Gojira

Atração do Monsters of Rock, o Gojira é uma banda inclassificável se o assunto é gêneros. Formada por dois irmãos numa minuscula cidade na costa da França, o grupo transita entre o progressivo e o metal, a banda parece se transformar diante dos ouvidos dos ouvintes, numa eterna busca por algo novo. Conversamos sobre isso, sobre arte e sobre meio ambiente com Mario Duplantier, baterista da banda, e você pode conferir abaixo.

TMDQA!: Gojira é uma banda bem respeitada na cena de metal underground no Brasil. Sei que seu irmão tocava na Cavalera Conspiracy. Você conhece outras bandas da cena brasileira?

Mario Duplantier: Para ser sincero, não conhecemos muitas bandas brasileiras, talvez por estarmos tão distantes de vocês, aqui na França, mas tenho certeza de que é um cenário bastante rico. Não sei se a Overdose é brasileira…

TMDQA!: É sim.

Mario Duplantier: Então, somos grandes fãs da Overdose e o fato de eles usarem a percussão brasileira em sua música. É uma das nossas maiores influências, eu diria.

TMDQA!: Vocês são de uma cidade bem pequena na França. Como o fato de virem de um lugar pequeno e agora fazerem shows muito grandes pelo mundo afeta o som de vocês?

Mario Duplantier: Somos de um lugar no sudeste da França cercado pelo oceano e montanhas, crescemos em um lugar lindo, cheio de natureza. Mas o tempo muda bastante, com ondas fortes e muitas nuvens. Isso é parte de nós, da nossa identidade, está dentro de nós. E certamente isso passou a fazer parte do som que fazemos.

TMDQA!: Você falou da natureza, e a música de vocês parece ter uma ligação forte com o meio ambiente. Você está a par do que está acontecendo no Brasil ou outros problemas com os quais a música pode ajudar?

Mario Duplantier: É muito difícil dizer, porque tentamos não levantar bandeiras, como se fôssemos ecologistas ou algo assim. Por exemplo, tínhamos acabado de ver um filme sobre os tubarões feito pela Sea Shepherd, e ficamos preocupados, por isso propusemos uma colaboração espontânea com eles. Mas na verdade, não somos esse tipo de caras que tentam encontrar todos os problemas do mundo. Nos preocupamos com o planeta, mas nos sentimos músicos antes de tudo. Mas sei que no Brasil… Ouvi falar mais sobre as Olimpíadas e falou-se muito sobre isso na França. Para ser sincero, não tenho um conhecimento muito bom do Brasil. Quero conhecê-lo, por isso vai ser tão bom ir aí e ver São Paulo. Queremos visitar, ver as pessoas e causar uma boa impressão ao vivo. então mal podemos esperar para estar aí.

TMDQA!: O Gojira, ou seja, Godzilla, é um monstro que vem do mar. Vocês, de uma cidade costeira. Foi essa a intenção do nome?

Mario Duplantier: Escolhemos porque nos sentíamos como Godzilla (risos). Porque vínhamos do mar, crescemos nas praias da França, passamos muito tempo na água. O Godzilla passa uma imagem de poder e raiva e era como nos sentíamos com a humanidade. Então tem essa alegoria do homem destruindo o planeta. No início, gostamos muito desse nome, dessa imagem quando éramos mais novos. Agora lidamos com o nome, mas o colocamos há quase 19 anos (risos). Mas ainda funciona, amamos essa referência de poder e raiva.

TMDQA!: As pessoas têm dificuldade em descrever o som de vocês, usam adjetivos demais. Como você o descreveria?

Mario Duplantier: É muito difícil fazer isso. Tentamos misturar sons melódicos, melancólicos e, ao mesmo tempo, poderoso e violento. É difícil dizer. Algo entre Sepultura e  Morbid Angel, talvez (risos).

TMDQA!: Você tem outra banda com seu irmão, Empalot. Como está? Podemos esperar novidades?

Mario Duplantier: Está em stand by. Éramos um bando de amigos se divertindo fazendo música, mas está em espera porque todos os membros saíram para cuidar de outros trabalhos regulares. Mas ainda somos muito amigos e nos encontramos e jantamos, rimos demais a noite toda. Nem falamos em fazer nada novo, nem mesmo shows. Talvez um dia, com certeza.

TMDQA!: Você também é um artista plástico. Como seu trabalho como baterista afeta seu trabalho como pintor?

Mario Duplantier: Não me sinto um pintor, apenas que pinto. Não tenho pretensão alguma, tenho certeza que muita gente desenha e pinta. Não passo meu tempo todo fazendo isso, apenas tento deixar minha imaginação fluir para o papel. É um tipo de terapia, porque deixo sair muitas emoções. Mas não vejo uma ligação com a bateria, a não ser o fato de me sentir muito livre quando faço ambos, e faço muito espontaneamente. Tento me colocar neles, minha alma, meus instintos. Quanto toco bateria, é incrível, porque não toco com a mente, apenas com o corpo. É muito espontâneo, e com a pintura é a mesma coisa.

TMDQA!: O que os fãs podem esperar do show no Brasil?

Mario Duplantier: Vamos tentar equilibrar o setlist com todos os nossos discos. Vão haver os sucessos de praticamente todos os álbuns, porque não queremos tocar apenas o último. É a primeira vez que vamos ao Brasil e queremos propor algo mais diverso. Vamos ter apenas 45 minutos para tocar, então vai ser um show grandioso. Um pouco de vivacidade e som mais ambiente. Vamos tentar fazer um mix entre ambos.

 
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