Bandas: Tio Bob e Richie Ramone + Mickey Leigh (Com Passa-Mal e Fernando Hound).

Acompanhado de Mickey Leigh, irmão do grandioso Joey Ramone, Richie Ramone honra sua ex-banda com um poderoso show!

Sexta-feira geladíssima em São Paulo e a noite roqueira estava prestes a rolar com mais um grande show gringo!

A Webrockers trouxe ao Brasil, para única apresentação na cidade, Richie Ramone, ex-baterista de “você-sabe-que-banda” e Mickey Leigh, irmão do grande Joey Ramone, juntos no projeto “Joey Ramone Friends” na Clash Club. Além deles, a festa contou ainda com a apresentação da banda paulistana de bubblegum, Tio Bob.

O show marcou, também, a inauguração da loja “Joey Ramone Place” em Copacabana no Rio de Janeiro, onde os fãs podem adquirir ítens do ídolo bem como ítens oficiais dos Ramones.

TIO BOB


Às 20h30, com cerca de meia hora de atraso, os bubblegummers da banda Tio Bob sobem ao palco da Clash Club.

O agora quinteto formado por Douglas na guitarra, Bruno no vocal, Tchesco na bateria, Rafael no baixo e Thiago (ex-Conxhas) na guitarra, iniciou os trabalhos da noite já na pegada, com o som “Pecado Original”, sendo seguinda por “Tchesca” (som que eu sempre me perguntei se tem algo a ver com o batera…) e a conhecida “Motel Barato” com seu refrão grudento.

A banda demonstrava um pouco de nervosismo durante a apresentação, também, não deve ser nada fácil abrir ao show de um cara que carrega o nome RAMONE consigo, não? Bem compreensível!


Após, mandaram os sons “Pirado” e “Porre!” esta última também com uma pegada bem legal e de refrão fácil de cantar, que é uma forte característica da banda. Então, era a hora do primeiro cover da noite e mandaram “Bonita” do Raimundos, grande banda brasileira, mas infelizmente houve um pequeno problema na bateria e tiveram que cortar o som. No entanto, nada que tirasse a vontade da banda.


Os rapazes mandaram mais sons próprios como a balada “Meu Brotinho”, “Las Vegas” e a grande “Estilo Jece Valadão” que, particularmente, é uma das mais legais da banda, outra canção com refrão grudento! Aconteceram mais alguns pequenos problemas técnicos e a banda fechou os sons próprios com “Elvis do Subúbrio”.


Recado dado com os sons próprios e a banda resolveu mandar um último cover para fechar a sua apresentação, escolhendo sabiamente “Last Caress” dos gloriosos “Misfits”, grande influência dos caras! Finalizada a gig, era a hora de deixar o palco pronto para a apresentação de Richie Ramone e Mickey Leigh!

Set-List:

1. Pecado Original
2. Tchesca
3. Motel Barato
4. Pirado
5. Porre!
6. Bonita (Raimundos)
7. Meu Brotinho
8. Las Vegas
9. Estilo Jece Valadão
10. Elvis do Subúrbio
11. I Turned Into a Martian (Misfits)
12. Last Caress (Misfits)

RICHIE RAMONE + MICKEY LEIGH

Antes de comentar o show, um pouco de história para vocês entenderem quem é quem na dupla gringa:

Richie Ramone


O baterista, nascido em 1956, foi o responsável pelas baquetas dos Ramones por cinco anos, tendo gravado os seguintes álbuns: “Too Tough To Die”, “Animal Boy” e “Halfway To Sanity”, embora tenha entrado na banda em 1982, na época de lançamento do álbum “Subterranean Jungle”.

Richie, em sua época na banda, compos algumas canções para a banda como, “Smash You,” Humankind,” “Somebody Put Something in My Drink,” “I’m Not Jesus,” “I Know Better Now” e “(You) Can’t Say Anything Nice,” esta no vocal principal, mas a faixa foi lançada como b-side, apenas. Além disto, foi o único baterista que chegou a dividir vocais com Joey e Dee Dee em canções como “Chasing the Night” e “Wart Hog”.

Em Agosto de 1987, Richie saiu da banda alegando “desentendimentos por dinheiro”, segundo o mesmo, o lucro das vendas de camisetas da banda não estava sendo dividido igualmente entre os quatro membros, sendo que a atividade gerava muita grana, realmente. Marky Ramone voltou para o grupo após uma passagem mais do que relâmpago de Elvis Ramone (ou Clem Burke, do Blondie) nas baquetas.

Richie foi o baterista que, segundo muitos, deu um toque mais “hardcore” para a banda. Quer um exemplo? Escute a faixa “Animal Boy”. A bateria desta canção pode ser utilizada facilmente em 90% das canções de uma banda como o NOFX, por exemplo. Certeza que o Smelly (baterista do NOFX) bebeu muito na fonte não só dos Ramones, mas principalmente na de Richie!

Mickey Leigh

Mickey Leigh nasceu em 1954 e foi criado no Queens em Forest Hills, NYC. O irmão mais novo de Joey Ramone começou cedíssimo sua carreira musical, quando já ao s dez anos de idade formou a sua primeira banda, “The Overdose Of Sound”. Mas, só chegou a gravar material próprio com a sua segunda banda já aos doze anos de idade, a Purple Majesty (tendo seu irmão como produtor, e chegou a fazer shows em alguns clubes do Greenwich Village em Manhattan.

Com 14 anos, Mickey tocava em uma banda com John Cummings e Tommy Erdelyi. (John, Tommy, o vizinho Doug Colvin e o seu talentoso irmão Jeff, se tornaram anos depois, Johnny, Tommy e Joey Ramone, formando os formidáveis Ramones). Mickey chegou a ser roadie dos Ramones por alguns anos.

Outras bandas nas quais Mickey tocou são “Birdland”, formada com o famosíssimo jornalista de rock Lester Bangs, The Rattlers, Crown The Good e STOP. Esta última, com possibilidades de voltar à ativa com relançamento do primeiro CD e gravação de material novo.

Mickey escreveu, dentre outros projetos, o seu primeiro livro, “I Slept with Joey Ramone (A Family Memoir)” lançado em Dezembro do ano passado e que conta, obviamente, sua vida e os anos que passou ao lado de seu irmão. Além disto, desde a morte de Joey em 2001, ele produz o festival anual “The Joey Ramone Birthday Bash”, evento sem fins lucrativos que celebra a vida e trabalho de seu irmão. Ainda, é fundador/diretor da instituição “The Joey Ramone Foundation for Lymphoma Research”.

O SHOW!


Finalmente é chegada a hora de mais um ex-Ramone pisar, novamente, em um palco brasileiro. Richie (que já havia estado no Brasil em 1987 na primeira vez que o Ramones veio à América do Sul) chegou acompanhado de Mickey Leigh, seu parceiro em várias gigs com canções de Ramones, projeto este que chamam de “Joey Ramone Friends”, o mesmo que estávamos prestes a presenciar. A dupla teve, como banda de apoio, os ramoníacos Passa-Mal (da banda Lomba Raivosa!) e Fernando Hound (da banda Fox Hound). Em algumas canções, Ítalo Hound (membro das duas bandas citadas acima), assumiu as baquetas e foi com esta formação que o show começou!

Ao sonoro “1, 2, 3, 4!” O trio toca, logo de cara, o clássico dos clássicos ramoníacos, “Blitzkrieg Bop” com Passa-Mal e Fernando Hound dividindo os vocais e nesta canção houve um pequeno ajuste de última hora no volume do palco.


Acabada a performance, entra no palco Richie Ramone, com os braços para cima e com cara de visível animação, o ex-batera dos punks nova-iorquinos assume os vocais em “You’re Gonna Kill That Girl” demonstrando não ter perdido o pique após anos e anos fora da banda.


A próxima canção a ser executada foi “(You) Can’t Say Anything Nice”, surpresa no set por se tratar de um b-side dos Ramones, ou seja, som para quem é fã da banda mesmo. Após a canção, Richie é bastante assediado no palco e ouve alguém na platéia pedir para ele tocar bateria. O mesmo, cara de ironia responde, “Mas, eu nem toco mais bateria!” E com esta deixa, a banda emenda um dos grandes sons do Ramones e de autoria de Richie, “Somebody Put Something in My Drink” que contou com participação de Wivi da banda RAMONA, grupo brasileiro que presta tributo ao quarteto do Queens.



Finalizada a canção, eis que Richie anuncia que finalmente tomaria controle das baquetas no show da noite, deixando o posto de vocalista para Mickey Leigh! E eis que o irmão de Joey Ramone entra no palco da Clash Club fazendo vir à memória de todos o grande vocalista que nos deixou em 2001.


A semelhança entre Mickey e Joey é tanta que, em alguns momentos, não somente pela voz, mas também pela sua fisionomia, dá-se a impressão de que Joey está no palco e com esta imagem ele, sozinho, começa a tocar a canção “Something To Believe In”, do álbum “Animal Boy”, contando com a banda entrando no meio do som, com tudo!

