O Lollapalooza Brasil 2019 teve seu pontapé inicial ontem à noite (03) em São Paulo, mas calma, o festival ainda não começou.

O que começou foram as Lolla Parties, apresentações que acontecem em São Paulo e no Rio de Janeiro com artistas do line-up do evento em casas de shows das duas cidades antes da programação em si do festival.

Uma delas foi a dobradinha de Bring Me The Horizon e Fever 333 que rolou na capital paulista, mais precisamente na Audio, e só temos uma coisa a dizer: quem não foi perdeu uma noite que entrou para a história.

 

Fever 333

Fever 333 em São Paulo
Foto por Aline Krupkoski

A gente falou por aqui há alguns meses sobre como o trio norte-americano estaria trazendo um dos shows mais interessantes do Lollapalooza Brasil.

Isso ficou claro e evidente ontem à noite assim que a banda colocou o pé no palco, mas antes vale uma apresentação.

O Fever 333 é um supergrupo formado em 2017 por músicos que já contam com passados muito interessantes na carreira.

Jason Aalon Butler, o vocalista, emprestava sua voz ao excelente grupo de post-hardcore letlive, que lançou quatro discos entre 2005 e 2016. Stephen Harrison, o guitarrista, fez parte do The Chariot, grupo de metalcore que durou entre 2003 e 2013, e por fim, o baterista Aric Improta ainda faz parte do Night Verses, projeto de heavy metal alternativo que lançou seu último disco em 2018.

Feitas as devidas apresentações, voltamos ao ponto em que Jason apareceu com um capuz na cabeça em cima do palco da Audio e por lá ficou durante alguns minutos até que o trio explodisse na performance de “Burn It Down”.

O som que lembra bastante bandas como Linkin Park foi cantado por boa parte da plateia que estava por ali e logo de cara deu pra perceber que a sintonia era total mesmo com os fãs que foram ao local para ver Bring Me The Horizon.

Fever 333 na Audio
Foto por Aline Krupkoski

A energia da banda no palco é intensa, alucinante e contagiante. Não dá pra ficar parado e não dá pra não se impressionar com a forma como cada um dos três membros tocam e se movimentam pelo palco. Logo na segunda música, Jason subiu no mezanino, cantou e berrou de lá mesmo e quando chegou a um intervalo, se mostrou maravilhado com a energia brasileira, dizendo que já tinham lhe dito “espere até você chegar ao Brasil” para ele saber o que era um show de verdade. Após vários agradecimentos, ele voltou ao palco mas não antes de se jogar no público que estava em êxtase.

Dali pra frente vieram diversos outros grandes momentos com músicas dos dois lançamentos da banda até agora, o EP Made An America (2018) e o disco Strength In Numb333rs (2019), produzido por John Feldmann e Travis Barker (blink-182).

Antes de “Coup D’Etalk”, Jason falou sobre como sentiu todo groove do povo brasileiro e da nossa cultura, e disse que a banda tentou adaptar as nossas influências culturais às batidas da canção, que ao vivo ganhou mais “molejo” e foi mais um belo exemplo da mistura de hardcore, metal e rap que a banda faz com maestria, tudo alternando vocais limpos e rasgados de Butler.

Entre diversos gritos de “333” que vinham da plateia, o vocalista fazia longos discursos sobre como tentar fazer um mundo melhor, sobre respeitar as mulheres, sobre seguir em frente e não se continha no palco, se jogando no chão e escalando estruturas de apoio durante as canções.

O cara também fez uma homenagem a Nipsey Hussle, rapper assassinado nos últimos dias, e ao final, quando a banda saía do palco, a última música teve o guitarrista Stephen Harrison finalizando sua performance no mezanino, passando por boa parte do público que via tudo lá de cima.

Showzão que você definitivamente não deve perder no primeiro dia de Lollapalooza Brasil, na Sexta-feira, às 14 horas.

Bring Me The Horizon

Bring Me The Horizon na Audio
Foto por Aline Krupkoski

Se alguém achava que a atração principal teria dificuldades após um show tão intenso do Fever 333, se enganou.

