Unknown Mortal Orchestra
 

Da Nova Zelândia para o Brasil. Esse é um resumo bastante abreviado da carreira de Ruban Nielson, a mente mirabolante por trás do Unknown Mortal Orchestra. A banda ganhou projeção nacional no país oceânico quando Ruban colocou, de surpresa, a canção “Ffunny Ffrends” em seu Bandcamp sem dar nenhum outro detalhe – nem mesmo se a faixa era realmente sua. Após muita repercussão e especulação, ele confirmou que se tratava da primeira música de seu novo projeto.

Pouco mais de seis anos e três elogiadíssimos discos depois, o UMO se tornou um quarteto e vem ganhando terreno com sua mistura única de rock psicodélico, R&B e letras quase transcendentais na essência. Para antecipar a vinda do grupo ao festival Popload Gig, no dia 28 de abril em São Paulo, conversamos com a entidade responsável por um dos projetos mais aclamados do meio alternativo em tempos recentes. Leia abaixo!

Ruban Nielson, do Unknown Mortal Orchestra

TMDQA!: Vamos começar falando sobre Multi-Love, o último disco do Unknown Mortal Orchestra. Qual é a história e o conceito por trás desse álbum?
Ruban: Quando sentei e decidi começar a escrever nosso terceiro álbum, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a expressão “multi-love”. Estava no estúdio no meu porão me preparando e ela surgiu. O “multi-amor” havia dominado minha vida por um ano inteiro* e, de repente, um processo criativo muito misterioso tomou conta de mim. O álbum não é necessariamente uma apologia à poligamia. Ele fala muito sobre relações interpessoais de um modo geral, seja com parceiros românticos, amigos, família… Tenho uma esposa e duas crianças, então elas tiveram grande influência na criação desse disco.

*Ruban e a esposa Jenny viveram recentemente um relacionamento poligâmico com uma mulher. Você pode ler mais sobre esse fato, em inglês, aqui.

TMDQA!: A banda já se apresentou em programas de TV nos Estados Unidos, ganhou uma série de elogios da crítica e construiu uma base sólida de fãs por todo o mundo. O quanto sua vida mudou desde que o UMO começou, em 2010, e quanto dessa mudança foi causada por esse sucesso da banda?
Ruban: Minha vida mudou muito e a música agora é meu trabalho, todos meus planos atuais e futuros vêm desse trabalho. Eu tenho que ser grato por esse reconhecimento, ele não me incomoda, embora possa ser um pouco assustador, porque eu só quero fazer música e acabo indo parar do outro lado do planeta por causa disso. Mas me sinto abençoado quando isso acontece, e às vezes não me sinto merecedor de tudo isso. Posso ver o mundo inteiro, mas muito dele é visto pelas janelas de aviões, ônibus e vans. Então você precisa amar o que faz, porque pode ser muito cansativo.

TMDQA!: E quanto a tocar com Jake (Portrait, baixista) e Riley (Geare, baterista)? Como vem sendo pra você, que antes deste álbum escrevia todo o material da banda sozinho?
Ruban: Temos uma química muito boa, nos divertimos, tentamos ser espontâneos e mudar as coisas que fazemos nos shows todas as noites. No ano passado o Quincy (McCrary, tecladista) entrou para a banda, e meu irmão também ajudou a compor o último álbum. Na verdade, ele está neste exato momento vindo da Nova Zelândia para começarmos a trabalhar em mais música. É verdade que iniciei a banda e passei muito tempo gravando sozinho, mas não gosto de ficar sozinho. Colaborar é muito bom e quero ser cada vez melhor nisso.

TMDQA!: Com a chegada de uma banda completa, é de se imaginar que sua maneira de trabalhar tenha mudado consideravelmente em relação à época em que estava começando. Você é o tipo de artista que tem tudo planejado com antecedência ou é mais instintivo? Conseguiria prever o que o futuro reserva para o Unknown Mortal Orchestra?
Ruban: Se eu fosse te explicar o que penso sobre isso, ia sair um pouco confuso…

TMDQA!: Tente! Não deve ser tão complicado.
Ruban: Bem, eu acredito que não estou no controle do que vai acontecer com a banda. A música vem a mim através de fontes misteriosas. Alguns chamam de deuses, de entidades… eu acredito na existência de um plano maior para nós, mas não sei qual é esse plano. Portanto me mantenho aberto às possibilidades. Respondendo sua pergunta: sou uma pessoa intuitiva. No geral, busco trabalhar duro e tentar fazer o melhor que posso com aquilo que recebo através dessas fontes desconhecidas. Não sou religioso, mas acho que tudo acontece por um motivo, incluindo o meu trabalho, então não há motivo para tentar prever o que acontecerá futuramente. Só posso dar 100% de mim e tentar fazer com que seja um futuro bom.

TMDQA!: Em algumas semanas, vocês estarão vindo ao Brasil pela primeira vez. O que esperam dessa experiência?
Ruban: Ouvi que o Brasil tem os melhores públicos. E tem alguns dos meus artistas preferidos – a música brasileira é incrível. Caetano Veloso e Os Mutantes estão no meu top 10 pessoal. Adoro a Tropicália! Faz tempo que quero ir até aí. Vou beber caipirinha, ouvir música boa e conhecer pessoas interessantes.

TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?
Ruban: Tenho mais discos com certeza. Mas tenho a sorte de ser conhecido por muitas pessoas, e posso considerar essas pessoas meus amigos. Mas amigos próximos, pessoais, tenho poucos. Minha banda, meu irmão, minha equipe… felizmente, a maioria dos meus amigos trabalha comigo.

Unknown Mortal Orchestra no Brasil

A banda irá tocar no Brasil, mais precisamente em São Paulo, no dia 28 de Abril como parte das Popload Gigs.

O show acontece no Beco 203 e os ingressos podem ser encontrados por aqui.

Um dia antes o Unknown Mortal Orchestra toca em Curitiba, no Jokers, e você pode encontrar ingressos à venda por aqui.