Flea, do Red Hot Chili Peppers, na Alemanha em 2016
Foto de Flea via Shutterstock
 

Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, lançou nesta terça-feira, dia 5, sua autobiografia intitulada “Acid For The Children”. No livro o músico relembra seu histórico com as drogas, fala sobre sua relação com a família e os membros da banda, e revela até que já viveu experiências homossexuais na infância.

O jornal americano The Guardian publicou que Flea até pensou em escrever especificamente sobre a banda, mas que no fim decidiu reviver sua vida antes da fama, tanto que o livro termina quando os Chili Peppers fazem sua primeira apresentação ao vivo.

A infância

A primeira parte da obra dividida em capítulos breves conta sobre a infância de Michael Peter Balzary, nome verdadeiro de Flea, ainda na Austrália, onde nasceu. Ele relembra os cinco primeiros anos de vida no país com a família “realmente seguindo as regras da década de 50”.

Já nos Estados Unidos, ao sete anos, teve que lidar com a separação dos pais e o segundo casamento de sua mãe com um homem que ele pinta como desleixado, estranho e violento. Ele era Walter Urban Jr., que colocou a nova família para morar no porão da casa da mãe em Nova York, mas foi o responsável por despertar em Flea o desejo da música, já que frequentemente se juntava com os amigos em casa para tocar jazz.

Após anos na Costa Leste dos EUA, a família se mudou para as “partes sombrias” de Hollywood, e com apenas 11 anos de idade sem supervisão da mãe e do padrasto, Flea começou a fumar maconha todo dia, tanto que a capa do livro mostra uma foto sua fumando um baseado com apenas 12 anos de idade. Foi nessa época, inclusive, que por conta do seu físico magrelo o baixista ganhou o apelido de Flea, ou “Pulga”.

Por outro lado, foi ele também que num Halloween ficou conhecido como um lunático que saiu pela rua atirando aleatoriamente. Um trecho do livro descreve a noite em que as crianças todas do bairro estavam brincando, até que o desespero tomou conta do lugar e só se viam pessoas correndo e tentando se abrigar num local seguro. Ao chegar em casa, Flea se deparou com o padrasto sujo de sangue ao lado de uma pistola, as janelas todas destruídas e os vidros jogados pelo jardim. “Foi aterrorizante e vergonhoso”, relembra.

Flea e suas experiências gays

Depois de ter um beijo negado por seu pai biológico aos seis anos, Flea resolveu que queria quebrar os estereótipos de sexualidade, tanto que o Red Hot Chili Peppers posou para uma revista pornô gay chamada “In Touch”.

O baixista revela que teve experiências homossexuais e até escreveu bastante a respeio delas, porém resolveu deixar as passagens de fora do livro por achar que elas não representam quem ele realmente é e para não soar sensacionalista. “Eu não sou gay. Não é realmente a minha história,” afirma. Hoje ele entende que o episódio “não foi grande coisa” e que é natural experimentar situações como essa.

Sobre a influência do padrasto, ele ainda disse:

Quando eu o vi com seus amigos na sala de estar tocando bebop com tanta emoção e força física, aquilo mudou a minha vida para sempre.

Segundo a matéria, foi a combinação do poder da música com a personalidade rebelde de Flea que fizeram com que o Red Hot Chili Peppers adotasse uma postura parecida, inclusive com o lance de tocar sem roupa em diversas ocasiões, mesmo depois da fama: “Eu cresci correndo por aí pelado. Há uma liberdade natural nisso, uma rebelião que eu acho bela,” disse o músico.

Red Hot Chili Peppers

Flea admite que Anthony Kiedis o censurou minimamente na escrita do livro com a intenção de mostrar apenas seu lado bom. O vocalista do Chili Peppers é chamado de controlador por ele que, ao mesmo tempo, imprime uma imagem de respeito imbatível pelo companheiro.

Ele conta sobre as maiores loucuras que eles fizeram juntos, define como dolorosa, assustadora e triste a fase em que o amigo se viciou em drogas, e interpreta que Anthony não entende que eles sejam diferentes. “Ele não aceita que coisas que me excitam talvez não o excitem”, desabafa.

A necessidade de aprovação que Flea sente em relação ao amigo também é assunto da autobiografia. Ele garante, porém, que Anthony não leu a obra, assim como ele também não fez em 2004, quando foi lançada a autobiografia de Kiedis, intitulada Scar Tissue.

Um dos momentos mais emocionantes do livro é quando Flea escreve sobre Slovak, antigo guitarrista do grupo que morreu aos 26 anos de idade pelo vício em heroína. Ele se sente um pouco culpado pela partida do amigo e fala sobre a experiência de ver tudo de perto, querer ajudar, mas não saber exatamente como. O trabalho foi dedicado a ele.

     
 
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