Quando se fala da vida em turnê nas estradas, muito provavelmente a primeira ideia que aparece na cabeça das pessoas é a de uma vida cheia de glamour, festas e regalias para os músicos.

Acontece que para boa parte deles, isso tudo está longe de ser verdade.

Em matéria publicada no The Guardian, a organização Help Musicians UK revelou que 60% dos músicos já sofreram com depressão e outros problemas psicológicos, enquanto 71% deles responderam que excursionar é um problema.

[one_fourth]”Somos as pessoas mais sortudas no mundo por termos essa oportunidade, mas isso não significa que seja fácil.”[/one_fourth]

Alguns exemplos foram citados, como Alanna McArdle, da banda Joanna Gruesome, que deixou o grupo, e Zayn Malik, da boy band One Direction, que um belo dia resolveu deixar a banda.

Além disso, pessoas envolvidas no meio da música foram entrevistadas, como o produtor Mat-Zo, que já venceu o Grammy:

99% das turnês se passam em aeroportos, hotéis e ficar sentado em tubos de metal por até 16 horas seguidas. É fácil deixar seu corpo e sua mente decaírem, mesmo que a pessoa tenha um estado emocional saudável. Para quem tem ansiedade, quartos de hotel são como prisões.

Quem também falou foi Meredith Graves, da banda Perfect Pussy:

Somos as pessoas mais sortudas no mundo por termos essa oportunidade, mas isso não significa que seja fácil. Cobra muito psicologicamente. Ficar confinado em uma van para uma viagem de 10 horas… você não pode dormir, não pode se mexer, não pode fazer nada. É a receita de um desastre para mim.

Depressão pós performance

Uma outra questão é a “montanha russa” pela qual músicos passam em turnê, através de sensações de êxtase alternadas com a solidão.

É justamente esse contraste entre os altos e baixos da vida em turnê que pode ser difícil para muitos artistas, e que é descrito em um fenômeno chamado de “depressão pós performance”, como explica o profissional de saúde mental John C Buckner:

 

Quando o corpo passa por grandes mudanças de humor, é inundado de diferentes neurotransmissores, resultando em um lançamento bioquímico que leva ao sentimento de êxtase. Após esses momentos o sistema nervoso precisa se calibrar novamente para outro lançamento. Depois de uma performance excitante o corpo começa a balancear o nível de neurotransmissores, e dessa forma não solta o mesmo nível que causou os sentimentos excitantes, resultando em tristeza. Na vida normal, no dia a dia, essas substâncias são lançadas e seguidas de descanso/recuperação, causando os típicos altos e baixos da vida. No caso da DPP, o processo é mais extremo, com altos mais altos e baixos mais baixos.

 

Você pode ler a interessante matéria a respeito, que ainda fala sobre como hoje em dia é financeiramente impossível para um músico ficar sem excursionar, clicando aqui.

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