade que todo mundo para pra apreciar quando sobe ao palco.

Inspirando-se em grupos já consagrados mas com muita personalidade e um som que é todo seu, o Machete Bomb é outro nome de Curitiba que você deveria ouvir e, principalmente, prestigiar ao vivo quando o show chegar à sua cidade.

Na plateia, músicos, jornalistas, técnicos de bandas e pessoas que estavam ali pela feira não paravam de comentar sobre como cada nova música apresentada pela banda era uma porrada bem dada.

 

Não deixem de prestigiar as bandas sobre as quais falamos por aqui e programe-se para participar da próxima FIMS em Curitiba. Definitivamente vale a pena!