Bon Jovi e Phil X
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Por Nathália Pandeló Corrêa

Ninguém pode dizer que o Bon Jovi não trabalha pesado. Caminhando para um total de 3 mil shows em turnês ainda muito lucrativas, o grupo atualmente formado por Jon, David Bryan, Tico Torres, Hugh McDonald e Phil X vai somar a essa conta com seu retorno ao Brasil. A turnê do disco This House is Not For Sale (2017) chega ao país para dois shows já esgotados – no Allianz Parque, em São Paulo (25/09), e no Rock in Rio (29/09) – e outros dois em Recife (22/09) e Curitiba (27/09).

Phil X é o membro mais recente, tendo se juntado ao Bon Jovi com a saída do emblemático guitarrista Richie Sambora, em 2014. Em 2016, ele foi anunciado oficialmente como integrante, pegando já o nascimento do disco mais recente, com o qual circulam há mais de dois anos por arenas do mundo todo. São 120 milhões de discos vendidos e turnês que os levaram a mais de 50 países para cerca de 35 milhões de fãs.

É um legado que tem como cereja do bolo a entrada no Rock & Roll Hall of Fame, no ano passado, incluindo os ex-membros Sambora e Alec John Such. Phil X não está nessa lista, mas coleciona por si só um currículo impressionante. Como renomado guitarrista de estúdio, gravou de Rob Zombie a Kelly Clarkson, de Chris Cornell a Adam Lambert, de Alice Cooper a Avril Lavigne.

Essa expertise é útil quando se é convidado a integrar uma das bandas da sua vida. Parece fanfic, mas aconteceu de verdade com Phil, que volta ao Brasil para os quatro shows com o Bon Jovi e workshops de guitarra em São Paulo (24/09, no Manifesto Bar) e no Rio (30/09, no Teatro Prudential). O músico aproveitou esse retorno para conversar com o TMDQA! por telefone sobre construir um legado com o Bon Jovi após sua entrada, as turnês extensas e o que torna o Brasil único nessas viagens.

TMDQA!: Parece que foi ontem que você foi anunciado como o guitarrista que acompanharia o Bon Jovi ao vivo. Claro que você tinha uma lacuna grande pra preencher, mas você sente que já faz parte do legado da banda nos últimos anos? Quer dizer, você já está construindo uma parte da história com eles?

Phil X: Boa pergunta… Na verdade, estar no Bon Jovi ainda é estranho pra mim, porque é surreal. Eu cresci ouvindo esses caras, e então agora eu subo no palco com eles. Minha cara tá nas camisetas, sabe? Eu vejo uma pessoa passando com a camisa da banda e eu ainda penso “caramba, é o meu rosto ali” (risos). O legado do Bon Jovi é bem anterior à minha entrada, sei disso. Mas de certa maneira, eu me sinto sim mais parte do que está sendo construído. Nesse disco que gravamos agora e sai em 2020, tive mais oportunidade de contribuir. É uma jornada muito louca, mas estou amando (risos).

TMDQA!: Imagino! Agora, falando do disco que vocês estão tocando atualmente: as músicas de This House is Not For Sale são muito potentes – acho que o Jon é bom nisso, né? (risos) Ao mesmo tempo, elas parecem uma volta ao básico, especialmente se você notar aquelas raízes enormes na capa. Como banda, como vocês continuam seguindo em frente sem perder contato com as raízes, o lugar de onde vêm?

Phil X: Com relação à criação, o Jon assume o controle. Acho que ele se mantém ligado a tudo que está acontecendo no mundo, às notícias, às pessoas – e não só à bolha da indústria da música. Ele tem um restaurante onde ajuda pessoas carentes, ajuda sua comunidade e isso o mantém com os pés no chão. E aí ele cria as canções e tem essa habilidade de se conectar com as pessoas. Então leva as músicas para o estúdio, que é quando a banda cria uma tela, onde pintamos juntos o que vai ser a história que vamos contar em cada música.

TMDQA!: Agora falando em tempo, vocês estão nessa turnê há 2 anos e meio. Como os caras que estão em cima do palco toda noite, como fazem pra manter o show interessante depois de tanto tempo com um setlist tão familiar?

