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Caminhando para 60 anos de atividade, Bruce Springsteen acaba de lançar o seu décimo nono trabalho, intitulado Western Stars, em que se arma do seu violão e de um tradicional folk clássico americano, acompanhado de arranjos de cordas e muitas histórias descritas ao longo de cinquenta minutos de música.

A última vez em que Bruce esteve desacompanhado da sua fiel E Street Band foi em 2005 no profundo Devils & Dust. O último disco de inéditas foi High Hopes, de 2014.

O que teremos pela frente são cenários e paisagens típicas dos Estados Unidos, indivíduos com corações despedaçados, cheios de memórias e lembranças num verdadeiro catálogo de causos.

Uma busca por dias melhores e a necessidade de deixar alguns fantasmas do passado pra trás. É assim que iniciamos a nossa saga em Western Stars, na faixa “Hitch Hikin'”, onde um viajante pede carona na estrada, sem seguir mapas, cruzando com outros personagens que também estão em suas próprias cruzadas pela felicidade, por mais que isso seja apenas olhar para uma foto no painel do caminhão, apreciar um motor potente engolindo árvores e postes estrada à frente ou esperar a chegada de um filho.

Bruce fala de ciclos e tentativas, pois somos viajantes ao longo das nossas escolhas, seja pulando de cidade em cidade como em “The Wayfarer” ou alguém saindo da cidade de Frisco, onde uma vida inteira ficou pra trás, para dar espaço ao recomeço, na cidade de Tucson, nos transportando direto pras ruas do Arizona, na orquestrada “Tucson Train”.

Estar em constante movimento também pode ser relacionado a estar no mesmo local, atrás de um balcão, vendo o mundo acontecer diante dos seus olhos, ser o local onde outras pessoas vivem suas histórias, reencontrando amigos que batem o ponto todos os dias no mesmo lugar, como acontece em “Sleepy Joe’s Cafe”.

Vale um destaque para a faixa título, que ganhou um belo clipe em que muito do que acontece nesse disco é bem sintetizado nas imagens, paisagens e expressões dos envolvidos.

Western Stars mostra que tudo são atos e consequências, como na bela “Chasin’ Wild Horses”, em que um cuidador de cavalos vive exclusivamente para o seu árduo ofício, nos levando imediatamente para a visão da bela capa do disco, estática, mas dotada de muitos movimentos num belo momento capturado na fotografia.

A solidão está presente nos pensamentos e linhas de “Sundown” e “There Goes My Miracle”, que tem um dos refrães mais marcantes, assim como o arrependimento está no peso das mentiras que sufocam alguém que perdeu um amor, na melancólica “Stones”.

Apesar do clima das letras do disco, Bruce Springsteen demonstra que a solidão, em doses certas, até se faz necessária, como em “Hello Sunshine”. É não ter nenhum lugar pra ir, mas milhas e milhas a percorrer.

A saga dos personagens chega ao final num quarto de hotel, descrito de forma detalhada em “Moonlight Motel”, onde todos que surgiram ao longo das faixas poderiam muito bem deitar e descansar a mente após um dia intenso em que tudo foi colocado em reflexão. Poderiam até nos contar mais algumas histórias.

Bruce Springsteen nos apresenta de forma brilhante um trabalho reflexivo, candidato a estar presente em várias listas de melhores do ano, com canções que se assemelham a enredos e que nos dão até a liberdade de encontrar outras interpretações após outras audições, misturando memórias e reflexões daquele do mentor de todos os personagens criados e que ainda será por vários anos um dos grandes andarilhos da música mundial.

Vida longa, The Boss!

     
 
REVIEW GERAL
Nota
9
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