Lollapalooza Brasil

Leo Ganem, da GEO Eventos

Leonardo Ganem, ou Leo, é o presidente da GEO Eventos, empresa que está organizando e produzindo um dos festivais mais importantes do ano no país, o Lollapalooza Brasil.

Muito solícito para tirar as dúvidas de quem vai até o evento e com a gente, batemos um papo com o cara, contamos com a ajuda de vocês em perguntas dos leitores, e agora temos o resultado logo abaixo.

Confira o que ele disse sobre o festival, estrutura, comparações com o evento original nos EUA, futuras edições no Brasil, ingressos e muito mais.

Se mesmo após a entrevista sua dúvida ainda não for solucionada, fale com o Leo no Twitter, que ele responde! ;)

TMDQA!: Como se deram as negociações para a vinda do Lollapalooza para o Brasil? Se for possível enumerar, que critérios e requisitos tiveram que ser atendidos para poder receber um festival como esse, que já tem história nos Estados Unidos?
Leo: Nossos parceiros, WME, C3 e Perry, queriam antes de tudo a segurança de um sócio local conhecido e bem estabelecido. Nesse sentido ajudou muito sermos uma empresa Globo e termos feito o show do Eminem com a WME. Depois dessa fase de namoro, eles aprovaram SP por várias razões: tamanho, público, ausência de qualquer festival parecido e, finalmente, disponibilidade de uma arena linda e parecida com o Grant Park de Chicago.
TMDQA!: Sobre as bandas brasileiras, quais foram os critérios observados em cada banda escolhida para que elas pudessem entrar na programação?
Leo: Nós queríamos fugir do óbvio, utilizar bandas que não fossem as nossas mais tradicionais, que realizam shows o tempo todo pelo Brasil afora ou sempre participam de festivais. O espírito do Lolla é outro e queremos apresentar novas misturas – atenção misturas, não necessariamente novas bandas. Esse foi o principal critério.

TMDQA!: O Lollapalooza Brasil será organizado nos mesmos moldes da festa em Chicago? Perry chegou a comentar que o local escolhido aqui (Jockey) lembra muito a atmosfera de lá. A ideia é portar o evento original para cá?
Leo: Sim! Queremos na medida do possível reproduzir aquela atmosfera. O Lolla em Chicago é o melhor Festival que já fui, estive lá 3 vezes. Isso em termos de atmosfera, freqüentadores, densidade demográfica, curadoria musical, duração e local. Tudo é pensado e perfeito. Estamos trazendo tudo que for possível para reproduzir a mesma coisa em São Paulo.

TMDQA!: O festival conta com plano de sustentabilidade? Quais ações sustentáveis serão colocadas em prática em São Paulo?
Leo: Vamos fazer tudo pra reduzir qualquer impacto ambiental, isso vai desde separação de lixo até incentivar e criar oportunidades para que as pessoas cheguem lá por transportes públicos ou bicicletas. Mas é importante notar que isso não é mais do que nossa obrigação, ou de qualquer outra empresa. Não quero usar a bandeira da sustentabilidade para vender ingresso, estamos vendendo música.

TMDQA!: Já fomos capazes de ver quantos palcos teremos na festa, a tenda eletrônica e tudo mais, mas em números, como será a estrutura montada para o Lolla BR? Quando começam os trabalhos no Jockey?
Leo: Os trabalhos já começaram. Temos equipes indo lá diariamente para desenhar e pensar em todas as estruturas. Teremos 5 mil pessoas trabalhando diretamente conosco, e talvez 10 mil indiretamente. 85% dos ingressos vendidos até aqui foram para fora da cidade de São Paulo, então esperamos movimentar a cidade em um feriado, em geral, vazio. Quanto a números, por exemplo de quantidade de material, som etc, vamos divulgar tudo depois do festival.

