Foto: Divulgação.
 

O Brasil parece ser um país predestinado para a miscigenação, já que a nossa arte sempre esteve ligada com uma gigantesca mistura de culturas e estilos de vida.

E justamente por esse grande número de regiões do mundo conectadas pela cultura, essa miscigenação não é restrita à geografia brasileira. Quem por exemplo, nasceu aqui, mas acabou crescendo em outro canto do planeta, pode muito bem carregar consigo essa motivação em misturar e fazer de sua arte algo universal.

Esse é o caso de Ian Carvalho. Nascido em Goiânia (GO), o músico e produtor cresceu entre a Itália e o Brasil até se estabelecer em Londres, na Inglaterra. Com sua vivência naturalmente mais globalizada, sem essa relação com raízes regionais, a música produzida por Ian também soa como se fosse do mundo todo – e realmente é!

Ao longo de vários anos dentro da cena underground desses três países, o artista montou diversos projetos musicais e construiu parcerias em todos os cantos. Através dessa grande rede, Ian consegue hoje liderar o Stock-a Releases, um coletivo cultural que busca lançar e divulgar bandas desde de América Latina até a Europa, fortificando essa cena e auxiliando na movimentação de seus próprios projetos.

Para entender melhor como tudo isso funciona e quais são os objetivos e expectativas do selo, conversamos com o próprio Ian Carvalho. Essa entrevista você pode conferir aqui, logo abaixo da playlist oficial da Stock-a no Spotify:

TMDQA: Antes de falarmos do selo, me diga: Qual é a sua relação com o Brasil e as bandas brasileiras e o que isso influencia na sua música, principalmente as que você tem gravadas em português?

Ian: Bom, nasci em Goiânia-GO e passei a primeira parte da minha vida pulando entre Brasil e Itália, antes de me mudar pra Londres.

Cresci escutando muita música brasileira (todos os estilos, desde samba raiz – que meus avós amam – até Mamonas Assassinas). Me formei em literatura portuguesa e brasileira, além disso tenho tido a possibilidade de viajar muito pelo país tupiniquim graças às turnês que tenho feito com meus projetos musicais. Isso me deu a possibilidade de entrar em contato com várias culturas populares, ritmos e sons. Todo isso influenciou a minha escrita, sem esquecer também as grandes influências estilísticas absorvidas, dividindo os palcos com bandas como Odradek, Six Kicks, Francisco, el Hombre, etc.

TMDQA: Como o Stock-a foi criado? Quais foram as suas motivações e objetivos?

Ian: O Stock-a foi criado quando demos um tempo no meu projeto musical mais importante na época – a [banda] Novonada. Eu pessoalmente queria continuar a “mexer” nesse assunto musical, nem que fosse ajudando outras bandas. Assim, resolvi que com outros parceiros da Itália iria formar um coletivo que ajudasse na divulgação de materiais musicais. Isso foi um jeito de não jogar fora anos de trabalho na rua em busca de contatos e experiências.

Então diria que a motivação principal que faz com que o Stock-a seja uma realidade hoje em dia é, sem dúvida, a possibilidade de poder dividir essas experiências e matérias primas (assim como instrumentos e palcos) para ajudar outras bandas.

TMDQA: Quais são os nomes que hoje são ligados ao selo? Tem alguma banda brasileira em meio a eles?

Ian: Com o selo (se assim se pode-se chamar, eu ainda prefiro ainda chamá-lo de coletivo), lançamos algumas bandas Italianas, além de meus projetos musicais. E vamos lançar um duo eletrônico de Londres.

As bandas brasileiras que estão no roster fazem parte dessas que não lançamos com o selo, mas ajudamos como coletivo em termos de booking, divulgação, instrumentalização e quanto mais for possível. Somos orgulhosos de ter entre elas a Odradek, John Filme, Ozu e outras bandas que vão ser adicionadas em breve.

TMDQA: E quais são os próximos lançamentos previstos? E entre algum dos seus projetos, pretende voltar a tocar no brasil?

Ian: Os lançamentos que estão chegando para 2019 são, como já mencionei, esse duo Italiano com base em Londres chamado In A Sleeping Mood, que fazem um som glitch. E também o meu mais recente projeto, Hate Moss, com o álbum Live Twothousandhatein que será o primeiro lançamento do selo em vinil.

Hate Moss

A banda Hate Moss, mencionada por Ian, é um duo que conta com ele e Tina dividindo vocais, bateria, guitarra e beats eletrônicos.

O álbum de estreia tem previsão para maio desse ano. Mas enquanto isso, já foram lançados os singles “Honey” e também “Evil”. Esse último conta com um clipe muito bacana com viagens da banda em turnê, incluindo passagens pelo Brasil, confira: