Resenha: The B-52s em São Paulo
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Resenha: The B-52s em São Paulo

Texto: William Galvão / Fotos: Taiz Dering

Quem ainda tinha a intenção de ver uma apresentação do The B-52s no Brasil (e talvez no mundo) pode ter perdido a última oportunidade na noite do sábado, 5 de Outubro, quando a banda subiu no palco do lotado HSBC Brasil, em São Paulo, para seu show de despedida. Pelo menos foi o que Kate Pierson e Fred Schneider andaram dizendo em entrevistas recentes. A banda também vem dando indícios de que pode encerrar seus 37 anos de carreira. Os mais evidentes são os trabalhos paralelos que os integrantes da banda tem, alguns musicais, outros empresariais.

Antes de começar o show, uma andada pela casa, que estava bem cheia, mostrou um público de fãs que provavelmente curtiram a banda nos anos 80. Em sua maioria homens e mulheres entre 30 e 40 anos. O que não quer dizer que os mais jovens não marcaram presença, hora e meia era possível avistar uma modernete com cabelos coloridos.

A banda subiu no palco do HSBC por volta das 22h30 e abriu o show com “Planet Claire”, música do primeiro álbum (1979) que leva o nome da banda, da época em que o som era quase essencialmente new wave. A banda tem usado a canção para abrir todos os shows da turnê brasileira. Na sequência veio “Mesopotamia” (1982), cujo EP homônimo teve produção de ninguém menos que David Byrne, do Talking Heads.

Até então o público se mostrava bastante atento ao que estava acontecendo no palco. Foi com a dançante “Private Idaho”, hit supremo, que a plateia mostrou que estava presente e ansiosa pra cantar e dançar todos os singles. Um incidente após a canção fez a casa ficar no escuro, um apagão, uma queda de energia, algo do tipo, que durou 5 minutos.

Quando a banda se recompôs o vocalista Fred Schneider brincou “Acho que não pagamos a conta de luz”. Em seguida eles tocaram o b-side do primeiro disco, “Lava” (1979), que fez os presentes ali se esquecerem da pausa e continuarem de onde pararam. “Dance This Mess Around” (1979) levou as pessoas à loucura com os agudos impecáveis de Cindy Wilson, um dos pontos mais altos da apresentação. Ainda assim, durante boa parte do show, a loira pareceu estar distante da banda.

Resenha: The B-52s em São Paulo

O público deu uma acalmada com “Girl From Ipanema Goes To Greenland” (1986), música inspirada em uma viagem da banda ao Rio de Janeiro, quando tocaram no Rock In Rio de 1985. Além dessa música, outras duas do álbum Bouncing Off The Satellities surgiram dessa turnê. Com o início inconfundível meio ‘árabe’, “Roam” fez o público esquentar as cordas vocais e acompanhar o trio na cantoria “Roam if you want to roam around the world….”

No mesmo clima festivo, que é bem característico dos B-52s veio “Legal Tender” (1883), canção que a banda geralmente só canta por aqui, já que é uma das preferidas dos brasileiros. Em clima futurista, “Love in the Year 3000” (2008), do último álbum lançado, Funplex, não foi muito bem recebida pelo público. Enquanto “Is That You, Mo-dean” (1992) abriu espaço para a punk “6060-842” (1979), “Whammy Kiss” (1983) abriu para a tão/talvez mais esperada “Love Shack” (1989), cantada em uníssono.

Depois disso, Fred Schneider, Kate Pierson e Cindy Wilson saíram do palco, fizeram todo aquele mise en scène pré-bis, as luzes se apagaram e, claro, o público ficou parado esperando a volta. Que por sinal, valeu à pena. A banda encerrou com a empolgada “Party Out Of Bounds” (1980) e a ótima “Rock Lobster” (1979).

No geral, o B-52s fez um show bem interessante para os fãs, cheio de hits. Mas se a suspeita do fim da banda se confirmar, talvez esse não tenha sido um show digno pra marcar o fim de uma banda tão importante da história do rock.

http://www.youtube.com/watch?v=H0NEct7ucB0