Lollapalooza Brasil

 TMDQA!: O contrato de realização do festival aqui já prevê futuras edições? Nós, brasileiros teremos mais Lolla BR durante os próximos anos?
Leo: Sim! Temos um contrato de longo prazo com nossos sócios americanos. O Lolla será realizado anualmente sempre com o mesmo nível de cuidado na seleção musical. Queremos que esse seja o grande evento musical de São Paulo e por que não o maior do Brasil?

TMDQA!: Como foi montado o line-up da primeira edição do Lollapalooza BR? Muitas das atrações tocam também em Santiago, no Lolla Chile, mas algumas ausências de artistas que tocam lá, como Bjork e Crosses, foram sentidas.
Leo: Nas atrações internacionais, olhamos para a grade do Lolla Chicago dos últimos anos e tentamos, a partir daí, fazer muita coisa alinhada com o Chile, porque isso nos ajuda a fazer propostas melhores aos artistas e com custo mais baixo pra gente. Uma grande diferença foi o Jane’s Addiction, do Perry, que tocou em Santiago ano passado e esse ano toca no Brasil. Por isso Bjork fica só lá.

TMDQA!: Qual é a participação efetiva de Perry Farrell nas decisões quanto line-up, organização do evento, preços de ingressos, etc?
Leo: Ele tem uma participação efetiva na seleção das bandas internacionais e na grade. Além disso, ele participa muito ativamente da reprodução da atmosfera do festival aqui, sugere ações de sustentabilidade, promove o Kidzapalooza, e é um porta voz do festival no mundo todo. E é claro, vai tocar no nosso também!

TMDQA!: Mesmo após a resolução do incidente dos ingressos, Perry ainda diz estar “com dor de cabeça do Brasil”? Ou após a normalização dessa questão e de toda a discussão sobre horários das bandas nacionais, os ânimos foram melhorados?
Leo: O incidente todo, para gente, durou dois dias, sem exagero. Logo depois já estávamos surfando na onda de sucesso que foi o lançamento do line-up, a  entrada de grandes patrocinadores, o estouro de vendas para o público – já esgotamos o primeiro dia e o segundo vai esgotar em breve. Com isso tudo de bom, o que aconteceu foi uma rusga.

TMDQA!: Com o festival rolando na Páscoa, todo mundo vai ganhar um ovo de chocolate na entrada ou eles estarão escondidos pelo Jockey? =P
Leo: Olha a idéia é boa hein? O que eu posso dizer é que patrocinadores no calibre que temos vão certamente fazer ativações divertidas para que o público experimente suas marcas da melhor maneira possível – isso já compensaria qualquer ovo de chocolate!

TMDQA!: Quantas pessoas são esperadas para os 2 dias de evento e como será preparada a estrutura dos arredores do festival?
Leo: Esperamos perto de 75 mil pessoas em cada dia. Pra esse volume de gente estamos preparando pontos de estacionamento nos shoppings, com um sistema de vans para levar e trazer o pessoal. Estamos mantendo a ciclovia aberta para os que quiserem ir de bike. Vamos ter toda a sinalização e segurança para o público, além dos investimentos nas áreas de alimentação, banheiros, etc.

Um festival tem uma vantagem com relação a shows porque a chegada e saída do pessoal é um pouco mais diluída. Se bem que nossos headliners são tão bons – Foo e Arctic Monkeys – que quem sair cedo vai perder um showzão…

TMDQA!: Por fim, qual é a mensagem que você pode deixar para os fãs de rock que vão ao Lollapalooza em Abril?
Leo: Aprendi o seguinte no Lolla em Chicago: um festival é uma experiência musical diferente. Você não vai conseguir ver todos os shows que queria, porque necessariamente alguns vão começar no mesmo horário. Mas isso é parte da diversão: fazer seu mapa de bandas, chegar cedo – o Lolla é diurno – considerar correr de um palco pro outro no meio do show, sacanear o amigo que escolheu o show errado, dar uma variada de estilo na tenda eletrônica, discutir qual foi a melhor banda. Essa é a graça. No final o que você leva pra casa é uma amostra muito boa do que está acontecendo de melhor na língua do rock e na segunda-feira vai entrar no nosso site pra ver o que vai rolar em 2013.

