20 Discos Emo

1999 foi um ano inesquecível para a música. O último ano antes da virada do milênio nos trouxe o disco de estreia da Britney Spears, o retorno definitivo do vocalista Bruce Dickinson ao Iron Maiden, o lançamento do Napster e, também, um dos principais momentos da música emocore.

Foram inúmeros discos do gênero lançados naquele momento. O punk como um todo dominava a cabeça dos adolescentes, e o emo viria a se tornar uma das vertentes mais interessantes e bem-sucedidas por si só.

Por isso, separamos 20 discos que completam 20 anos de existência agora (em 2019) e que ajudaram a formar a base do que viria a ser o gênero. Confira abaixo!

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20. Hot Rod Circuit – If I Knew What I Knew Then

O Hot Rod Circuit foi uma banda que surgiu no meio da loucura da cena punk/emo do final dos anos 90, acompanhando a direção sonora dos gêneros. O disco de estreia do grupo, If I Knew What I Knew Then, foi uma introdução um pouco genérica – pouco se destacava no meio de tantos lançamentos interessantes.

No entanto, serviu como porta de entrada para a carreira dos caras, que apesar de alguns hiatos segue ativa até hoje.

19. …And They Will Know Us by the Trail of Dead – Madonna

Mais conhecido apenas como Trail of Dead, o grupo acabava se aproximando um pouco mais da sonoridade do rock alternativo do que as outras bandas do momento. O disco Madonna traz um dos maiores sucessos dos caras, a faixa “Mistakes and Regrets”.

A banda segue na ativa, mas depois deste trabalho se distanciou bastante do emo e explorou sonoridades mais próximas do post-hardcore e até do post-rock.

18. Reggie and the Full Effect – Greatest Hits 1984-1987

Apesar do nome, o Greatest Hits 1984-1987 é o primeiro disco do que viria a ser a interessante carreira do Reggie and the Full Effect. A banda é liderada por James Dewees (The Get Up Kids, My Chemical Romance) e, nesse álbum, o cara tocou bateria, piano e fez os vocais principais. O trabalho soa bem mais como uma brincadeira do que qualquer outra coisa, abraçando um lado mais “divertido” da sonoridade emo, inclusive com várias pequenas esquetes entre as faixas.

Vale ressaltar que, nesse disco, Dewees teve a companhia de Matt Pryor nas guitarras e vocais e Rob Pope no baixo – o trio também toca junto no The Get Up Kids, que (spoiler!) aparecerá mais à frente nessa lista.

17. The Casket Lottery – Choose Bronze

The Casket Lottery é, injustamente, uma das bandas menos apreciadas da cena. O álbum de estreia dos caras, Choose Bronze, traz algumas canções bem interessantes (como “Midway” e “Ocean”) que mostravam elementos que as bandas do gênero estavam apenas começando a incorporar na época, como algumas nuances do math rock.

Com o tempo, o grupo passou a ter uma sonoridade um pouco mais agressiva – inclusive lançando um EP em conjunto com o Touché Amoré, uma das bandas mais estabelecidas da cena post-hardcore atualmente.

16. The Movielife – It’s Go Time

O The Movielife é uma daquelas bandas cuja história está mais relacionada aos outros projetos que seus membros tiveram. O guitarrista Eddie Reyes acabou sendo um dos fundadores do Taking Back Sunday, enquanto o vocalista Vinnie Caruana formou o I Am the Avalanche e o guitarrista Brandon Reilly se tornou mais conhecido pelo seu papel no Nightmare of You.

De qualquer forma, o The Movielife fez parte de um movimento que parecia “indeciso” entre o emo e o pop punk. Eventualmente, a banda se aproximou mais do segundo gênero; mas, no disco de estreia (It’s Go Time), a influência do primeiro era predominante.

15. The Promise Ring – Very Emergency

The Promise Ring, liderado pelo lendário Davey von Bohlen, foi uma das bandas mais importantes dessa segunda onda do emocore. Inicialmente, surgiu como um projeto secundário ao Cap’n Jazz, banda de von Bohlen com Tim e Mike Kinsella. No entanto, acabou se transformando no projeto principal – e mais bem sucedido – do vocalista e guitarrista.

Apesar de ter ótimas canções como “Happiness Is All the Rage” e “Jersey Shore”, os discos mais aclamados do grupo são os anteriores ao Very Emergency; aqui, os caras já se aproximavam do power pop. Esse álbum viria a ser o penúltimo da banda, sucedido apenas pelo wood/water (2002).

14. Piebald – If It Weren’t for Venetian Blinds, It Would Be Curtains for Us All

Acompanhada por bandas como o Converge e o Cave In, o Piebald nasceu na cena do hardcore. A influência desse berço é bastante clara, mas no álbum de 1999 a banda deu um abraço na estética emo e trazia uma característica que seria bastante copiada por bandas subsequentes: os vocais bastante crus, como podemos perceber em “All You Need Is Drums to Start a Dance Party”.

O grande passo comercial do Piebald foi com o álbum We Are the Only Friends We Have (2002), mas este disco já trouxe uma das faixas mais clássicas do grupo: “Grace Kelly with Wings” é uma aula de emocore e ainda apresenta elementos do math rock que fariam parte de uma das camadas de evolução do gênero.

13. Saetia – Eronel

Saetia é sempre citado como uma das bandas mais influentes da cena emo. De fato, os caras estavam entre os pioneiros do screamo – mais do que isso, misturaram pedaços de spoken word (com linhas vocais faladas ao invés de cantadas) com os gritos. Essa mescla viria a definir algumas bandas dos tempos atuais como o La Dispute.

O EP Eronel foi o último lançamento de inéditas do grupo, com apenas 3 canções. Depois do término desse projeto, o vocalista Billy Werner formou o Hot Cross e – acredite se quiser – o baterista Greg Drudy se tornou o primeiro baterista do Interpol.

12. Joan of Arc – Live in Chicago, 1999

Joan of Arc se estabeleceu desde o início como um dos maiores nomes da cena emo, com mais de 20 álbuns na carreira, muito por ter sido fundado pela dupla de irmãos Tim e Mike Kinsella – os dois haviam fundado a lendária Cap’n Jazz alguns anos antes. Tim abraçou a ideia de ser o frontman do Joan of Arc e continua nessa função, mas Mike (que tocava bateria) acabou se tornando o vocalista e guitarrista do excelente American Football.

Live in Chicago, 1999 não é um álbum ao vivo – apenas faz referência ao fato dos membros do grupo viverem em Chicago em 1999 – e traz uma sonoridade mais acústica, lenta e bonita; no entanto, um pouco maçante às vezes. As incríveis “If It Feels / Good, Do It” e “Who’s Afraid of Elizabeth Taylor?”, entretanto, proporcionam dois dos melhores momentos da carreira do Joan of Arc.

11. Vermont – Living Together

Mais uma vez, a presença de Davey von Bohlen. Muita gente considera o Vermont um projeto que se aproxima mais do indie rock; mas, com a presença do cara – além de Dan Didier (The Promise Ring) e Chris Roseaneau (Pele) – fica difícil não escutar faixas como “Broadway Joe” e “Tiny White Crosses” e associar à cena emo.

Em outros ótimos momentos, como “My Favorite Legend”, a sonoridade se aproxima bastante do que viria a ser explorado pelo American Football. É sem dúvidas um dos discos mais belos do gênero, especialmente se você curtir uma pegada mais acústica.

10. Face to Face – Ignorance Is Bliss

Face to Face é outra banda que transitou bastante entre os subgêneros do punk/hardcore. A voz grave de Trever Keith destoa um pouco do restante da cena; no entanto, no disco Ignorance Is Bliss o grupo tentou se afastar bastante da estética punk e se aproximou do emo. O distanciamento foi tão grande que, por um bom tempo, o vocalista se recusava a executar qualquer canção do álbum ao vivo – isso mudou em 2012, quando o Face to Face fez uma turnê acústica tocando o disco inteiro.

Curiosidade: o baixista da banda, Scott Shiflett, é irmão de Chris Shiflett – guitarrista do Foo Fighters – e já chegou a tocar com bandas como o Offspring e está hoje no Me First and the Gimme Gimmes.

9. The Jazz June – Breakdance Suburbia

The Jazz June é uma banda com tão pouca informação disponível que há alguma controvérsia sobre a data de lançamento do seu segundo disco, Breakdance Suburbia. Como o álbum é um dos mais interessantes dessa segunda onda do emo, resolvemos considerar a data de 1999 – que está no Spotify oficial do grupo. Músicas como “Silver Dollar” e “Nothing”, presentes neste trabalho, são quase retratos falados do gênero e valem o stream.

Foram 4 lançamentos na primeira fase de existência do The Jazz June; depois de 12 anos sem um disco de inéditas, os caras se reuniram para lançar o bom After the Earthquake, em 2014.

8. Thursday – Waiting

Sem dúvidas, quem foi ou é próximo à cena emo/punk do final dos anos 90 e início dos 2000 conhece o Thursday. Apesar de ter alcançado sucesso crítico e comercial com o disco Full Collapse, de 2001, a banda liderada por Geoff Rickly já tinha lançado o excelente Waiting em 1999.

Não disponível nos serviços de streaming, o disco se tornou quase que uma raridade – infelizmente. Assim como no restante da sua carreira, o Thursday mostra uma mescla entre um lado mais agressivo do emocore (como em “Porcelain”) e o lado mais melódico (“Dying in New Brunswick”).

7. Dismemberment Plan – Emergency & I

Dismemberment Plan foi uma das bandas mais importantes na trajetória do emocore; similiarmente, o disco Emergency & I foi fundamental no caminho dos caras. Com três dos maiores sucessos do grupo – “A Life of Possibilities”, “What Do You Want Me to Say?” e “The City” – o álbum trouxe sucesso de crítica e afastou a banda da sonoridade punk que exibia nos primeiros trabalhos.

