A morte de Scott Weiland parece ter afetado emocionalmente aqueles que dividiram a cena musical dos anos 90 com o Stone Temple Pilots. Depois de homenagens vindas de nomes como Chris Cornell (Soundgarden), Krist Novoselic (Nirvana), William Duvall (Alice In Chains), entre outros, agora foi a vez de Billy Corgan, do The Smashing Pumpkins, se pronunciar.

Em carta aberta publicada no site oficial do SP, Billy Corgan demonstrou sua admiração pelo ex-vocalista do Stone Temple Pilots e Velvet Revolver, além de declarar que Weiland, Layne Staley (Alice In Chains) e Kurt Cobain (Nirvana) foram as vozes de uma geração. Leia abaixo a carta na íntegra e traduzida:

Tendo acabado de acordar com a notícia de sua passagem, me sinto obrigado a colocar no papel o meu respeito por Scott. E [nesta carta], eu não vou fingir saber mais do que sei, ou adicionar alguma declaração triste de como ele amava a vida. Pelo menos, no que posso dizer agora, ele está sem dúvidas nos braços da graça e do amor eterno.

Apresento também as minhas humildes condolências aos seus familiares, amigos e companheiros de banda; que têm sofrido e ainda estão sofrendo com esta grande perda. Pois quando alguém tão admirado parte muito cedo, nós lamentamos tudo o que poderia ter sido feito.

Como qualquer fã, eu me encontro refletindo sobre o que eu tenho em meu próprio baú: os momentos escassos onde Scott e eu nos falamos como contemporâneos ou concorrentes, e chegamos a nos conhecer enquanto pessoas, além das luzes e sombras que tentávamos jogar ao mundo. Agora refletindo, isso pode parecer banal, mas eu sempre tentava fazê-lo rir quando via que o turbilhão maníaco das festas que frequentávamos (em Hollywood, claro!) poderia estar nos causando estresse.

Foi, pode-se dizer, a minha maneira de me desculpar por ter sido tão crítico com o STP quando eles apareceram na cena [musical] como um foguete louco alimentando-se dos homens. E o cavalheiro tomando a frente da batalha não era só bonito, ele sabia cantar também! Como qualquer bom ator dá uma voz real e diferente para cada personagem interpretado.

Foi o terceiro álbum do STP que me viciou, uma mistura majestosa de glamour e pós-punk, e, confessei a Scott, bem como à banda muitas vezes, o quão errado eu tinha sido ao avaliar seu brilho natural. E como David Bowie pode fazer e ainda faz, foi o estilo linguístico de Scott que levaram sua música à uma única e de complicada definição atmosfera sônica.

Finalmente, eu gostaria de compartilhar um pensamento que, embora desajeitado, penso que agradaria Scott. E isso é: se você me perguntasse quem eu realmente acreditava serem as grandes vozes da nossa geração, eu diria que eram Weiland, Layne [Staley], e Kurt [Cobain].

Então, é mais do que uma tragédia dizer que nós que os perdemos, e não o contrário…

WILLIAM CORGAN