MxPx
Foto: AltPress
 
Ouça o novo single da Majur!

“Meu sonho era que os artistas de música cristã ou com uma base no cristianismo fossem vistos como normais”. Essas são as palavras que guiaram o caminho traçado por Brandon Ebel, fundador da Tooth & Nail Records, uma gravadora da cena punk/rock com uma história pra lá de peculiar.

Em 1993, depois de pegar um empréstimo de U$60.000 de seu avô (pago com juros!), Brandon fundou um selo cujo principal objetivo era atingir esse sonho. A busca teve início na cena underground da música cristã, com shows nos fundos de igrejas, em locais bem pequenos e de nicho.

Foi em uma dessas aventuras que Brandon descobriu o Wish for Eden, a primeira banda assinada pelo selo. Sob produção de Mike Knott – uma figura quase lendária da cena cristã na época – o grupo lançou Pet the Fish. Como você pode conferir abaixo, é natural que a sonoridade do disco foi chocante e atraiu atenção para a gravadora.

O Wish for Eden foi um gigantesco abraço da Tooth & Nail naqueles jovens cristãos que se sentiam deslocados por conta de suas religiões. Em um mundo onde o punk e o hardcore reinavam entre os adolescentes, finalmente aqueles que se aproximavam do cristianismo tinham um lugar para pertencer.

Explosão da Tooth And Nail com o MxPx

A história tomou proporções ainda maiores nos anos seguintes com os 2 próximos passos da gravadora. O Starflyer 59 explorou a sonoridade shoegaze emo e, em seguida, veio o ótimo MxPx e a primeira transição bem sucedida para o mercado geral.

O trio, que só podia gravar durante as férias de primavera da escola, ganhou uma legião de fãs com seus dois primeiros discos Pokinatcha (1994) e Teenage Politics (1995). Mas foi com Life in General (1995) e, especialmente, com o single “Chick Magnet” que o MxPx despontou para o mainstream e atraiu a atenção de gravadoras maiores.

A banda soava tão bem quanto os principais expoentes do punk na época (Rancid, Operation Ivy, etc.) e logo viu os shows em igrejas se transformando em festivais e o pequeno contrato com a Tooth & Nail virando um enorme acordo com a A&M Records.

Além disso, o MxPx inspirou uma geração de bandas. No documentário No New Kinda Story: The Real Story of Tooth & Nail Records, o fantástico Aaron Gillespie (Underoath, The Almost) fala, por exemplo, que aos 11 anos entrava escondido na igreja para ouvir os discos dos caras.

No mesmo documentário, há também relatos de grupos da cena cristã que serviriam como bandas de abertura para atrações do mainstream tendo seus shows desmarcados por conta do viés religioso. Mais ainda, aquelas que de fato chegavam a esses shows eram constantemente zoadas.

Hoje, várias dessas bandas conquistaram diversos mercados – mesmo em cenas bem pouco religiosas, como a do metal – e lideram grandes turnês. O melhor exemplo é justamente o Underoath, que se tornou a banda mais bem sucedida do selo; mas não podemos esquecer do Haste the Day, que supostamente chegou a fazer 311 shows em um ano.

Foi a Tooth & Nail que fez essa ponte entre a cena cristã e o mainstream. Somando centenas de artistas em seu currículo, com vários tendo feito a tão sonhada transição para as gravadoras maiores (como o Anberlin, Frodus e The Juliana Theory), a gravadora se tornou referência – e não apenas no mercado religioso.

Apesar de ter cometido alguns erros no meio do caminho – como recusar o Thrice em 1998 – Brandon Ebel conquistou seu sonho. A gravadora que ele criou se tornou parte do mainstream musical, inclusive tendo hoje várias subsidiárias como a Solid State Records (August Burns Red, Haste the Day) e a BEC Recordings (The O.C. Supertones).

Na playlist abaixo, feita especialmente para esta matéria, você confere alguns dos sucessos da gravadora e de suas subsidiárias em ordem cronológica!

Leia também: “A religião não deveria estar na música”, diz Underoath em entrevista