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Na noite de quinta-feira, Michael Angelakos, mente por trás do Passion Pit, publicou uma série de tweets que pareciam ser o anúncio de um hiato do seu projeto solo.

“Até ser mais seguro e saudável para nós sermos defensores, e sermos escritores, produtores e intérpretes, eu simplesmente não posso continuar fazendo música”, dizia uma das mensagens.

Alguns veículos reportaram que o músico de 30 anos estava entrando num hiato para cuidar da própria saúde mental, fato que foi logo desmentido por Angelakos numa nota enviada à Pitchfork.

O cantor afirma que não deixou de trabalhar com o Passion Pit e está, na verdade, deixando de ser um artista mantido pela indústria, e focando na saúde e no seu projeto The Wishart Group, uma plataforma lançada no início do ano que oferece suporte para jovens artistas.

Leia na íntegra:

Ao contrário das manchetes, eu não estou realmente num hiato. Essa pode ser uma palavra normal para se usar nesse cenário. Eu faço música todos os dias, é parte da minha vida. Eu acabei de fazer um show e estou prestes a lançar um álbum. Os ganhos do álbum vão todos para pesquisa científica psiquiátrica do The Stanley Center/Broad Institute. Eu já era um artista antes de assinar um contrato e trabalhar com esta indústria, e (por mais confuso que pareça para algumas pessoas, incluindo eu mesmo) eu vou continuar sendo um artista com ou sem a indústria.

O que eu estou fazendo – o que eu disse que faria – é todo trabalho exigido no desenvolvimento do The Wishart Group. Ele demanda minha atenção total, o que significa tirar um tempo de ser um artista comercial. Ele demanda que eu explique isso porque a ideia de que podemos fazer muitas coisas ao mesmo tempo e realmente criar mudança, especialmente sob o comando da saúde mental, claramente não funciona. Não é suficiente, embora eu quisesse que fosse.

Eu não consigo continuar operando neste espaço, nesta indústria, devido à maneira que funciona e trata as pessoas qu trabalham para ela ou criam. Ela não faz nada para promover a saúde necessária para produzir o trabalho que vende. Os riscos associados a serem um artista comercial e entrar num típico lançamento de álbum, com a promoção sem fim e turnê, quase me mataram. As pessoas costumam falar demais também, mas quando eu digo que essas exigências quase me mataram, mataram diversas pessoas, e continuam a matar; eu não estou apontando fatos. Eu estou falando de um lugar real e pessoa. Eu vivo isso, e eu vejo outros artistas lutando contra a fricção entre a saúde e sua arte.

Eu tenho apenas um pouco de atenção, então deve ser usada com cuidado. Eu comecei o The Wishart Group e estarei focando integralmente no seu desenvolvimento. Eu estarei aconselhando outras indústrias, e fazendo qualquer trabalho que for preciso na conjuntura atual até que eu tenha atingido certas metas e ajudado a construir um novo sistema. Nós precisamos de sistemas melhores, sistemas que realmente se voltem para trabalhadores, como artistas que querem e tenham sido contratados em negócios para fazer músicas para pessoas.

Eu quero criar mais níveis de segurança porque eu sei que tudo que estamos discutindo hoje é realmente sobre segurança – às vezes, é sobre como estamos faltando com ela. Artistas (apenas um exemplo da classe trabalhadora) nunca foram devidamente cuidados. Sutilmente ou agressivamente desafia a lógica como muitas outras coisas, até que de repente alguém apresenta algo lógico, talvez na forma de uma sugestão ou solução. Conectar artistas e criar uma comunidade para eles, para empoderá-los, é dar o exemplo a eles e a uma miríade de outros sistemas que nos importam. Essa é a prioridade; uma das prioridades. Devíamos priorizar o trabalho que sirva de exemplo.

Música é um luxo. Nós somos sortudos de tê-la. E se não é um luxo, como as pessoas me dizem ao contrário, dizer que é absolutamente essencial para nossa cultura, então eu gostaria de ver sistemas no lugar que refletissem sentimento, não apenas financeiramente. Proteger a saúde é o primeiro passo para manter a cultura artística em produção. A música não vai embora e irá apenas melhorar quando existir saúde e devemos parar de acreditar que sofremos pela arte – a vida já é difícil suficiente e todos sabemos disso.

Tremendous Sea of Love está sendo lançado esta semana, junto com os primeiros passos oficiais de cumprir as metas com o The Wishart Group – metas que deviam falar com muitas pessoas, não apenas artistas. Gossamer (Reduced), um remix desconstruído de Gossamer, também será lançado num futuro próximo, assim como uma reedição do meu primeiro EP e dois álbuns completos em vinil.

Passion Pit não está num hiatus, está apenas evoluindo, como qualquer um e tudo mais. No seu quinto aniversário, a mensagem por trás do Gossamer se perderia se eu não estivesse ativamente falando sobre desde o lançamento do álbum. Eu acho que é importante mostrar pras pessoas que, se pensarmos que algo pode ser consertado, então vale a pena ao menos a tentativa de consertá-lo. Ao invés de falar sobre isso sem parar, o que apenas iria concretizar o sentimento que temos dia após dia – que não iria mudar ou que isso apenas pioraria. Eu certamente entendo o sentimento, eu senti isso frequentemente nos últimos meses, mas não, não estamos fazendo o suficiente. Existe mais que eu possa fazer, então eu vou fazer.

O Passion Pit está prestes a lançar o disco Tremendous Sea of Love e, como Angelakos citou em sua mensagem, relançar uma nova versão do disco de 2012, Gossamer, além de seu primeiro EP.

Confira os tweets originais do músico:

   
 
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