Liniker e os Caramelows
Foto por Leila Penteado
 

Em 2015, ficamos todos impressionados com o surgimento do grupo Liniker e os Caramelows. Estávamos diante de um exemplo de viral. Na época, os vídeos postados no YouTube ganharam uma projeção absurda para um artista independente, encabeçados por uma performance incrível de “Zero“, que até hoje é uma das principais nos repertórios dos shows.

Mas não se resume a isso. A ideia de viral, no mundo da internet, remete a algo que ganhou uma visibilidade grande, mas momentânea. Não é o caso de Liniker, que fez de seu segundo álbum de estúdio Goela Abaixo um trabalho tão incrível quanto o ótimo antecessor Remonta.

Desde então, a figura de Liniker se tornou uma das mais importantes da música brasileira. A banda lota lugares por onde quer que passe, em shows empoderados que focam na questão da representatividade.

Não à toa, a visibilidade conquistada fez com que se apresentassem em palcos fora do país. Recentemente, fizeram uma nova turnê na Europa, além de passar nos Estados Unidos e em outros países sulamericanos. De volta ao Brasil, eles se apresentarão no próximo dia 4 de Agosto no festival CoMA. Será a primeira vez da turnê Goela Abaixo em Brasília!

“Teve muita referência de música latina e música experimental”

Conversamos sobre o novo álbum com a vocalista Liniker Barros. De 2016, quando Remonta foi lançado, até hoje, muita coisa mudou

Confira abaixo o papo.

TMDQA!: Considerando o intervalo de 3 anos desde o lançamento do Remonta, o que mudou no grupo desde aquela época até a atual era Goela Abaixo?

Liniker: Mudou. A gente foi maturando e entendendo como era nosso processo musical, nosso intuito com a música, isso muda na estrada. É muito gostoso ver a mudança no disco, e que todo mundo evoluiu nos instrumentos, na voz, na poesia.

TMDQA!: A naturalidade do processo de composição de Goela Abaixo fica evidente ao ouvirmos as faixas finalizadas. Tamanha são a pureza e a simplicidade das novas canções, em meio a grooves dançantes e linhas intimistas de piano. Vocês tiveram influências externas, de outros artistas ou de outras bandas para encontrarem a sonoridade/conceito do novo disco?

Liniker: Essa fase de gravação do Goela Abaixo foi uma época que fizemos muitos festivais pelo mundo e rolou troca com muita gente. Isso com certeza influencia e aguça mais o nosso ouvido para uma percepção mais delicada do som, então cada um trouxe um pouco do que estava ouvindo. Teve muita referência de música latina, música experimental, e as bandas dos festivais.

TMDQA!: Uma mensagem recorrente no álbum é a ideia do tempo, de sua importância e de como ele deve ser valorizado. Isso fica claro tanto na delicada mensagem de “Calmô” quanto em “Textão” (onde é dito que “não se trepa em 15 minutos”). Para vocês, qual a importância dessa temática para os “corridos” dias atuais?

Liniker: Com o tempo nas letras eu tenho percebido as capturas dos detalhes. Entender que cada coisa vai acontecendo num tempo, numa narrativa que vai influenciando minha forma de escrever, e acho importante eternizar, pois é muito diferente o que vivi no Remonta para as coisas que estou vivendo no Goela Abaixo.

“Vai ser tudo muito bonito”

TMDQA!: Os shows da banda, mais do que o resultado do ensaio de músicos excelentes, são uma grande e necessária afirmação de existência. É uma apresentação onde muitos se reconhecem, cujo discurso fala de diferentes realidades. Lembro de um show onde, após os gritos de “Ele não”, o público puxou “Ela sim”. Isso é um posicionamento muito importante para os dias atuais, que me remeteu quase que imediatamente ao poderoso coral feminino da faixa “Goela”. O que, para vocês, simboliza um show do grupo Liniker e os Caramelows em pleno 2019?

Liniker: Eu acho que é estar no lugar onde devo estar, sabe? Que é produzindo, cantando, enchendo os lugares levando mensagem de afeto, mensagens de que estou tentando fazer meu trabalho, fazer com que chegue nas pessoas e atravesse barreiras, lembrando que estamos juntos.

TMDQA!: A turnê do álbum não se restringiu ao Brasil, certo? Vocês passaram pela Europa também! Como é a sensação, para vocês, de ajudar a levar a mais ouvidos a incrível nova cena da música nacional?

Liniker: É muito legal pois ouvimos muito falar do que está acontecendo musicalmente aqui fora, e vemos que as pessoas lá valorizam o nosso trabalho, essa cena independente brasileira de novos sons. E ver Xênia (França) no Colors, Luedji (Luna) no Colors, Tassia Reis fazendo turnê internacional, festivais incríveis, muitas coisas acontecendo em especial sobre esse recorte da cena independente com essas mulheres negras e que estão fazendo essa roda girar, que estão juntas fazendo esses shows e de ver esse crescimento.

TMDQA!: O que podemos esperar do show no CoMA? O que você diria para os fãs brasilienses que terão contato pela primeira vez com Goela Abaixo? Que recado gostariam de dar para o público que vai contemplar o show?

Liniker: A gente nunca fez esse festival, sempre ouvimos falar. Será uma noite que encontraremos várias bandas dessas de festival que tanto falamos que é incrível para a gente, que nutre o nosso trabalho, então só por esses encontros e por poder chegar com esse disco em Brasília eu acho que vai ser tudo muito bonito.