Tim Commerford
 

O baixista Tim Commerford, que já tocou com o Rage Against the Machine e agora está com o Prophets of Rage, além de seu projeto Wakrat, publicou um texto para o site Team Rock, onde dá sua opinião sobre o recém-eleito presidente do Estados Unidos, Donald Trump.

Tim citou as motivações racistas e fascistas de muitos eleitores e comparou Trump a Adolf Hitler. Leia o texto na íntegra:

Ainda estou digerindo. Ainda estou agarrado à televisão, e ainda nem coloquei tudo em perspectiva. Estou tão chocado quanto a maioria das pessoas neste país. Estive falando com os meus filhos hoje, e são tempos assustadores. É incompreensível o tanto de gente que votou nele, e o quão fodido todo o sistema é. Está uma zona e é triste.

Ouço tanta gente falando agora, ‘Ah, sabe, ele vai mudar o país’ e bla bla bla e toda essa baboseira. Mas o fato é que o motivo das pessoas terem votado nele é a baixa em 18% nos impostos. É isso. É esse o motivo – é o dinheiro. As pessoas querem mais dinheiro, e é por isso que coisas deste tipo acontecem. É por isso que desabou desse jeito, e é por isso que temos uma situação muito assustadora aqui. Eu dizia isso quando eles estavam concorrendo – e ouvi de outras pessoas também, que ele é tipo o Adolf Hitler. Ele é o Adolf Hitler. Ele é a porra do Adolf Hitler. E. Ele. É. Assustador. Todos nós deveríamos estar bastante assustados, e todos nós deveríamos nos preparar para o pior.

Outra faceta desta eleição é o racismo. Tivemos um presidente Afro-Americano, e tem muita gente racista na América que ficou incomodada com isso. Então eles foram e votaram no cara branco. Eles não vão votar na mulher e eles não se importam com os latinos; eles são racistas. Então temos um mundo branco, racista e movido por dinheiro, que elege um presidente branco, racista e movido por dinheiro. É isso que acontece. É racismo – são os brancos. Acredito que os brancos foram a razão de Trump ter sido eleito, porque os brancos não queriam um afro-americano ou uma mulher. Foram os brancos que o colocaram lá.

Eu temo pelos imigrantes. Eu temo pelos muçulmanos. Eu temo pelos meus filhos. O assustador é, quando você tem filhos, você diz a eles, “Ei, olha, não mexa com as pessoas. Não diga coisas erradas sobre uma mulher, não seja racista, não faça essas coisas.” E aqui temos uma pessoa que está fazendo essas coisas e nosso filhos irão ver. E você só espera, “Ah, ele vai ser rejeitado nas pesquisas,” e isso vai guiar aquele ponto aos meus filhos de que você não pode ser assim – mas então o cara é eleito. E fica muito difícil de explicar aos seus filhos, e então eles crescem e viram adultos e possuem essa filosofia diferente arraigada neles. Então este é realmente o meu maior medo – o que isso irá fazer com a mentalidade dos futuros adultos.

Mas eu temo por tudo. É a saúde, o que vai acontecer com as 20 milhões de pessoas que possuem assistência de saúde – o Obamacare não foi a melhor coisa do mundo, mas pelo menos a ideia estava ali. E… Vamos construir um muro? Tá me zoando? Isso realmente vai acontecer? Vamos até lá e começar a construir um muro? Não consigo imaginar. E vamos começar a deportar os muçulmanos. E… São tempos assustadores. Sério. Estou assustado em todos os níveis.

América – eles dizem que estamos divididos, e você olha como o resultado foi apertado, e estamos. Eu só espero que as 49 milhões de pessoas que votaram na Hillary, e as outras milhões que votaram em outras pessoas, continuem a tomar as ruas e protestar. Talvez algo grande irá acontecer disso; essa é a minha esperança. Para mim, significa mais que a música. Música é a plataforma que sempre usei para o ativismo, então isso acende uma luz dentro de mim para fazer mais música, e tentar politizar as pessoas através disso.

Vale lembrar que ele não é o primeiro a fazer isso. Recentemente o vocalista do Green Day, Billie Joe Armstrong, também fez a mesma comparação. Os Simpsons fizeram a mesma coisa em um curta metragem e Roger Waters também comparou as duas figuras.

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