Criolo - Nó Na Orelha
 

Criolo - Nó Na Orelha

Resenha por João Mateus, de O Musicófilo

O rapper Criolo já está na estrada desde 1989, mas só chamou a atenção da mídia musical nacional em 2010 com a divulgação dos dois primeiros singles de seu novo disco. Seu álbum de estreia intitulado Ainda Há Tempo foi lançado em 2006, mas não teve nem um décimo da repercussão de Nó Na Orelha, lançado em Abril deste ano e com produção de Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral.

Neste disco Criolo abandona o “sobrenome” Doido, que o acompanhava há anos, e mostra que além de ser um grande rapper com influência no cenário nacional, sendo um dos criadores da Rinhas Dos MC’s, é também um ótimo cantor, já que nesse álbum se sente muito bem fazendo Rap e cantando em ritmos como Soul, Samba, Bolero e MPB.

“Bogotá” abre o disco em ritmo latino conduzido pela percussão e guitarra seguido por belas frases feitas por um naipe de metais que está presente em toda faixa com partes que fazem toda diferença. “Subirusdoistiozin” foi o primeiro single do álbum, escolha muito bem feita, pois a música é uma das melhores do disco e deixa clara a intenção de Criolo de misturar o Rap com outros estilos. O arranjo da faixa conta com a base tradicional do Rap feita por uma bateria eletrônica e adiciona instrumentos como piano, guitarra, baixo e trompete.

A melancólica “Não Existe Amor Em SP” é uma ode à maior cidade do país, falando da sua realidade cheia de diferenças e perigos conduzida por uma bela linha de Piano Rhodes tocada pelo produtor Daniel Ganjaman em um arranjo que ainda conta com um quarteto de cordas para embelezar ainda mais a música.

“Freguês Da Meia Noite” mostra Criolo como um cantor de Bolero brega acompanhado de um instrumental bem característico do gênero, enquanto em “Grajauex” o cantor/rapper volta às raízes falando de seu bairro natal com rimas rápidas e bem feitas, como se estivesse em uma batalha de MC’s.

“Samba Sambei”, apesar do nome, é um Reggae bem swingado e que mais uma vez mostra a versatilidade deste artista e “Linha De Frente” fecha o álbum com um samba de raiz que conta com todos os elementos desse gênero com cavaquinho, surdo e outros instrumentos de percussão característicos do ritmo.

O disco foi muito bem avaliado pela crítica musical, nacional e internacional, e ganhou os prêmios de Melhor Álbum, Música Do Ano (“Não Existe Amor Em SP”) e Artista Revelação no VMB 2011. Além disso o disco com certeza vai estar presente nas listas de Melhores Discos Nacionais de 2011 de diversos sites, blogs e em revistas como a Rolling Stone que já deu ao álbum 4/5 estrelas.

 
 
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