Segundo Dia

Blur no Optimus Primavera Sound 2013

O segundo dia do festival foi, inegavelmente, o dia do Blur. Infinitamente mais cheio que o dia anterior, com fãs sentados na grade desde muito cedo, a sexta-feira também trouxe outras atrações, mas, me perdoem a parcialidade absoluta, se resumiu ao Blur. Sim, o Grizzly Bear fez um show lindo, muito mais amplo que o último que vi, na intimidade de um Circo Voador (RJ) longe de estar cheio. E certamente havia algo de bom nos outros três palcos que, em sistema de revezamento, estavam sempre movimentando o público de um lado para o outro. Mas foi o show do Blur que proporcionou a mais bela visão de uma multidão que se estendia desde o palco até o infinito por trás da colina que, mais vazia no primeiro dia, já havia me impressionado. Não me surpreendeu encontrar uma expressão de encantamento no rosto de um Damon Albarn que constantemente tentava absorver a energia de todo mundo.

Se eu simplificar bastante, posso dizer que ver o Blur é como andar de bicicleta: Pra quem já o fez antes, uma experiência prazerosa, porém comum. Para quem está experimentando pela primeira vez, uma experiência sensacional. Eu estou na segunda categoria, e aproveitei cada uma das canções, até mesmo a grudenta e um pouco odiável “Song 2”, com os ouvidos, pulmões e olhos abertos de quem nunca esteve tão perto daquilo antes. E o show foi uma compilação de hits. Começando por “Girls & Boys”, passando por “Popscene” e “There’s No Other Way”, parando em “Beetlebum” e destruindo um pedacinho do coração de quem estava na primeira fila, sendo encharcado por um senhor de 45 anos que não aparenta ter mais de 30, e certamente, no palco, age como se tivesse 16.

Coxon, James e Rowntree se contêm, Albarn, por outro lado, mergulha na plateia e, de mãos dadas com os fãs e usando uma coroa de flores roubada, canta junto. Em seguida vieram “Out of Time”, “Trimm Trabb”, “Caramel”, e, na segunda pausa emocional da minha vida, “Coffee & TV”. Toda criança dos anos noventa que viu o “clipe do leitinho” e não teve a chance de ver a banda ao vivo até aquele momento ficou emocionada. Do meu lado, um indivíduo em estado de choque. E então veio a lindíssima “Tender”, com o coro de “Oh my baby, oh my baby, oh why, oh my…” sendo repetido por longos minutos, incentivando a banda a continuar tocando junto. E então vieram “Country House” e “Parklife”. “End of a Century” me fez chorar, e posso jurar ter visto uma expressão comovida no rosto do Damon Albarn. Encerrando o momento marcante, “This Is a Low”. Então teve o bis, com “Under The Westway”, “For Tomorrow”, “The Universal” (linda, encantadora e gritada por todos) e, como esperada, “Song 2”. E o show acabou. O espetáculo que é o Blur acabou. E ficou aquela impressão de que os anos não passaram, e se passaram, apenas aperfeiçoaram musicalmente a banda que acompanhou a infância e adolescência de muitos dos que estavam ali. Se eu voltar à minha analogia inicial, posso dizer que valeu cada ano de espera. O esforço foi recompensado e não há nada melhor do que poder dizer “eu já andei de bicicleta!”. Eu já vi o Blur, foi incrível, agora não quero parar de vê-los.