Nome em ascensão na cena carioca, a Baltazar é um quarteto formado por Pedro Mib (voz e guitarra), Eric Camargo (guitarra e voz), Jota Costa (baixo) e Pedro Tentilhão (bateria), amigos desde os bancos da escola. Eles lançaram recentemente seu EP de estreia, o ótimo Pressa.

Gravado no estúdio Maravilha 8, com produção musical de Daniel Carvalho e auxílio luxuoso de Berna Ceppas, em um raro gravador de fita dos anos 80 – para deixar o processo meio analógico e soar vintage, alinhado à estética musical da banda.

Já em estúdio trabalhando em um novo lançamento para 2017, a Baltazar conversou conosco sobre o processo de criação deles e sobre os planos da banda. Se quiser conhecer ao vivo, vale anotar: dias 18/11 eles estarão no Estúdio Floresta e no dia 28, na Audio Rebel.

Confira nossa conversa com a Baltazar:

TMDQA: Vocês lançaram alguns singles, um EP ao vivo e agora o Pressa, outro EP. O Formato foi proposital? Teve algum motivo para não mirar em fazer um disco cheio?

Pedro Tentilhão: Apesar do grande apoio da equipe que trabalha com a gente e da nossa imensa vontade de produzir mais e mais, o fato de sermos independentes torna o disco cheio algo ainda um pouco distante de conseguirmos. Nosso primeiro show na Áudio Rebel, em abril de 2015, foi gravado. Mixamos e lançamos 5 músicas. Foi o primeiro contato que tivemos com o público em termos de disponibilização de conteúdo digital.

Ao longo do mesmo ano, começamos a sentir muita vontade de produzir algo maior, em estúdio, e então começamos a correr atrás. Conseguimos a feliz produção do Daniel Carvalho, que junto com todos nós da banda, fizemos o EP Pressa. Acabou que todo o nosso trabalho foi baseado nas nossas oportunidades e vontades.

No EP Pressa houve, pela primeira vez, uma maior preocupação com a estratégia de lançamento. Acho que nós, como qualquer banda, vamos amadurecendo e nos profissionalizando a cada trabalho, sempre tendo como prioridade a nossa música.

TMDQA: Sobre a feitura do EP. Ele foi gravado com equipamentos analógicos. Isso mudou o modo como vocês pensavam a sonoridade das músicas ou foram elas que pediram esse som?

Eric Camargo: Sobre os equipamentos analógicos utilizados, se destaca um gravador de fitas antigo que acabara de ser restaurado pelo Daniel, bem na época em que entramos no estúdio. É impossível dizer que ele não influenciou a sonoridade das 5 músicas, pois era uma ferramenta muito interessante e que utilizamos bastante. Mas acredito que ele não chegou a definir o som do EP, ou à ditar necessariamente nenhum caminho específico. Na verdade, era sim uma decisão nossa procurar por um universo particular para cada faixa.

Para cada música buscamos expressar um ambiente específico, e isso se da muito pela escolha dos equipamentos e instrumentos utilizados. Entre eles haviam microfones da década de 60, pedais de efeitos também das antigas e, em destaque, o gravador de fitas. Tínhamos muitas fascinantes ferramentas à disposição para a gravação, e todas elas de alguma forma fazem parte da sonoridade final a que chegamos. Mas acredito que fomos principalmente guiados pela busca de um determinado clima para cada faixa, escolhendo então como e qual ferramenta usar.

TMDQA: O som de vocês é inclassificável. Tem horas que é MPB, outras é rock. Como vocês descreveriam a Baltazar faz para quem ainda não conhece o som?

Pedro Mib: Nós quatro ouvimos músicas dos mais variados gêneros e épocas. Rock, Pop, Blues, Jazz, Funk, Hip-Hop, Folk, MPB, Samba… Isso acaba influenciando nas nossas composições, arranjos e na maneira que tocamos. Cada um de nós tem uma bagagem musical própria e quando estamos tocando juntos encontramos uma nova maneira de fazer música, que é a soma das quatro cabeças. Eu acredito que o Rock seja o gênero que permeia de forma unânime entre nós e que norteia, de certa forma, a sonoridade da banda. Nós mesmos não queremos nos limitar a tocar um só gênero musical. A composição não segue uma demanda, não pensamos, por exemplo, “agora vamos fazer um samba”. A música simplesmente sai da maneira que nos sentimos no momento em que estamos criando. O arranjo, as idéias e sugestões apontam, posteriormente, para onde imaginamos cada canção, de forma única. Acho realmente difícil tentar descrever o que fazemos para quem ainda não conhece o som, haha. Resumindo de forma bem superficial e incompleta eu diria Rock/MPB. Mas prefiro aconselhar aos que não conhecem: ouçam de maneira livre.

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TMDQA: Como surgiu a inspiração pra capa?

Eric Camargo: A arte da capa do Pressa foi feita por dois grandes (e talentosos) amigos nossos, Artur Porto e Bruno Niquet. Ao começarmos a pensar sobre o EP, vimos que ele falava de muitas coisas e de muitas formas – em parte, por conta da decisão de buscar um universo particular para cada faixa. Mas olhando para o conjunto da obra, um tema que se destacava, inclusive no próprio nome do EP, era o tempo. E para falar sobre o tempo e sua passagem, o Artur e o Bruno optaram por falar sobre nós usando elementos de outras épocas.

Depois de explorar, pesquisar e experimentar diversas possibilidades, chegaram a imagem capa do EP. Os elementos da peça contam um pouco sobre o que, na época da gravação, nós 4 mais o Bruno e o Artur, entendíamos sobre o que significava Baltazar naquele momento. O ritmo da alternância de cores na asa do pássaro, o contraste com o plano de fundo que o cerca, diversas características fizeram com que gostássemos muito da imagem como um todo. E eu acho divertida a ideia de ter a imagem de um deus na nossa primeira capa, haha.

TMDQA: E pra fechar: vocês tem mais discos que amigos?

Jota Costa: Partindo do ponto que até hoje eu só fiz 03 amigos, acho que os discos estão na frente. Por uma pequena margem.