Em 2 de novembro de 1989, pela Epitaph Records, o Bad Religion lançava o seu quarto disco, No Control, com letras sociais e políticas, dando um grito contra tudo, contra quase todos, marcando de vez o nome da banda entre os pilares do Punk Rock mundial.

Na época formado por Greg Graffin (Vocal), Brett Gurewitz (Guitarra), Greg Hetson (Guitarra), Jay Bentley (Baixo) e Pete Finestone (Bateria), o Bad Religion já era uma banda com uma década de atividades e uma notável qualidade diferenciada em seus discursos e melodias, entre todas as bandas da enxurrada Punk, principalmente nos Estados Unidos.

A urgência de No Control surgiu no movimentado ano de 89 em que alguns acontecimentos definitivamente mudariam os rumos do planeta.

Os Estados Unidos, sob o governo de George Bush, em acordo com o governo soviético e Mikhail Gorbachev, anunciaram o fim da Guerra Fria. A queda do Muro de Berlim, que ocorreu uma semana após o lançamento, o atentado ao voo da empresa Avianca, liderado por Pablo Escobar, que mostrava de vez ao mundo as garras do inimigo número um dos Estados Unidos, na época, e até fatos históricos, como o bicentenário da Tomada da Bastilha na França e o centenário de Hitler, deixaram o mundo político e social em ebulição.

Tudo isso foi um prato cheio para Greg Graffin e Brett Gurewitz, que escreveram todos as músicas do disco, mantendo afiada a mensagem que o Bad Religion já tinha e levou ao longo da carreira.

Ao longo de apenas 26 minutos, No Control tratava das necessidades de mudança, da desordem humanitária crescente, do modelo do homem moderno, do progresso do planeta como sociedade e outros temas, que na década de 80 eram motivos de alerta e que se tornaram, atualmente, grandes problemas de saúde, como a ansiedade.

“Change Of Ideas”, que abre o disco com menos de um minuto de duração, já resumia tudo no primeiro e único refrão, gritando por mudanças imediatas, ao mesmo que tempo que “No Control” mostrava a preocupação com o descontrole social em que nos encontrávamos.

O homem cada vez mais robótico e escravo de tudo que ele mesmo criou para facilitar a própria vida, em “Automatic Man”, a ironia inteligente, com alfinetadas nas religiões, de “I Want The Conquer The World” e clássicos como “Sanity”, que questiona o que era o suficiente para uma sanidade mental, traziam temas que se fossem lançados no ano de 2019, fariam o mesmo sentido.

Olhando para No Control 30 anos depois, “Anxiety” chama atenção, ao tratar da ansiedade como um perigo constante, seja ela no amor, na dor, até chegar numa sociedade construída, ou dominada, totalmente em cima desse sentimento que destrói, mas move o homem comum, segundo a ideia da letra escrita de forma brilhante por Greg Graffin.

Vale ressaltar que ainda era um tempo em que não existiam smartphones e a internet ainda não havia dominado por completo as nossas vidas.

O Bad Religion sempre falou de tudo que estava no presente, com um olho meticulosamente mirando no futuro, mostrando que tudo que vivemos é pura consequência dos nossos feitos no passado, seja o passado um dia anterior, uma década ou os tempos dos nossos ancestrais.

Em recente passagem pelo Brasil, a banda mostrou, mais uma vez, o porquê dos seus clássicos não envelhecerem e que os discursos mostrados nos discos atuais merecem nossa atenção, pois no futuro, com certeza, esses temas ainda serão frutos de preocupação e de debates por um mundo melhor.