Xavier Rudd
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Por Nathália Pandeló Corrêa

Os brasileiros podem ter ouvido falar de Xavier Rudd pela primeira vez quando ele despontou, lá no começo dos anos 2000, com uma leva de cantores que mesclavam influências do rock, do reggae, do blues e uma boa dose de surf. Esses artistas encontraram um público fiel até hoje ao redor do mundo, inclusive aqui no Brasil, que tem recebido com frequência turnês de nomes como Jack Johnson e Donavon Frankenreiter. Rudd passou pelo país novamente com dois shows pelo Popload Gig, em Porto Alegre e Curitiba, mostrando a sua própria interpretação dessa sonoridade múltipla, indo do indie folk à eletrônica, com influências de música havaiana e aborígene.

Ao longo de nove álbuns de estúdio e oito discos ao vivo, suas canções e apresentações provocam discussões que envolvem ambientalismo, veganismo e a situação dos povos nativos de sua terra natal, a Austrália. Um multi instrumentista que se reveza entre gaita, guitarra, violão, banjo, percussão e didgeridoo, Xavier Rudd trilhou um caminho mais minimalista em Storm Boy, mesclando um som já familiar com novos elementos. Rudd trouxe o produtor Chris Bond (Ben Howard, Tom Speight) para dar forma às letras filosóficas e melodias ao mesmo tempo delicadas e complexas.

Antes de ir embora do Brasil, o artista conversou com o Tenho Mais Discos Que Amigos! sobre o atual momento na carreira, o disco mais recente e a pauta ambiental. Confira abaixo:

TMDQA!: Oi Xavier, obrigada por seu tempo! Quero falar sobre Storm Boy. Sinto que esse disco trouxe um lado mais pop para a sua música, que já é muito diversa e se espalha por muitos gêneros. Apesar do título, ele é um trabalho bem solar e tranquilo! Essa contradição foi intencional quando você começou a gravar?

Xavier Rudd: Na verdade… não! Foi só assim que as coisas aconteceram. Todo disco pra mim é uma experiência diferente, mas eu não tento deixá-los diferentes. Nesse caso, foi só a forma como o gravamos, sabe? Que foi uma experiência muito tranquila mesmo, então talvez seja por isso.

TMDQA!: Já nos discos ao vivo, as músicas crescem muito, os arranjos ficam mais pesados, são muitos instrumentos no palco. Como o Storm Boy se traduz ao vivo na hora de encaixar com outros momentos da sua discografia, que é bem extensa?

Xavier: Funciona bem! Digo, as canções não são estáticas. Eu penso cada disco como um registro de um momento no espaço-tempo, sabe? E aí depois desse registro, as músicas continuam a evoluir, a mudar todos os dias. E por isso no show elas ficam bem diferentes do que estão no disco, a gente vai mudando bastante.

TMDQA!: É isso que deixa divertido, certo?

Xavier: Ah, com certeza!

TMDQA!: Até porque dá pra dizer que você está nessa há uns 20 anos, se contar só seus discos — eu já te ouço há pelo menos uns 15 desse período, sei que é bastante tempo. Quando você olha pra trás, o que fica de aprendizado valioso que você teve ao longo do caminho?

Xavier: Bom, eu penso que estamos sempre aprendendo, crescendo, caindo e levantando. Alguns dias são bons, outros são ruins e é assim que a vida funciona. Todos nós viemos de uma longa linhagem de lutas. Para que conseguíssemos estar aqui hoje, devemos muito a quem veio antes de nós. E estamos aqui como resultado das lições que aprendemos no caminho. Eu diria que a maior delas é o amor. Esse é o remédio mais poderoso no planeta. Pode ser usado para se chegar à verdade, pode mudar as circunstâncias da vida de alguém, trazer felicidade, acolhimento, sensação de segurança. E quando estamos de coração partido, temos que olhar pra dentro de nós e procurar pelo amor. O que aprendi é que essa é a melhor solução diante de qualquer momento de dificuldade que alguém pode passar na vida.

TMDQA!: Você tem uma conexão com a natureza e o meio ambiente que é palpável na sua música e clipes. Esse ano, as mudanças climáticas e a agenda ambiental se tornaram assuntos ainda mais centrais ao redor do mundo, inclusive aqui no Brasil. Sem ter a preocupação de dar sermão, a música tem um papel nesse debate? E ele mudou ao longo do tempo, dá pra dizer que agora está mais urgente?

Xavier: Sim, só que essa preocupação de não dar lição de moral já ficou no passado. Nós temos que dar esse sermão mesmo, fazer a mensagem chegar às pessoas. Muitas vezes, o que elas vão ouvir são pessoas como eu e você, que têm uma plataforma para se comunicar e falar sobre isso. Então eu acho que temos colocar esse assunto cada vez mais forte, porque ele é o mais importante que precisamos debater hoje em dia.

TMDQA!: Ainda falando de natureza, sei que você surfa. Vai conseguir pegar umas ondas aqui no Brasil?

Xavier: Infelizmente, não vou ter tempo! Adoraria, mas amanhã cedo já estamos indo pro Chile. Vou ter que esperar a próxima vez que viermos.

TMDQA!: Só pra encerrar, a gente sempre gosta de terminar as entrevistas falando de música de forma geral. O nome do site tem muito a ver com a presença da música nas nossas vidas, então queria saber qual disco foi o seu grande companheiro na vida, nos bons e maus momentos?

Xavier: (Longa pausa) Talvez… “Unpolished”, do Midnite.

TMDQA!: E por que esse disco?

Xavier: Não sei! Ele sempre esteve presente pra mim.

TMDQA!: Às vezes essas coisas não têm muita explicação, né?

Xavier: Verdade!

TMDQA!: Bom, Xavier, espero que tenha se divertido aqui no Brasil e que volte novamente.

Xavier: Obrigado!

 
 
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