Espero vocês no Lolla!

Perguntas dos Leitores

Pergunta enviada por Marilia Frigatti
Marilia: Qual a maior dificuldade na contratação dos artistas internacionais para um festival no Brasil? Existe preconceito, falta de interesse?
Leo: Não existe preconceito algum, todos os artistas hoje vêem no Brasil e América do Sul um mercado em expansão importante. A maior dificuldade é a competição pelos talentos – são 3 ou 4 empresas grandes e alguns aventureiros tentando trazer artistas. Os agentes usam essa competição para aumentar os cachês. Por isso, esse processo é complexo e pode tornar um projeto mais caro.

 

Perguntas enviadas por Gean Bertolotti
Gean: Na entrevista de apresentação dos eventos, foi dito que a questão da meia-entrada será tratada de uma maneira como nunca antes. O que isso realmente significa? Como pode ser feito um controle maior da meia-entrada?
Leo: Oferecemos meia-entrada como previsto em lei. Tivemos quase 85% de meias-entradas no total vendido. O que vamos fazer é verificar os documentos de todos os fãs que apresentarem o convite de meia-entrada para nos certificarmos que eles tinham realmente este direito. Por isso garanta a identidade e carteira de estudante em mãos.

Gean: Será permitido levar comida ou água ao evento?
Leo: O Festival Lollapalooza possui um canal de FAQ onde essas e outras dúvidas podem ser respondidas.

 

Pergunta enviada por Emerson Felipe Pedroso
Emerson: Por que o valor dos ingressos foi bem maior em relação a outros festivais brasileiros de mesmo porte, como o Rock in Rio e o SWU?
Leo: O valor dos ingressos é sempre decidido com base na estrutura de custos e do público que se quer atingir. Sem fazer nenhum juízo qualitativo, o Rock in Rio, um senhor evento, mira em um público bastante distinto do nosso. E o SWU, talvez mire em um público semelhante, mas com uma proposta, line-up, local e estrutura  de custos completamente distintos. Em resumo essa comparação não pode ser feita de maneira direta. O importante é que quem comprou nossos ingressos vai reconhecer que valeu cada centavo.

 

Perguntas enviadas por Gabriel Diniz
Gabriel: Haverá transporte especial para o festival?
Leo: Haverá parceria com os meios de transporte público – metrô e ônibus. Em breve a organização do Lollapalooza divulgará as alternativas de transporte que facilitarão a chegada ao evento. O fã também poderá chegar ao evento de bike, pela ciclovia Rio Pinheiros, que ficará aberta nos dois dias de festival. Para os motoristas, teremos bolsões de estacionamento em shoppings com transporte de vans até o local.

Gabriel: Houve reclamações sobre o line-up do dia 08 pois a banda Foster the People e Skrillex tocariam no mesmo horário. Muitas pessoas não gostaram pois são duas bandas muito importantes daquele dia. Você sabe ou pode informar se haverá alteração?
Leo: Não haverá alteração. Fazer a grade é uma arte difícil e, infelizmente, pela grande quantidade de bandas que se apresentarão no festival, alguns fãs terão que fazer uma opção difícil em um ou outro horário. Mas essa é a sensação de estar em um grande festival: o line-up sempre nos faz ter a impressão de que estamos perdendo algo em algum momento. No final, você sempre fica com gosto de quero mais: e isso é bom!

NOTÍCIAS MAIS QUENTES no RESUMO DA SEMANA

Fique por dentro das notícias mais quentes do mundo da música, bem como dos lançamentos nacionais, ouvindo o Resumo da Semana, programa do Podcast Tenho Mais Discos Que Amigos!