Episódio de Love, Death & Robots
Foto: Netflix
 

Love, Death & Robots mostra que as animações são um nicho que ainda pode render bons frutos à Netflix. Apesar de já possuir produções originais animadas muito populares, como Knights of Cydonia (primeiro anime original do serviço de streaming), Bojack Horseman e Big Mouth, além dos mais recentes reboots de She-Ra e Carmen Sandiego, ainda há espaço para inovação.

O formato de antologia (cada episódio com uma história independente) e os temas intimamente ligados à tecnologia aproximam a produção de sua vizinha de Netflix, Black Mirror. A diferença é que os estilos de animação dão um ar muito mais caricato, distanciando o público da nossa própria realidade e caindo mais no campo da ficção. Isso definitivamente não pesa contra a série, que consegue viajar entre diversos subgêneros de ficção científica de forma satisfatória, com uma forte tendência a conteúdos NSFW (insinuações sexuais e violência explícita, principalmente).

Episódio de Love, Death & Robots
Foto: Netflix

Produzida por Tim Miller (Deadpool) e David Fincher (Seven), Love, Death & Robots “engana” por não parecer tão profunda. Nenhum episódio passa dos 20 minutos de duração (alguns têm menos de 10 min), o que dificulta a imersão em cada universo, então a série optou por deixar na mão do assinante a reflexão para cada história. Vários dos curtas possuem final aberto à interpretação e, em vez de uma solução preguiçosa, esta é uma escolha feita para instigar a participação do espectador.  Quase nada é muito explicado, o que é ótimo para algo que propõe agilidade na hora de assistir.

Como são vários gêneros para serem assistidos sequencialmente, pode ser que a falta de continuidade pese negativamente para quem não está muito concentrado. Porém, ainda assim, a subversão de alguns temas é muito interessante. Um episódio, por exemplo, é como um Clube da Luta (também de Fincher) futurista, com os lutadores conectados mentalmente a bestas assassinas; outro começa como um conto oriental de época e evolui rapidamente para uma China steampunk; e outro é uma versão rápida e mais tensa de Gravidade (aquele com Sandra Bullock).

Animação realista de Love, Death & Robots
Foto: Netflix

É difícil julgar a série por roteiro, fotografia, atuação ou direção, porque são muitas (muitas mesmo) pessoas envolvidas: foram utilizadas equipes de animação de vários países, passando dos clássicos desenhos 2D para inacreditáveis técnicas de CGI. Os estilos, inclusive, trazem Love, Death & Robots para próximo dos games. Em vez de ter todo o trabalho de conhecer os comandos e passar das missões, no entanto, a série da Neftflix apenas exige do espectador que assista a algo que parece uma coleção de cutscenes divertidas.

Cada capítulo tem pitadas de amor, morte ou robôs (como já entrega o nome), e a forma como esses elementos estão interligados é outro atrativo. O amor não é, necessariamente o amor romântico (pode ser o amor de um senhor pelo seu cachorro, por exemplo) e a morte pode não ser a morte em si, mas o seu conceito e discussões sobre o valor da vida e o que acontece depois que ela acaba. Já os robôs são o símbolo da tecnologia, de como o ser humano seria capaz lidar com ela (muito Black Mirror). Junte tudo isso com um humor ácido e uma boa dose de pessimismo quanto às nossas perspectivas e criou-se uma boa série – nem todos os episódios são nota 10, mas a média de qualidade certamente é positiva.

Variação da animação de Love, Death & Robots
Foto: Netflix

Os 18 curtas de Love, Death & Robots estão disponíveis na Netflix. Confira o trailer: