E diremos mais uma vez: este foi o ano da nostalgia!

2019 viu várias reuniões de banda, retornos inimagináveis, turnês comemorativas e, é claro, muitas covers sensacionais. Após selecionarmos as 10 melhores releituras internacionais feitas no ano, chegou a vez de focarmos no Brasil!

Com novas versões para clássicos da nossa música, para nem tão clássicos assim e até para canções gringas, confira abaixo o que rolou de melhor no Brasil de 2019 quando o assunto são covers.

Se você acha que deixamos alguma boa para trás, diga nos comentários.

 

10 – “Zé do Caroço”, de Anitta e Jetlag (cover de Leci Brandão)

O samba “Zé do Caroço“, originalmente gravado por Leci Brandão, atravessou gerações na música brasileira. Baseado em um personagem da vida real, Zé foi cantado por diversos artistas, e os mais recentes a prestar homenagem foram Anitta e a dupla de DJs Jetlag.

Dando uma ambientação eletrônica à canção, a releitura pode se tornar a responsável por apresentar o querido personagem para uma nova geração, já familiarizada com esse estilo musical.

Falamos um pouco mais sobre a história desse hit aqui.

 

9 – “Senhas”, de Baco Exu do Blues (cover de Adriana Calcanhoto)

Adriana Calcanhoto está mais viva do que nunca. Além de ter lançado este ano seu novo disco Margem, a cantora foi homenageada várias vezes pelos mais diversos artistas.

A banda de Niterói ROSABEGE fez, em seu disco de estreia Imagem, uma cover de “Seu Pensamento“. Enquanto isso, mibbi (projeto do produtor musical Felipe Feffer) abusou da experimentação em uma criativa versão do hit “Devolva-me“. Mas não para por aí, não! Vários artistas se juntaram em um conjunto de covers de canções de Adriana, em uma coletânea intitulada Nada Ficou no Lugar. O disco conta com participações de nomes como Johnny Hooker, Mahmundi, Ava Rocha, Larissa Luz e mais, em ótimas covers.

Vamos dar destaque a um dos frutos deste disco: “Senhas“, na interpretação de Baco Exu do Blues. Primeiramente, uma releitura hip hip de uma canção MPB realmente chama a atenção. Em segundo lugar, o discurso cantado por Adriana na canção original, que deu nome a seu segundo disco de estúdio (de 1992), encaixou muito bem na leitura do rapper baiano, que imprimiu com maestria a sua agressividade e seu estilo à letra.

Compare:

 

8 – “Medo Bobo”, de Rubel (cover de Maiara & Maraísa)

O hit “Medo Bobo“, da dupla sertaneja Maiara & Maraísa, foi certamente um dos maiores sucessos dos anos de 2015 e 2016. Em meio a uma chuva de canções sobre festas e flertes, a delicada música banhou rádios do país inteiro com sua melodia contagiante, letra chiclete e bela performance vocal por parte das irmãs.

Três anos depois, o cantor Rubel resolveu revivê-la, imprimindo sua própria estética musical na canção. O resultado foi uma cover suave, que manteve a atmosfera romântica da faixa original através de um belo arranjo.

Quando você achava que finalmente conseguiu esquecer o refrão desse hit, eis que Rubel chegar para colocar novamente na sua cabeça o épico trecho “TANTO AMOR GUARDAADO TAANTO TEEEEMPO”.

 

7 – “Alô Alô Marciano”, de Illy (cover de Elis Regina)

Por falar em discos de homenagem, um dos projetos da cantora Illy para 2020 é lançar um disco de releituras de clássicos que ficaram famosos na voz de Elis Regina.

Os primeiros passos já foram dados, já que a cantora já imprimiu suas características musicais em duas canções. Além do hit “Fascinação”, Illy já lançou este ano sua versão  para “Alô Alô Marciano“, composição da dupla Rita Lee e Roberto de Carvalho.

Através de um arranjo elaborado desenvolvido a partir da faixa original, a cantora fez até videoclipe para divulgar a cover. Além do mais, conseguimos facilmente nos conectar à atemporalidade de versos como “Pra variar, estamos em guerra” e “A crise tá virando zona”.

Te Adorando Pelo Avesso, como será chamado o disco, estará disponível ainda no primeiro semestre de 2020.

 

6 – “Motor”, de Pitty (cover de Maglore)

Adriana Calcanhoto não foi a única constante no mundo recente das covers nacionais. Curiosamente, tanto Pitty quanto Gal Costa gravaram versões próprias da canção “Motor“, originalmente lançada pelo grupo baiano Maglore em 2013.

Enquanto Gal incorpora sua versão em seus shows mais recentes, tendo lançado até videoclipe oficial ao vivo, ficaremos com a versão da outra artista conterrânea ao compositor Teago Oliveira. Parte do repertório do disco Matriz, a releitura procurou manter a estética da faixa original.

