Foto: Leo Aversa
 

Uma das principais compositoras brasileiras há 25 anos, Adriana Calcanhotto hoje divide sua carreira musical com outra acadêmica na universidade de Coimbra. Representando uma ponte cultural e intelectual entre o Brasil e Portugal, a artista foi escolhida como uma das atrações do evento Vinhos de Portugal, que chega à sexta edição no Rio de Janeiro, de 31 de maio a 2 de junho no CasaShopping; e a sua terceira edição em São Paulo, de 7 a 9 de junho, no shopping JK Iguatemi.

No dia 02 (no Rio) e 09 (em São Paulo), Calcanhotto se apresenta no espaço Vinhos COM, que contará ainda com apresentações do cantor e compositor Tiago Bettencourt (que era vocalista da ótima banda Toranja) e da cantora Márcia.

Antecipando o evento, trocamos uma ideia rápida com a artista sobre seus projetos atuais e sobre o show.

TMDQA!: Nos últimos anos você está lecionando em Coimbra. Esse trabalho lecionando mudou o modo como você enxerga seu processo criativo?

Adriana Calcanhotto: Me deu um pouco mais de consciência de como se dá o processo criativo e com isso tenho tentado mudar os caminhos já traçados, tentado não usar o “piloto automático” no sentido de tentar coisas que não sei como fazer.

TMDQA!: Agora professora universitária, como você vê esse processo de cortes nos investimentos nas universidades brasileiras?

Adriana Calcanhotto: Como o escândalo que é.

TMDQA!: Aliás, esse tempo fora mudou o modo como você enxerga o próprio Brasil?

Adriana Calcanhotto: O Brasil está vivendo um retrocesso social, político, econômico, cultural, educacional, que precisa ser estancado antes que mais gerações sejam perdidas.

TMDQA!: Você é uma das atrações do Vinhos de Portugal, que vai tentar trazer artistas brasileiros e portugueses e vai pensar essas pontes entre nós. E aqui no Brasil, acabamos conhecendo muito pouco da cultura não só de Portugal como de toda a lusofonia. Para você, qual é a importância desse tipo de evento para ajudar a dar mais visibilidade para a criação portuguesa por aqui?

Adriana Calcanhotto: A vinicultura, está na palavra, é cultura, e é muito antiga em Portugal. É uma das portas de entrada para a cultura portuguesa e para a sua história. Quando conhecemos Portugal e a lusofonia conhecemos um pouco mais de nós mesmos, de nossas mazelas e maravilhas. Já soubemos menos sobre Portugal mas essa ponte, lentamente, está sendo mais e mais consolidada.

TMDQA!: Além disso, o que que o público pode esperar da apresentação? Afinal, esse é um evento que vai ter uma concorrência forte: vinho.

Adriana Calcanhotto: Como convidada do evento quero somar mais ainda! Canto algumas músicas só com o violão, que é um formato que adoro!

TMDQA!: Como autora, como foi sua reação ao ser reverenciada de tantos modos diferentes na coletânea Nada Ficou no Lugar? Alguma versão em especial chamou sua atenção?

Adriana Calcanhotto: Fiquei surpreendida com a iniciativa, como já disse antes, gostei de ver que a falta de cerimônia de todos os artistas com as canções foi total. A gravação de Mahmundi me chamou atenção porque eu escrevi “cariocas têm sotaque” e na gravação dela a correção é perfeita: “cariocas têm sotaques”, ela canta, com toda a razão.

TMDQA!: Seus últimos singles tiveram um forte trabalho visual. Você sente que hoje parte do consumo de música é através das artes visuais?

Adriana Calcanhotto: Sim, acredito que o audiovisual foi ficando cada vez mais forte na divulgação da música, principalmente popular.

TMDQA!: Como está no nosso nome, nós temos mais discos que amigos. E temos uma relação muito afetuosa com alguns discos que amamos. Você tem algum disco que sempre esteve do seu lado como um verdadeiro amigo?

Adriana Calcanhotto: Talvez seja Transa, do Caetano Veloso. Mas talvez fosse outro disco se eu respondesse amanhã. Ou ontem.