Clipe de
Foto: Reprodução / Youtube
 

pouco mais de um mês, o mineiro Djonga lançou Ladrão, seu mais recente álbum de estúdio. Lá, o rapper continua, com maestria, suas características rimas e críticas afiadas.

Recentemente ele disponibilizou a primeira adaptação audiovisual do novo lançamento. É o clipe de “Hat-Trick“, faixa que abre o álbum.

 

“Abram alas pro rei!”

Com direção do próprio Djonga em parceria com o 176 Studio, o vídeo oficial de “Hat-Trick” conta uma interessante história.

O clipe começa com a provocação “E se fosse ao contrário?” surgindo em meio a uma tela preta. Logo depois, somos apresentados a um personagem negro que tem sua cara pintada na cor branca, como uma espécie de máscara.

O tal personagem claramente não se sente orgulhoso de ser um negro, negando suas origens e tentando se aproximar dos brancos. Enquanto isso, Djonga aparece como uma espécie de voz na cabeça do rapaz de cara pintada.

Ao que tem seu rosto limpado, metaforicamente aceitando sua história e suas origens, ele volta a interagir com seus amigos e família, até o momento em que é acertado em cheio por um tiro.

 

“Pele negra, máscaras brancas”

A pintura branca é uma referência ao livro “Pele Negra, Máscaras Brancas“, do influente pensador francês Frantz Fanon. Ele foi responsável por importantes estudos sobre a chamada “psicopatologia da colonização” durante o início do século XX.

Ao trazer a pintura facial como uma espécie de máscara usada pelo protagonista do clipe, a crítica se torna mais do que presente. Oprimido, o personagem representa os entraves encontrados pelos negros para conseguirem se ver livres do lugar onde foram postos pela colonização. Daí nasce a figura do “negro que deseja ser branco”.

Fanon fala na necessidade de uma mudança nesse pensamento, ainda enraizado na nossa sociedade, que é responsável pela destruição da identidade de povos oprimidos.

Assista abaixo ao clipe para entender melhor o que foi falado até aqui.