Mallu Magalhães - Pitanga
 

Mallu Magalhães - Pitanga

Resenha por João Mateus, do blog O Musicófilo

A jovem Mallu Magalhães começou sua carreira de maneira precoce aos 15 anos de idade com a pressão de ser a grande revelação da música brasileira. Desde lá foram dois discos lançados, um em 2008 e outro em 2009, (ambos levam o nome da cantora como título) onde no primeiro Mallu mostrava a grande inflûencia exercida por artistas da música Folk americana como Bob Dylan e Johnny Cash em letras simples e infantis, e no segundo sua transição do universo americano para o da música brasileira, atuando um pouco de cada lado e mesclando temas infantis e adolescentes.

Agora em Pitanga, com 19 anos de idade e com letras mais maduras, a cantora e compositora mostra que a influência da música brasileira foi mais forte que a da estrangeira, em boa parte graças ao seu namoro com o integrante do Los Hermanos, Marcelo Camelo, que participou efetivamente da construção deste álbum como compositor, arranjador, instrumentista e produtor.

“Velha E Louca” abre o disco em um reggae leve de arranjo simples, onde se faz presente um dos instrumentos preferidos de Mallu em seu período Folk, o banjo, ao lado de uma bateria bem marcada e guitarras meio surf music. A letra de “Cena” lembra muito as canções dos Los Hermanos, e o instrumental da música contribui para fortalecer a impressão de ter sido composta pelo próprio Marcelo Camelo. A performance vocal de Mallu é extremamente controlada, sabendo até onde sua voz soa bem, evitando notas mais arriscadas como nos trabalhos anteriores.

“Sambinha Bom” marca a entrada definitiva da cantora na MPB com um belo arranjo que preza pela delicadeza instrumental, servindo muito bem ao clima da letra. “Olha Só, Moreno” é uma declaração de amor descarada ao seu companheiro e a métrica das estrofes e principalmente do refrão lembram muito a maneira com que Mallu cantava em seu primeiro disco: doce, ingênua e despretensiosa.

A quinta faixa do álbum, “Youhuhu”, é a primeira a ser cantada em Inglês, mas ainda assim conta com uma parte cantada em Português, e mistura Folk, Reggae e MPB em um arranjo simples e eficiente com uma bela frase melódica assoviada como solo. “Por Que Você Faz Assim Comigo?” é o ponto alto da expressão da maturidade da cantora, demonstrando com facilidade seus sentimentos em uma letra intensa que aponta novos rumos em seu trabalho como compositora.

Mallu Magalhães consegue mostrar em seu terceiro disco que a menina virou mulher, com base em faixas que apresentam uma consistência harmônica e melódica nunca antes vistas em seus trabalhos. Sem dúvida o namoro com uma pessoa mais velha e com uma experiência musical maior como Marcelo Camelo contribuíram muito para o aumento da qualidade do trabalho da cantora.