O grupo britânico Bring Me The Horizon subiu ao palco com dois “seguranças”, um em cada ponta do palco, e assim que começou a entoar as notas de “MANTRA”, música do seu mais recente disco, ganhou o jogo com a plateia que gritou do início ao fim da apresentação.

O show do BMTH é preciso, forte e pra lá de poderoso: se alguém tinha dúvidas de como os caras adaptaram ao setlist as músicas de amo, onde boa parte das canções são voltadas ao pop, elas sumiram instantaneamente, já que faixas dos álbuns anteriores aparecem na sua maioria com muito peso e mesmo as canções do último trabalho ganham mais corpo ao vivo.

Os tais seguranças em cada ponta do palco ficaram ali durante toda a performance da música de abertura e em determinados momentos disparavam fumaça na plateia, mostrando apenas um dos efeitos que a banda utilizaria em todo seu show.

Imagens das mais diversas, incluindo clipes e lyric videos em canções como “medicine” e “nihilist blues” apareciam no telão de um palco que não é montado do modo tradicional e divide o sexteto em duas partes, com baixo, bateria e percussão/teclados em um degrau superior e o vocalista acompanhado de dois guitarristas logo abaixo, dando um efeito visual pra lá de interessante e tornando a experiência ainda mais completa.

Outro show à parte foi a comunicação de Oli Sykes, vocalista da banda, com o público. Como é casado com uma brasileira, ele só falou em “Português” durante o show, e eu coloco as devidas aspas por aqui porque o sotaque do cara era carregado e muitas vezes era difícil entender o que ele queria dizer.

Obviamente vieram palavrões como “vai se foder” e “chupa meu pinto”, mas as frases e palavras mais frequentes foram “vocês loucos”, para descrever a plateia, e “pronto?”, como se estivesse mandando um “are you ready?” antes de momentos de explosão do show.

Foi divertido ver como o cara estava tentando mergulhar na cultura brasileira de verdade e ainda rolaram momentos como “Can You Feel My Heart” dedicada para o sogro (que estava ali) e um “vai se foder” depois que a plateia começou a gritar “Hey, Bolsonaro, vai tomar no cu”, fazendo obviamente uma referência ao Presidente da República.

Oli Sykes em São Paulo
Foto por Aline Krupkoski

De forma bem parecida, os discos Sempiternal (2013), That’s The Spirit (2015) e amo (2019) dominaram o setlist, sendo os três mais recentes da banda.

Após 12 músicas e um belo final com a versão acústica de “Drown”, cantada todinha pelo público que lotava a Audio, o BMTH deu um tempo e voltou com o bis que teve “Doomed”, “medicine” e um medley de canções do início da carreira, voltada ao metalcore/deathcore e que mesmo que destoem completamente do que a banda faz hoje, ainda se encaixaram no show e foram cantadas por boa parte de quem estava ali.

O final veio com “Throne”, mais uma dobradinha certeira entre banda e público, e a certeza de que o Bring Me The Horizon não apenas passeou pela sua carreira com dignidade como vive seu auge mesmo após inúmeras experiências e mudanças na sonoridade. Sequências difíceis como o medley de petardos do heavy metal colados a “medicine”, canção completamente pop, fizeram todo sentido, e isso mostrou que a banda sabe o que faz.

Ingressos

Você ainda pode garantir seu ingresso para o Lollapalooza Brasil e ver essas duas bandas de perto clicando aqui.

Setlist (via setlist.fm)

  1. MANTRA
  2. Avalanche
  3. The House of Wolves
  4. Happy Song
  5. Mother Tongue
  6. Wonderful Life
  7. Shadow Moses
  8. Follow You
  9. Nihilist Blues
  10. Can You Feel My Heart
  11. Antivist
  12. Drown (acoustic)
    Bis:
  13. Doomed
  14. Medicine
  15. The Comedown / (I Used to Make Out With) Medusa / Diamonds Aren’t Forever / Re: They Have No Reflections
  16. Throne