Nick Cave Roskilde 2018
Reprodução/YouTube
 
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Nick Cave tem o baita costume de responder publicamente a diversas cartas de seus fãs. Isso já nos rendeu insights incríveis sobre amor, luto e muito mais. Agora, Cave está falando sobre o rock.

Ao responder um fã sobre o estado atual do rock e a onda de moralismo que tomou conta do estilo, o cantor foi categórico e apresentou uma visão bem consistente sobre o assunto. O tema em questão é a separação dos posicionamentos pessoais de artistas de suas obras.

Segundo Nick, vivemos uma época onde a ideologia dos artistas valem mais que suas composições e, por isso, é necessária uma revolução no rock.

Leia trechos de sua resposta:

O rock balançou e estremeceu sua história variada e tumultuada e, de alguma forma, conseguiu sobreviver. É dentro da própria natureza do rock n’roll se modificar e transformar — até morrer, para que possa viver novamente. Essa agitação é o que mantém a coisa toda seguindo em frente. Como músicos, sempre corremos o risco de nos tornar obsoletos e superados pelos esforços da próxima geração, ou pelo mundo em si e por suas grandes ideias. […] Meu sentimento é que o rock moderno, como o conhecemos, já está doente há algum tempo. Foi afligido por uma espécie de cansaço, confusão e fraqueza de coração, e não tem mais resistência para lutar contra as grandes batalhas que o rock sempre lutou. Me parece pouco novo ou autêntico, à medida que se torna mais seguro, mais nostálgico, mais cauteloso e mais corporativo. No que diz respeito ao rock, penso que o novo fanatismo moral que está descendo sobre nossa cultura pode realmente ser uma coisa boa. Talvez seja exatamente o que o rock ‘n roll precisa neste momento. O rock contemporâneo não parece mais ter a coragem de lutar contra esses inimigos da imaginação, esses inimigos da arte — e talvez não valha a pena salvar o rock em sua forma atual.

Faz sentido, não? Ele ainda continuou:

Talvez seja necessária uma mudança dolorosa — um grande esmagamento da criatividade que desce e deposita seu gelo de justiça na arte — de modo que, com o tempo, uma forma selvagem, perigosa e radical de música possa abrir caminho através do gelo, dentes à mostra, e o rock n’ roll pode voltar ao negócio da transgressão.

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