Jota Quest - Ique Esteves
Foto: Instagram/Ique Esteves
 

Apesar do visual e sonoridade atuais, acredite ou não, o Jota Quest já tem 26 anos de estrada.

Apenas em 2017, porém, veio o primeiro Acústico da banda, repleto de hits consolidados que o público brasileiro conhece muito bem — além de algumas favoritas dos fãs que acompanham o grupo mais de perto.

Neste sábado (30), o Jota Quest leva o espetáculo a São Paulo, e conversamos com o vocalista Rogério Flausino sobre a trajetória da banda, sua relação com os fãs, o Acústico e muito mais.

Leia logo após o player e confira ao fim da publicação o serviço para o show da banda em SP.

Por Tony Aiex

TMDQA!: A história do Jota Quest passa por um período em que o Brasil teve ótimas e bem sucedidas empreitadas acústicas — ali nos anos 90 e 2000. Vocês decidiram fazer um show nesse estilo com mais de 20 anos de banda. Por que foi importante esperar o tempo certo desse projeto, e não apenas embarcar num bom momento mercadológico de alguns anos atrás?

Rogério Flausino: Quando os Acústicos da MTV bombaram no Brasil, a gente estava começando. Naquela época, recebemos o convite da casa para que fizéssemos o nosso também, mas achamos que para que o projeto pudesse ser algo realmente marcante em nossa carreira, era preciso que tivéssemos um repertório mais consistente e com canções mais amadurecidas. Optamos então, em 2003, por fazer o nosso Ao Vivo – MTV que se tornaria o álbum de maior sucesso de nossa história com mais de 2 milhões de cópias do CD e DVD. Não foi algo programado esperar 20 anos pra fazermos este nosso primeiro acústico, mas acho que acabou chegando na hora certa. O repertório realmente aumentou e as canções se fortaleceram com o tempo. Acho que hoje estamos mais experientes e mais maduros pra avaliar melhor o que conseguimos construir juntos.

TMDQA!: O show ter esse propósito de “músicas para cantar junto” diz muito da troca que vocês fazem com o público. Depois de tantos anos fazendo shows, vocês ainda se surpreendem com os fãs, ainda aprendem algo com eles a cada noite? Se sim, o que?

RF: Com certeza, sim. Nestes 25 anos de caminhada o que mais fizemos mesmo foram shows. Desde os botecos de BH até o Acústico, incluindo aí quatro vezes no Rock in Rio, já são mais de 3 mil apresentações. Pegando até uma carona na resposta anterior, o fato de termos esperado tanto tempo pra rever nossas principais canções pro Acústico, o que incluiu grande reestruturação em nossa performance em palco, busca por novos locais para as apresentações, mudanças na luz e cenário, acabou por surpreender muito aos nossos fãs e também a própria banda. Estamos vivendo, sem sombra de dúvidas, um dos melhores e mais emocionantes momentos da banda.

TMDQA!: O Jota Quest tem baladas muito famosas, mas o show de vocês tem momentos bem enérgicos e pop também. Qual foi o maior desafio em “despir” esses arranjos, diluir alguns elementos e incorporar outros?

RF: Existem, para mim, basicamente, dois Jota Quest. Um, mais dançante e festivo (funk, disco, soul) e um outro, mais “pop-rock-canção”. A nossa vontade e desafio com este Acústico era acariciar o nosso lado mais canção, sem deixar de lado o groove. Não foi muito fácil, não. Foram 7 meses de pré-produção, colados com o Liminha, que assinou a produção musical e tocou o violões, ao lado do Marco Túlio. De uma forma geral, ficamos bem satisfeitos com o resultado. Ao todo reunimos 25 canções, sendo 3 inéditas e, em cada uma delas, conseguimos imprimir algo interessante e diferente do que já tínhamos feito, e ainda, manter uma boa dinâmica nos shows, trafegando entre canções totalmente “voz e violão”, momentos baile-black, chegando até à umas pancadas mais rock and roll.