Entre os discos da segunda geração do emo, com certeza o Emergency & I foi um dos que mais agregou sonoridades e influências e inspirou inúmeras bandas.

6. The Juliana Theory – Understand This Is a Dream

Mais conhecido como uma banda da cena do rock alternativo (e até pop punk, para alguns), o primeiro disco do quinteto The Juliana Theory – Understand This Is a Dream – tem, indiscutivelmente, suas raízes no emo. De qualquer forma, a banda já mostrava um pouco da proximidade ao pop que viria a levá-la ao mainstream.

Os caras saíram da gravadora cristã Tooth & Nail, cuja história contamos por aqui, para assinar com a gigante Epic para o álbum Love (2003) e obter sucesso comercial até o término do projeto em 2006.

5. Rainer Maria – Look Now Look Again

Com a divisão de vocais entre Caithlin de Marrais Kyle Fischer, a dualidade entre as vozes feminina e masculina marcou o excelente Look Now Look Again da excêntrica banda Rainer Maria, responsável por alguns dos maiores hinos do gênero como “Breakfast of Champions” e “Planetary”.

Além disso, a presença de elementos do shoegaze e do dream pop diferenciaram o grupo dos demais. Depois de um hiato de 11 anos sem um disco de inéditas, o Rainer Maria lançou o interessante S/T em 2017, mas o legado da banda é mais visível em bandas como o Rilo Kiley e o The Joy Formidable.

4. Jimmy Eat World – Clarity

Apresentando uma sonoridade mais acessível, o Clarity é considerado um dos discos mais importantes do gênero, muito embora tenha protagonizado uma cena irônica na época de seu lançamento: enquanto representava passos na direção do pop, o pouco sucesso fez com que o Jimmy Eat World tivesse seu contrato com a gravadora Capitol rompido, obrigando-os a adotar uma postura independente.

Com canções ainda presentes nos shows da banda, como a incrível “Lucky Denver Mint”, o álbum é um excelente predecessor ao Bleed American (2001), que fez a transição não apenas da banda mas do gênero emo ao mainstream, como contamos por aqui.

3. The Get Up Kids – Something to Write Home About

Quando se fala do emo, inevitavelmente o nome do The Get Up Kids irá surgir. Dentro dessa conversa, com certeza o Something to Write Home About será citado: o álbum foi pioneiro em abraçar a mescla de estilos do pop punk com o emo e gerou grandes sucessos como “Holiday”, “Ten Minutes” e “Red Letter Day”. O sucesso do disco, entretanto, não foi suficiente para evitar os conflitos da banda com o próprio gênero.

Em entrevista, o guitarrista Jim Suptic pediu desculpas por ter ajudado a moldar a cena punk dos anos 2000 da forma que foi; bandas como o Fall Out Boy e o blink-182 citam os caras como grande influência. Desde o disco On a Wire (2002), o grupo tentou se afastar da sonoridade emo. Porém, nesse ano de 2019, o recém-lançado Problems parece dar um passo em direção a um retorno a essa cena.

2. Sunny Day Real Estate – Live

Para muitos, o maior sinônimo de emo é o Sunny Day Real Estate. Em 1999, a banda já estava bem estabelecida e já possuía em seu catálogo os incríveis Diary (1994), Sunny Day Real Estate (1995, também chamado de LP2) e How It Feels to Be Something On (1998). Antes de lançarem The Rising Tide (2000), seu último disco de estúdio, os caras nos presentearam com a única gravação ao vivo oficial até hoje, o sabiamente nomeado Live.

Gravado em Eugene, no Oregon (EUA), Live traz performances excelentes e sinceras e um setlist incrível com faixas como “In Circles”, “Guitar and Video Games” e “Song About an Angel”. Tudo que alguém precisa para entender o que é o Sunny Day Real Estate e a importância que essa banda teve em todos os subsequentes representantes do gênero.

Atualmente, o vocalista e guitarrista Jeremy Enigk segue carreira solo; o baterista William Goldsmith fez parte da formação inicial do Foo Fighters e o baixista Nate Mendel está com Dave Grohl e companhia até hoje. Inclusive, Goldsmith deu uma declaração polêmica recentemente quando acusou Grohl de “enterrar” um disco inédito do Sunny Day.

1. American Football – American Football

Apesar de toda a beleza e importância dos discos citados anteriormente, é impossível não colocar o disco de estreia do American Football na primeira posição. Inicialmente um projeto secundário de Mike Kinsella (Cap’n Jazz, Joan of Arc, Owen), o despretensioso trabalho nos deu algumas das canções mais belas das últimas décadas: além do mega sucesso “Never Meant”, outras menos comentadas como “The Summer Ends” e “Stay Home” revolucionaram o gênero como um todo.

Com fortes influências do (e no) math rock, o LP1 foi o único registro da banda durante 17 anos, até o lançamento do LP2 em 2016. Felizmente, a reunião segue trazendo bons frutos e os caras já lançaram o LP3 (2019), com faixas que revivem a característica sensibilidade do grupo e até uma bela sessão no NPR Tiny Desk.