Rafael Cortes (Assustado Discos)
(Fotos por Priscilla Buhr)

Rafael Cortes é o criador do Assustado Discos. O selo surgiu em 2011 e tem em seu catálogo os LPs Devotos – Demos e Raridades, Inocentes – Garotos do Subúrbio, e Wander Wildner – Rodando el Mundo.

Cortes atuou na área de etnomusicologia de 2004 a 2007 em São Paulo, na Associação Cultural Cachuera!, e em Pernambuco, no Núcleo de Etnomusicologia da Universidade Federal do estado. Após esse período, Rafael foi Coordenador de Música na Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco até 2012. Como coordenador, ele fez a concepção de eventos musicais, participou de processos de seleção e curadorias, de feiras de música nacionais e internacionais, além de ser responsável pela implementação da política pública de música no estado.

Hoje em dia, além de manter o Assustado Discos, Cortes trabalha no escritório de economia criativa Hubcriativo.

Para saber como encomendar os LPs, basta enviar um e-mail para assustadodiscos@gmail.com.

Neste Meus Discos, Meus Amigos, você vai conhecer um pouco sobre sua paixão pelos discos de vinil e saber como surgiu o selo, que é especializado em “gravações raras, inéditas e históricas de artistas” e em “resgatar gravações de passados sinceros”.

Rafael Cortes (Assustado Discos)

TMDQA!: Qual o disco de vinil mais importante da sua coleção?

Rafael: Essa é uma pergunta difícil de responder, porque tenho uma relação particular com cada título da minha coleção. Mas vou arriscar citar um que sem dúvida tem grande importância que é O Começo do Fim do Mundo, registro em vinil de um festival de punk que aconteceu no SESC Pompéia, em São Paulo, em 1982.

TMDQA!: O que você acha da volta dos discos de vinil?

Rafael: Eu acho que esse reaquecimento no mercado mundial representa um respiro muito interessante para a indústria fonográfica. Apesar das tiragens ainda serem pequenas comparadas ao passado, os números estão crescendo e superando as estatísticas a cada ano.

Hoje é frequente encontrarmos jovens, nascidos na era digital, descobrindo e optando pelo vinil. Além desses novos consumidores, percebo que muitas pessoas vem retomando o interesse pelo formato, revisitando e limpando discos antigos ou readquirindo coleções doadas.

Em um processo lento e contínuo, o mundo está retomando a cultura do uso do formato, existindo novamente um mercado cada vez mais crescente nessa área.

TMDQA!: Qual foi seu primeiro disco (vinil/CD/K7)?

Rafael:

Vinil: John LennonImagine;

CD: Faith no MoreLive at Brixton Academy;

K7: Ultraje a RigorCrescendo.

TMDQA!: Que bandas você tem ouvido ultimamente?

Rafael: Todos os meus discos estão sempre se revezando no meu equipamento de som, mas vou destacar algumas boas descobertas e bons lançamentos que estão fazendo minha cabeça nos últimos tempos:

Bobby Womack – The Bravest Man in the Universe (2012)

Dirty Projectors – About to Die EP (2012)

Recordando o Vale das Maças – As Crianças da Nova Floresta (1977)

Moacir Santos – The Maestro (1972)

Merda – Índio Cocalero (2012)

Cangaço – Rastros (2013)

Wander Wildner – Rodando el Mundo (2013)

Juliano Holanda – A arte de ser Invisível (2013) 

TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?

Rafael: Tenho cerca de cinco mil discos e os amigos cabem nas duas mãos.

TMDQA!: Como surgiu o Assustado Discos?

Rafael: Na minha adolescência, nos anos 90, eu era consumidor e admirador de muitos selos que ajudaram a sustentar a cena independente, no Brasil. Selos como o Banguela Records, Thirteen Records, Baratos e Afins, Ataque Frontal, Punk Rock Discos e os mais recentes, Monstro Discos e Laja Records, serviram de referência para mim.

O principal objetivo do selo é possibilitar que gravações raras, inéditas e históricas de artistas que já tenham uma estrada possam ser disponibilizadas para o público, no formato vinil. Esse desejo por raridades me acompanha desde a adolescência, quando eu buscava os discos “piratas”, normalmente gravados ao vivo ou contendo versões demos, sobras de estúdio e lados B, das minhas bandas prediletas.

Até hoje garimpo essas raridades e encontro pessoas com o mesmo interesse, portanto, decidi viabilizar parte desse fetiche através do Assustado Discos. A vontade de criar um selo é antiga, o formato foi se lapidando com o tempo.

TMDQA!: No “Sobre” do Assustado Discos no Facebook você fala sobre “resgatar gravações de passados sinceros”. Qual o motivo disso? E você acha há sinceridade em “alguns presentes” na música?

Rafael: Falo de música com verdade, feita por artistas de alma, de gravações de artistas e bandas captadas na essência de seus momentos de criação ou execução.

Acredito que nesse tipo de registro, pesquisado pelo Assustado Discos, podemos ter acesso a momentos muito sinceros e verdadeiros dos artistas, pois numa versão demo, onde normalmente a produção é feita com baixo orçamento, os músicos depositam toda a energia para que aquela gravação fique com o melhor resultado possível, ou mesmo em uma performance ao vivo, onde todos os “demônios” são expulsos e a verdade daquele trabalho vem a tona.

TMDQA!: Quais os próximos passos do selo?

Rafael: O Assustado Discos está cheio de projetos.

No momento estamos produzindo o LP DJ Dolores – Banda Sonora, uma compilação com parte da produção do DJ composta para trilhas sonoras de filmes nacionais, aprovado no edital Natura Musical, com lançamento previsto para o começo do segundo semestre.

Depois dele teremos um compacto do Little Quail and Mad Birds, com várias versões demo de músicas que fizeram parte do segundo disco da banda, esse será lançado em parceria com um selo novo de Brasília.

Em seguida, o disco solo de Fred Zeroquatro, do projeto chamado Universal Creative Economy, onde o líder do Mundo Livre S/A irá apresentar composições antigas e novas em um disco cru com quase todas as faixas gravadas em voz e violão. E um LP do grupo de coco Bongar, gravado ao vivo no Terreiro Xambá.

Além desses, existem parcerias previstas com o selo pernambucano Joinha Records, entre outros projetos que estão sendo formatados.

Rafael Cortes (Assustado Discos)