Cá temos uma grande homenagem à rica produção baiana, que sempre apresenta talentosos nomes musicais ao Brasil. Viva Pitty! Viva Teago Oliveira! Viva a Bahia!

 

5 – “Mineirinho”, da Sound Bullet (cover de Só Pra Contrariar)

Amantes de pagode dos anos 90, uni-vos!

Um dos hits lançados pelo grupo Só Pra Contrariar em 1997, “Mineirinho” ganhou uma nova versão sob a criatividade do grupo carioca Sound Bullet. Menos “pagode” e mais “indie”, a releitura surpreendeu ao dar uma atmosfera mais intimista (e ao mesmo tempo divertida) para esse “cartão de visitas” de Minas Gerais.

Em tempo: a capa, com um pão de queijo no interior de uma espécie de polígono nada simétrico, ficou genial!

 

4 – “Comportamento Geral”, de Elza Soares (cover de Gonzaguinha)

A sempre poderosa Elza Soares fez barulho em 2019 com o lançamento de seu novo álbum Planeta Fome. Além das inéditas, o disco conta com duas releituras interessantíssimas que merecem ser destacadas.

Uma delas é uma nova interpretação de “Não Recomendado“, talvez uma das canções de pauta social mais importante da década, originalmente gravada por Caio Prado. No entanto, vamos ficar aqui com a cover de “Comportamento Geral“, composição de Gonzaguinha. A canção chegou a ser censurada durante a ditadura militar, que via no compositor uma postura crítica ao regime.

Além da importante pauta social (que vem sendo ressaltada por diversos artistas nos últimos anos), a cover também atribui uma nova estética à música, com arranjos que a aproximam desta recente fase da carreira de Elza.

 

3 – “Hurricane”, do Vanguart (cover de Bob Dylan)

Saindo dos limites do Brasil, a banda Vanguart resolveu prestar homenagem a Bob Dylan, um dos nomes mais influentes da história da música mundial contemporânea.

Na verdade, a banda sempre teve muita influência no trabalho do lendário compositor. Isso desencadeou no disco Vanguart Sings Bob Dylan, com 16 faixas conhecidas originalmente na voz de Bob. Dada a influência, gravar esses clássicos soou muito natural. Quem não conhece essas pérolas da música mundial, facilmente poderia entender o disco como um novo rumo nas composições autorais do Vanguart.

Para sintetizar, escolhemos a cover de “Hurricane” para colocarmos nesta terceira posição. Com ótima execução instrumental e vocal, é uma versão que Dylan certamente deve aplaudir de pé.

 

2 – “Dois Rios”, de Anavitória (cover de Nando Reis)

Nando Reis é um dos compositores mais cultuados atualmente na música brasileira. Com uma carreira marcada por vários hits, seja em grupo ou solo, Nando nunca decepciona.

Não à toa, ele é uma das principais influências para o duo Anavitória, um dos mais celebrados em termos comerciais no Brasil atual. Após dois discos de estúdio, a dupla concentrou parte de seu 2019 no lançamento do disco N, uma celebração ao legado de Nando.

Dentre todas as faixas do disco, vamos destacar a releitura de “Dois Rios”. A canção ficou marcada pela interpretação da banda Skank, mas agora ganhou uma versão incrível na voz das meninas. O resultado soou ainda mais tropical, intimista e sereno.

Vale lembrar que a parceria entre a dupla e Nando não é de ontem. Além de as Anavitória já terem homenageado o compositor anteriormente no programa Versões, do Canal Bis, eles já fizeram shows juntos. No ano passado, lançaram em parceria o single “N“.

 

1 – “Lithium”, de Lúcio Maia (cover de Nirvana)

É tecnicamente impossível uma banda de rock não ter o mínimo respeito pelo legado do Nirvana. A banda que revolucionou o cenário nos anos 90 foram serve como inspiração tanto para grupos que nasceram naquela época quando para grupos que surgem hoje. Ultrapassando fronteiras, o grupo de Kurt Cobain também plantou sementinhas na cabeça de muito músico brasileiro.

Lúcio Maia, conhecido por seu trabalho como guitarrista da banda Nação Zumbi, certamente não esconde a paixão por Nirvana. Este ano, ele lançou seu homônimo disco de estreia solo e, após sete belíssimas canções instrumentais fortemente inspiradas pela música latina, eis que nos deparamos com algumas notas familiares para qualquer fã de rock. Sim, a faixa final do disco é, na verdade, uma releitura (também instrumental) de “Lithium“, single do atemporal Nevermind (1991).

Lotada de criatividade, a versão nos remete, simultaneamente, a uma praia caribenha e a algum show clássico do Nirvana. É dançante, sensual e instigante, já que sabemos quais serão as notas seguintes.