Queens Of The Stone Age - Villains
Assista ao novo clipe de Bruno Chelles, Camila Zasoul e Natalhão!  

Desde que o novo disco do Queens Of The Stone Age, Villains, foi anunciado, o hype em cima do disco tornou-se um dos maiores de 2017.

Não à toa, já que a banda é vista por muitos como a “salvadora do rock” em mais uma tentativa das pessoas de resgatar um estilo que, honestamente, não pede ajuda.

Villains veio cheio de elementos interessantes o cercando: pela primeira vez em muito tempo a banda não contaria com convidados especiais e também pela primeira vez trabalharia com o produtor Mark Ronson, conhecido por trabalhos com Lady Gaga, Amy Winehouse, Bruno Mars e Paul McCartney.

Além disso, vale contextualizar, a banda vinha de um dos lançamentos mais sombrios da carreira, o soturno …Like Clockwork, que em 2013 apresentou uma nova sonoridade voltada a letras pesadas e canções impactantes.

Voltando a Villains, logo que o primeiro single foi lançado com “The Way You Used To Do”, o álbum todo ganhou a aura de ser um disco “dançante”. Muito se falou sobre como a direção seria completamente oposta à do álbum anterior e a respeito da influência de Ronson, o que acabou se provando verdade em termos.

As duas primeiras faixas do álbum, “Feet Don’t Fail Me” e a já citada “The Way You Used To Do”, realmente colocam o ouvinte pra dançar, e em dois pontos altos do álbum, Josh Homme faz o que sabe de melhor: com riffs simples e efeitos de guitarra bem trabalhados, cria bases para grandes e marcantes canções.

Já a terceira faixa, “Domesticated Animals” tem um quê do QOTSA mais clássico de discos como Era Vulgaris e antecipa “Fortress”, faixa bastante pessoal que poderia estar no álbum anterior e de dançante tem muito pouco ou quase nada.

Em um disco onde todas as músicas ficam perto dos cinco minutos, para mais ou para menos, “Head Like A Haunted House” é a menor delas, com 3:21, e soa como uma espécie de Dead Kennedys somado a Elvis Presley. Aqui é onde fica mais evidente uma das características mais decepcionantes de Villains: a bateria.

Com um baterista como Jon Theodore comandando as baquetas e o currículo que o cara tem em projetos como The Mars Volta e One Day As A Lion é de se estranhar que a bateria tenha sido gravada e reproduzida muitas vezes como batidas pré-programadas e sem sal.

Além disso, se a ideia era fazer um disco dançante e cheio de energia, tirar toda a pegada da bateria parece não ter sido uma saída inteligente, e dá pra ver nas performances ao vivo de shows recentes como essas músicas ganham uma energia completamente diferente com sons de bateria mais redondos, cheios e orgânicos.

Para compensar a curta duração, a faixa seguinte “Un-Reborn Again” se arrasta por quase 7 minutos e “Hideaway” antecipa outra dobradinha das melhores na carreira do QOTSA, com “The Evil Has Landed” e a belíssima “Villains Of Circumstance”, que encerra o álbum.

Villains ficou com a marca registrada de ser um lançamento dançante e o próprio Josh Homme disse em entrevista que nunca entendeu por que o Rock And Roll perdeu esse aspecto já que tem tanto histórico com artistas como Elvis Presley.

A verdade é que algumas faixas do álbum são, sim, voltadas a chacoalhar o esqueleto, mas boa parte do disco é tão introspectiva e pessoal quanto …Like Clockwork, por exemplo. A própria introdução do álbum parece ter saído diretamente de um filme de terror.

O disco tem sido recebido por fãs de formas bastante diferentes, um verdadeiro 8 ou 80 onde muita gente diz que esse é o melhor trabalho do grupo em muitos anos e outros o classificam como o pior da carreira. Há quem veja com bons olhos essa nova transição e há quem diga que a banda deveria ter continuado com o clima de seu antecessor. O que não existe, porém, é alguém que tenha ficado indiferente ao lançamento que foi parar nos players de todo mundo e sobre o qual todo mundo deu opinião.

Eu, pessoalmente, acho que há um grande EP aqui. Tivesse quatro ou cinco das nove faixas, seria um lançamento daqueles, com canções inspiradas, diversas e com boa duração. O álbum cheio, com quase 50 minutos divididos em apenas nove longas músicas, soa como uma montanha-russa com pontos de euforia, outros pouco inspirados e mais alguns onde a ideia parece realmente boa, mas a execução deixou a desejar.

Como é que você encara Villains?

 
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