Outra surpresa do set-list foi “I Want You Around”, canção que foi cantada pela grande maioria na casa, com destaque para o refrão bem marcado! “I Wanna Have Something to Do” seguiu, sendo sempre uma boa canção nos sets de shows do Ramones e a galera entoava junta, “Hey! Now! Hey Now!” dando um toque bem especial ao show.

Demonstrando empolçação e até incredulidade em estar no mesmo palco de um ex-Ramone, Passa Mal e Fernando Hound seguravam bem as canções que eram tocadas nas versões que foram gravadas originalmente. Em alguns momentos tinha-se a impressão de que a banda ia acelerar um pouco, talvez pela pegada mais rápida da banda ao vivo, mas foi interessante ver estas canções todas sendo tocadas da maneira “original” e os gringos pareciam bem contentes com o resultado!


A trinca “Bonzo Goes To Bitburgh”, “Rock & Roll High School” e “Rockaway Beach” seguiu com o show dando um belo toque de energia na apresentação, com destaque para “Bonzo…” que, com Richie na bateria, não poderia faltar no set! Quem é fã da banda mesmo sabe do que estou falando.


Ao final de “Rockaway Beach”, Mickey empunha a guitarra novamente e começa as harmonias e acordes da música que, para mim, foi a maior surpresa do set. “Danny Says”, uma das canções mais belas escritas com participação de Joey era a “bola da vez” e foi um momento muito legal do show, mais uma vez com a grande maioria da platéia cantando junto com a banda e como se não fosse o bastante, “Life’s a Gas”, talvez a canção que mais relembre Joey, foi a próxima, emocionando não somente às pessoas que foram ver ao show, mas principalmente a banda no palco, era só olhar no rosto de cada um deles ali em cima enquanto tocavam a canção em sinal de respeito a Joey.

Agitando um pouco mais a apresentação, antes do BIS, mandaram a famosa “Sheena Is a Punk Rocker”, com Mickey perguntando, “Vocês sabe quem é uma punk rocker?” Canção sempre eficaz, não há o que dizer aqui.

Fizeram um mini-break e voltaram para o BIS com mais duas canções, sendo a primeira “I Wanna Be Sedated”, uma das mais legais do Ramones e a última, “What a Wonderful World”, faixa que Joey gravou uma versão em seu primeiro CD solo e que contou com uma bela homenagem de Mickey ao seu irmão, dando um beijo para cima e dizendo: “Esta é para você. Eu te amo, meu irmão!” Galera ensandecida, cantando junto e com enormes sorrisos nos rostos, assim como a banda em cima do palco.

Homenagem justa com um show curto e certeiro, esta foi a proposta da dupla e atingiram o seu objetivo. Após esta apresentação, Richie atendeu a alguns fãs distribuindo autógrafos e fotografias, parecendo bem simpático, apesar do semblante de cansaço.

Após o show, Richie atendeu a alguns fãs distribuindo autógrafos e fotografias parecendo bem simpático e apesar do semblante de cansaço, parecia também satisfeito com a apresentação que se repetiria no Rio de Janeiro, no dia seguinte.

Set-List (Para conferir alguns vídeos, clique nas músicas “linkadas”):
1.   Blitzkrieg Bop
2.   You’re Gonna Kill That Girl
3.   (You) Can’t Say Anything Nice
4.   Somebody Put Something In My Drink
5.   Something to Believe In
6.   I  Want You Around
7.   I Just Wanna Have Something To Do
8.   Bonzo Goes To Bitburgh
9.   Rock & Roll High School
10. Rockaway Beach
11. Life’s A Gas
12. Danny Says
13. Sheena Is A Punk Rocker

Bis:
14. I Wanna be Sedated
15. What a Wonderful World

O ano de 2010 contará ainda com a volta de outros dois ex-integrantes dos Ramones.

CJ Ramone com seu projeto solo, provavelmente, o mesmo que veio ao Brasil no ano passado e de Marky Ramone, desta vez com o seu projeto “Blitzkrieg!” onde toca os clássicos da banda tendo os vocais comandados por Michale Graves (Ex-Misfits). Agora, é aguardar e torcer para que os shows sejam tão bons quanto este! Mais uma bola dentro da Webrockers!

Resenha por: Tércio Testa
Fotos por: Todas as fotos por Talita Hi-Fi, com exceção onde indicado.

Informações sobre Richie Ramone retiradas de seu capítulo no website Wikipedia.org.

Informações sobre Mickey Leigh retiradas de seu website oficial: http://www.mickeyleigh.com

Conheça as bandas deste show:

Tio Bob: MySpace

Ouça o novo álbum do Melim!  
 
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