Sam Kiszka, baixista do Greta Van Fleet
Foto por Aline Krupkoski
 

Durante uma passagem meteórica pelo Brasil, em que se apresentou no Lollapalooza e ainda fez shows solo em São Paulo e no Rio de Janeiro, o Greta Van Fleet conversou com o TMDQA!.

Há tempos uma nova banda de rock não era tão celebrada no mundo. A sonoridade que lembra grupos clássicos dos anos 60 e 70 conquistou jovens que não se encontravam no pop ou no rap, por exemplo, além de ter resgatado o fanatismo em pessoas que viveram aquela época.

Perguntamos a Sam Kiszka, baixista do grupo, por que o som que eles produziram no EP From The Fires (2017) e no disco Anthem Of The Peaceful Army (2018) é considerado diferente do que outras bandas de rock do mainstream fazem hoje em dia.

Falamos também sobre a forma como os fãs interagem com a banda nas redes sociais, pressão para lançarem material novo e como o próximo disco, que sai ainda em 2019, deverá soar.

Esse papo estará no próximo episódio do Podcast Tenho Mais Discos Que Amigos, junto com outras sete entrevistas que fizemos ao longo do Lollapalooza Brasil com artistas nacionais e internacionais, direto do backstage. Siga-nos no Spotify pra acompanhar.

Confira abaixo a transcrição!

TMDQA! entrevista Greta Van Fleet

(foto: Stephanie Hahne)

TMDQA!: Obrigado por receber a gente! É a primeira vez do Greta Van Fleet no Brasil e já tocando em um grande festival como o Lollapalooza. Como vocês estão se sentindo? Tiveram um tempo de conhecer São Paulo ou caminhar aqui pelo evento?

Sam Kiszka: Tem sido uma recepção muito calorosa. Nós estávamos no Rio de Janeiro alguns dias atrás e fizemos um show solo por lá. O público foi muito enérgico, uma plateia fabulosa. Também foi muito bom vir pra São Paulo e poder tocar nesse festival gigante, o Lolla. Estar aqui no Autódromo de Interlagos, em que acontecem as corridas de Fórmula 1, também é muito legal!

TMDQA!: Vocês eram mesmo muito aguardados pelo público brasileiro. A gente percebeu isso através das redes sociais do Lollapalooza, em que os posts sobre o Greta, os integrantes ou os shows eram sempre os mais curtidos e comentados. Tem sido assim nos demais países que vocês tem visitado pelo mundo?

Sam: É engraçado porque a forma como as pessoas vão atrás de bandas do mainstream, hoje em dia, é sempre através das redes sociais. Não sei se isso é certo ou errado, mas é apenas o jeito que as pessoas usam pra mensurar a “grandeza” das bandas do mainstream. E para uma banda de rock n’ roll, ter esse tipo de exposição midiática é um pouco estranho. E isso acontece mais na América do Sul, porque os jovens aqui gostam muito de rock. Nos Estados Unidos e Europa a juventude também está envolvida, mas há muita gente de outras idades ou pessoas que apenas não usam internet. Aqui, parece que é toda uma geração. E isso pra nós é muito interessante, estamos sempre atentos à nossa fanbase.

TMDQA!: Vocês mesmos também são muito jovens, tanto de tempo de banda como a idade dos integrantes, mas já estão produzindo muito. Em uma entrevista recente, vocês disseram que não podem parar de lançar material, senão vocês morreriam como banda. De alguma forma, o Greta Van Fleet se sente pressionado a fazer música?

Sam: Sim, nós sofremos pressão, mas ela vem de nós mesmos. Nós temos uma necessidade de lançar material novo sempre que possível. Porque por mais que as pessoas gostem de “Highway Tune” ou “Safari Song”, essas músicas acabam ficando velhas pra nós. É ótimo ver como as pessoas gostam das nossas primeiras músicas, mas, como artistas, é mais gratificante evoluir e seguir em frente. É libertador fazer o que a gente quer sem nenhuma restrição.

TMDQA!: Você consegue escrever enquanto está em turnê, ou prefere fazer os shows primeiro e depois “limpar a mente” pra começar a compor de novo?

Sam: A composição nunca para. Nós estamos sempre mostrando novas ideias uns pros outros e as desenvolvendo juntos, e aí só vai tomar forma mesmo quando a gente sai da estrada. Mas estar na estrada é muito bom pra gente ir pensando, absorvendo coisas e tendo ideias. Depois, quando nos juntamos em estúdio, tudo transcende e passa a fazer sentido. É assim que a gente compõe.

(Greta em apresentação no Lollapalooza Brasil 2019. Foto: Aline Krupkoski)

TMDQA!: Vocês já têm ideia de como o próximo disco vai soar? O que vocês têm escutado recentemente que pode servir de inspiração?

Sam: Um pouco de tudo, na verdade. Ter vindo pra América do Sul também ajudou muito. Eu estou muito animado ouvindo Caetano Veloso, por exemplo. A música indígena e folk do Chile também é muito interessante. A gente sempre busca conhecer o que é clássico do país que estamos visitando, assim como a cena atual da música contemporânea. Tudo isso ajuda a ampliar a nossa mente musical. É natural que às vezes a gente fique preso e teimoso ouvindo só as coisas que a gente já gosta, então é sempre bom expandir. Mas, sim, nós já temos uma noção de como o próximo disco vai soar. Nós vamos dar um passo na direção de algo mais “cinematográfico”. Uma produção de escala maior.

TMDQA!: Tipo um disco conceitual?

Sam: Eu não iria tão longe [risos]. Mas não sei, a gente precisa ver como as coisas vão caminhar.

TMDQA!: Lançamento ainda esse ano?

Sam: Sim, estamos preparando pra 2019.

TMDQA!: A música que o Greta Van Fleet faz nos transporta de volta pras décadas de 60 e 70, esteticamente. E as pessoas que gostam das bandas de rock dessa época estavam se sentindo meio “órfãs” de algum material novo com aquela sonoridade. Mas aqui mesmo no Lollapalooza nós temos outros representantes do rock que mostram que o gênero está vivo, como Lenny Kravitz, Arctic Monkeys e Bring Me The Horizon. Como você avalia o estado do rock n’ roll hoje em dia? E por que você acha que a sua banda é diferente dessas outras, pelo menos aos ouvidos dos fãs?

Sam: Eu não diria que é diferente… Em Buenos Aires, uns dias atrás, nós conseguimos chegar mais cedo e assistir ao show do Arctic Monkeys, e foi incrível. Eu não conseguia parar de falar sobre esse show. Eu nunca fui um grande fã deles especificamente, mas vê-los ao vivo foi mágico. Então, como fãs de rock que somos, nós gostamos de ver os artistas no palco, tocando ao vivo. Por isso tem uma grande diferença pros shows de pop ou hip hop, em que normalmente os sons são todos programados. Exceto o Kendrick Lamar, que tem uma banda de verdade. Então eu acho que é muito especial pros fãs de rock se juntarem e assistirem aos artistas fazendo a música. Tem muita emoção envolvida nesse processo. Sobre o estado do rock, se eu pudesse colocar minha mão para sentir a pulsação do rock, diria que está saudável. E acho que só está crescendo, porque no mundo todo tem bandas surgindo e “segurando o bastão”.

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