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A banda mineira Uganga é, sem dúvida, um dos maiores nomes do Thrash Metal no cenário atual da música brasileira. Com letras cantadas em português e seu famoso histórico de misturar com sabedoria ritmos como o rap, reggae e groove, a banda  já atravessou o Atlântico por duas vezes para fazer turnê europeia, comemorou recentemente 20 anos de trajetória e se prepara para lançar o 5º disco da carreira.

Nós do Tenho Mais Discos Que Amigos! tivemos o prazer de bater um papo bem bacana com Manu Joker, vocalista da banda Uganga, que falou sobre sua relação com o vinil e outras histórias bem legais.

 

TMDQA!: Qual foi seu primeiro disco de vinil ? Como foi essa aquisição?

Manu “Joker” : Meu primeiro disco foi uma coletânea chamada Flipper Hits , ganhei esse dos meus pais em 1981 e dali pra frente virei roqueiro. Na verdade pedi esse disco pois era pirado na faixa “Eye Of The Tiger”do Survivor e que estava na trilha do filme “Rocky, o Lutador” . Além do Survivor tinha outras bandas AOR bem legais como Journey, Kansas, Asia, o soul de Barry White, Peter Frampton, Joan Jett and The Blackhearts, etc. Acho que comecei bem.

 

TMDQA!: Quais os discos de vinil mais importantes de sua coleção?

Manu “Joker”: Acho que o meu Rotting do Sarcófago da primeira prensagem, por razões óbvias. Esse é um disco que representa muito pra mim, tenho 2 discos de vinil daquela época, o picture e o CD, mas esse primeiro que peguei na caixa tem um valor muito forte. Tenho também o Bestial Devastastion/ Século XX autografado por todos integrantes do Sepultura. Na verdade numa visita da minha mãe a BH na época do lançamento, 85 se não estou errado, eu pedi esse disco e ela foi na Cogumelo comprar. Chegando lá estavam todos os integrantes do Sepultura dentro da loja e ela na hora pediu que todos assinassem no encarte. Muito obrigado, mãe!

 

TMDQA!: O que você acha da volta dos discos de vinil?

Manu “Joker”: Eu acho que o vinil na real nunca morreu, mas de uns 10 anos pra cá teve uma retomada forte no mercado em especial na Europa e ao meu ver devido primordialmente a dois consumidores fiéis: os fãs de metal e os dj’s. Graças a esses dois segmentos o vinil retomou a força e seu lugar merecido no catálogo dos artistas. Espero que fortaleça ainda mais e que o preço caia, tanto para fabricar quanto para comprar.

 

TMDQA!: Recentemente você voltou de uma segunda turnê europeia com sua banda Uganga. Como você viu o vinil girando lá fora? As pessoas estão aceitando e trabalhando bem com este formato por lá?

Manu “Joker”: Na Europa o vinil é muito forte, fomos num loja em Viena na Austria muito foda! Tinha tudo, pirei em piratas dos Beatles, Sabbath, várias bandas punks bem obscuras e muita coisa do punk/hc brasileiro também. Na estrada as bandas vez ou outra aparecem com discos de vinil no meio do merchan, toda cidade tem sua loja, sebos de usados, etc. Por lá é bem mais forte que aqui com certeza. Um excelente lugar pra se comprar discos na Europa é Berlim.

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TMDQA!: Na época em que só rolava vinil e K7, existia uma certa euforia quando alguém aparecia com disco novo na área e era comum trocar material entre bandas no Brasil e no exterior. Você tem alguma história engraçada para nos contar sobre essa época?

Manu “Joker”: Comecei a trocar fitas pelo correio por volta de 85, quando me liguei em bandas mais pesadas e montei o Angel Butcher. Chegou num ponto que chegava uma média de 20 cartas por semana, do mundo todo, uma doideira! Interessante que naquela época as pessoas gastavam umas 3, 4 folhas só escrevendo nomes das bandas que curtiam, era tipo “saca só minhas preferidas”(risos). Já recebi carta com papel queimado, com sangue, cabelo, até droga já mandaram dentro de uma carta (risos). Sem falar que todo mundo mandava dinheiro enrolado em papel carbono e que passávamos cola nos selos para reaproveitá-los. Pra falar a real até hoje algumas pessoas me pedem pra devolver os selos. Do it yourself total!

 

TMDQA!: Você pretende lançar algum disco do Uganga em vinil, em edições especiais por exemplo?

Manu “Joker”: Estamos conversando isso com o pessoal da Sapólio Radio, o selo que lançou o Eurocaos – Ao Vivo. Eles já fizeram outros lançamentos nesse formato e se mostraram interessados em soltar uma bolacha do Uganga. Acho que agora vai rolar!

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TMDQA!: Você gravou o álbum Rotting do Sarcófago, que tem uma das capas mais polêmicas que já existiram. Conte-nos um pouco como foi a concepção desta capa e a recepção que ela teve ?

Manu “Joker”: A ideia veio do Wagner (vocal e guitarra) e quem pintou foi o Kelson Frost, um artista muito talentoso de Belo Horizonte que fez várias capas clássicas daquela época. Lembro de ter visto essa capa ainda na tela sendo pintada na parede de um apartamento que o Kelson dividia com o CM do Mutilator e o Rapadura do The Mist (que depois foi pro Soulfly). A recepção foi excelente, causou polêmica pra tudo que é lado e era isso que queríamos (risos). Foi censurada nos EUA, saiu com adesivo não sei onde… Mas o mais engraçado é que minha mãe, totalmente católica, ficava mostrando pras amigas dela no maior orgulho, “olha que lindo o disco que meu filho gravou”! (mais risos)

 

TMDQA!: A banda Uganga irá lançar seu 4º disco de estúdio ao mesmo tempo em que há um cenário de indignação e manifestações populares, tema que sempre apareceu nas letras da banda. Você pode contar um pouco pra gente sobre o conceito deste novo disco, Opressor ?

Manu “Joker”: O Opressor é uma entidade que criei quando comecei a pensar no conceito desse disco. É fruto das fraquezas do homem, se alimenta e usa isso para nos destruir. Na verdade destruir para dali nascer o novo. É o ajuste de contas com esse mundo de guerras, fanatismo, drogas, cobiça, modas, desigualdade. Apesar de ser uma metáfora eu acredito que essa hora do acerto de contas ainda vai chegar, pra mim o mundo está uma palhaçada total.

 

TMDQA!: E a pergunta que não pode faltar. Você tem mais discos que amigos?

Manu “Joker”: Cara tenho bons amigos e sou muito grato pro isso. Mas também tenho um tanto bom de discos. Acho que tá empatado (risos).

Meus Discos, Meus Amigos

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