Phil X: Você tem que lembrar que a banda fazia em média 120 shows por ano. Ao invés disso, nós vamos fazer os mesmos 120 shows, porém mais espaçados ao longo de mais de dois anos, basicamente. Em 2017 fizemos uns 40 ou 50, depois mais 30 em 2018, e depois juntando o que fizemos na Europa e o que teremos na América do Sul, vamos chegar perto disso. Nós todos somos homens de família, temos filhos e é importante pra nós passarmos tempo com eles, em casa. Nós acabamos de fazer uma série de 21 shows, foi ótimo, mas quando nos encontrarmos para ir à América do Sul, será novamente divertido.

TMDQA!: É bom que dá tempo de vocês sentirem saudade um do outro, né?

Phil X: Com certeza (risos). A gente se vê todo dia, enjoa da cara um do outro. Aí é bom que não cansa! (risos).

TMDQA!: Essa não é seu primeiro Rock in Rio – aliás, eu estava lá no seu primeiro. Já que o Bon Jovi tem vindo ano sim, ano não, é a chance dos fãs brasileiros verem vocês. Claro que vocês tocam em arenas enormes no mundo todo, mas tem alguma coisa que torna o Brasil único? Algo que você olha pela janela do carro ou vê na plateia e pensa “isso é muito Brasil”?

Phil X: Ah, rola essa sensação, com certeza… O Brasil tem uma paixão grande pela música e você nota isso na cara das pessoas assim que sobe no palco. Sem ser da última vez, mas da primeira que estive aí, eu fui naquela estátua gigante que tem de Cristo no Rio (risos). Tá aí uma coisa que não tem igual em outro lugar do mundo, esse monumento específico e um lugar pra observar a cidade do alto. E bem, tem a comida, as pessoas, a música… Vivenciamos tudo isso, aí subimos no palco e vocês nos recebem da melhor forma possível.

TMDQA!: Nós temos fama de sermos calorosos mesmo…

Phil X: Calorosos é uma boa palavra (risos), é isso!

TMDQA!: Vocês também vão fazer shows fora do Rock in Rio com o Goo Goo Dolls como atração de abertura. Vocês são contemporâneos, eles também estão aí há 30 e poucos anos. Viajar e tocar com quem vocês compartilham experiências é mais fácil ou mais confortável?

Phil X: Sim, é ótimo! Se você pensar bem, não tem muitas bandas dos anos 80 na ativa, né? O Bon Jovi é uma das poucas que ainda estão por aí fazendo turnê. A gente chegou a fazer uns shows com uma banda chamada Switchfoot…

TMDQA!: Eu adoro eles!

Phil X: Pois é, e eles pareciam muito felizes pela oportunidade de tocar com a gente… Daí fui assistir ao show deles e só pensava “caramba, esses caras são ótimos!”. Então é muito legal poder dividir uma turnê com pessoas assim, com quem você se identifica. E aí não vira só um relacionamento de trabalho, vira uma família mesmo.

TMDQA!: Mas você vai fazer hora extra, né? Porque você tem alguns workshops já marcados. Quando o artista de palco sai de cena, para que o professor possa assumir o controle? Quer dizer, não são estados mentais diferentes?

Phil X: É que eu odeio ter dias de folga (risos)! Olha, essa é uma boa pergunta, porque de certa forma eu sinto que na oficina está o mesmo cara que você vê no palco. Mas com a diferença de que eu estou apresentando o que eu faço como instrumentista, com mais detalhe e tempo. Ou seja, eu falo muito mais (risos). Mas a gente abre pra perguntas e as pessoas trazem ótimas dúvidas… É uma oportunidade de explicitar mais o que eu faço, quebrar em partes. Muitos que vêm aos workshops são jovens artistas que querem aprender guitarra ou estar em uma banda. E eu acho que tenho muita informação que posso compartilhar com eles. Gosto de ter esse contato, ir a escolas e tudo mais.

TMDQA!: E você aprende com eles também?

Phil X: Com certeza. Quando eu dava aula de guitarra, alguém me perguntava “como faço isso?”. Eu mostrava, e a pessoa tentava fazer, só que do jeito dela, sem conseguir repetir o que eu tinha feito. Daí era eu que aprendia um modo novo de fazer aquilo, sabe? Quando as pessoas me fazem uma pergunta, é uma oportunidade de troca de experiências também.

TMDQA!: Tá certo. Obrigada por seu tempo, Phil, e divirta-se no Brasil!

Phil X: Obrigado, será muito divertido!

   
 
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