TMDQA!: Vocês repaginaram canções que não saem do repertório dos shows há muitos anos. Esse exercício foi uma espécie de redescoberta do seu próprio songbook, uma nova forma de enxergar canções que vocês achavam que já conheciam de todos os ângulos possíveis? O que essa experiência trouxe de reflexão pra vocês sobre a trajetória da banda até aqui?

RF: Acho que esse nosso primeiro mergulho acústico da carreira, em busca do âmago de nossas mais queridas canções, acabou nos revelando que, independente da roupagem original de cada uma dessas canções, existe, acima de tudo, um “papo” Jota Quest que entrelaça este nosso cancioneiro como um todo. A experiência de subir ao palco e tocar mais de duas horas, canções que foram criadas ao longo de 25 anos, e sentir que a galera esta contigo, correspondendo e cantando junto, é um lance surreal.

TMDQA!: Vocês estão vindo de dois álbuns onde o pop e o lado mais funkeado e grooveado da banda está muito potencializado — sem falar num disco inteiro de remixes ali no meio. O que motivou essa vontade de abordar as canções de um ponto de vista aparentemente mais “simples” e intimista?

RF: A motivação foi exatamente tentar gerar um contraponto do que vínhamos fazendo nos últimos anos. Nossos dois últimos álbuns de estúdio Funky Funky Boom Boom (2013) e Pancadélico (2015), foram discos onde buscamos um reencontro com o nosso lado groove, ambos produzidos pelo norte-americano Jerry Barnes, e com a colaboração especialíssima com o papa da disco music Nile Rodgers. Foram 6 anos de uma jornada incrível, onde aprendemos muito e nos divertimos ainda mais. Em 2017, acho que rolou uma ressaca (risos) e decidimos então que era hora de acariciar o nosso lado canção.

TMDQA!: O disco acústico tem 25 músicas, mas ainda assim muita coisa ficou de fora. Como tem sido levar isso para o formato de show comercial? Tem alguma música que vocês não incluíram na gravação e que agora estão trazendo para o repertório ao vivo, por demanda dos fãs ou por vontade própria?

RF: Realmente, muita coisa ficou de fora. Apesar de ser uma novidade na carreira, víamos o projeto também como algo comemorativo dos 25 anos. Para tanto, 80% do repertório seria mesmo de hits. O restante dividimos entre inéditas e b-sides. Quando o Acústico fez um ano de gravação, lançamos um bundle com duas faixas que haviam ficado de fora, “Vou Pra Aí” e “Onibusfobia”, ambas do nosso primeiro CD, e a galera curtiu muito. Agora em Maio, o projeto comemora 2 anos, e a ideia é lançar mais algumas, meio de “despedida”. Entre elas está “Além do Horizonte”, de Roberto e Erasmo Carlos, que só incluímos agora, no verão, num arranjo reggae. A galera tá se divertindo muito nos shows.

TMDQA!: De agora em diante, quais são os planos e novos desafios que o Jota Quest tem no horizonte?

RF: Anunciaremos em breve, além deste EP de “despedida”, as datas das últimas apresentações da turnê, que estamos apelidando de Saideira – Acústico Jota Quest com shows especiais nas capitais brasileiras, em Buenos Aires e novamente em Lisboa. Quanto ao futuro, o coração já começou a pedir um álbum novo… é o ciclo natural das coisas. Quem sabe já rola já pra 2020? Vamo que vamo!

Serviço – Jota Quest Acústico em São Paulo

Realização: TIME FOR FUN
Data: Sábado, dia 30 de março de 2019
Horário: 22h
Local: Credicard Hall SP – Av. das Nações Unidas, 17.955 – Santo Amaro – São Paulo (SP).
Ingressos: A partir de R$ 45
Classificação etária: Não será permitida a entrada de menores de 12 anos.
12 a 14 anos: Permitida a entrada acompanhados dos pais ou responsável legal.
15 anos em diante: Permitida a entrada desacompanhados.
Abertura da casa: 1h30 antes do espetáculo
Acesso para deficientes
Ar-condicionado
Venda de ingressos no site da Tickets For Fun