Por Nathália Pandeló Corrêa

São 2,3 bilhões de visualizações – e contando – em “Let Her Go”, clipe oficial da canção de Passenger. Impulsionados pelo álbum All The Little Lights, a presença massiva nas playlists do Spotify (onde caminha para 900 milhões de plays) e a abertura dos shows de Ed Sheeran, a voz doce e os acordes de violão do britânico Mike Rosenberg se tornaram um bom exemplo do que acontece quando uma música vai além dos limites do nicho indie folk.

Desde então, Mike lançou outros seis discos – dois apenas em 2017 -, culminando no mais encorpado Runaway, onde explora suas raízes nos EUA. O pai, americano, lhe incutiu a admiração por Paul Simon e Bob Dylan. Já a mãe compartilhava em casa a ligação com outro país: o Brasil, onde morou nos anos 70. Mike traz essas duas bagagens familiares a São Paulo, onde apresenta a nova turnê em 10/03. Antes disso, esteve no país abrindo os shows de Ed Sheeran em fevereiro.

O artista prolífico vai muito além do seu principal sucesso, como é possível notar na entrevista que deu ao Tenho Mais Discos Que Amigos!, logo após o serviço:

Passenger em São Paulo

Data: 10/03/2019
Horário: Abertura da casa, 19h; Stu Larsen, 20h; Passenger, 21h
Local: Cine Joia
Endereço: Praça Carlos Gomes, 82 – Sé – São Paulo/SP
Ingressos: www.ingresse.com
Classificação etária: 18 anos

TMDQA!: Oi Mike, ótimo saber que você vai finalmente vir pra América do Sul e fazer alguns shows aqui. Você vai se apresentar solo e também como abertura do Ed Sheeran. Como você aborda dois shows bem diferentes, a poucos dias um do outro? Está planejando alguma surpresa pra cada público?

Mike: Oi! Estou muito feliz de finalmente estar aqui na América do Sul – sempre foi um sonho vir pra cá. Os dois shows são muito diferentes. Abrir para o Ed na frente de um estádio enorme e cheio de gente é uma onda e a oportunidade mais incrível. Acho que os shows em que sou atração principal parecem mais meu habitat natural. Isso me permite tocar umas músicas mais lentas e contar mais algumas histórias, etc. Adoro as duas experiências igualmente!

TMDQA!: Agora, falando no Ed, eu sei que vocês já se conhecem há muito tempo e você abriu os shows dele muitas vezes. Olhando para quando vocês começaram, e você trabalhava como chef, o Ed tocava nos bares, e onde chegaram, como você vê o caminho que a música os levou a percorrer? E sem pressão, mas… E agora, o que vem daqui adiante? Parece que vocês já conquistaram tanta coisa!

Mike: Sim, eu conheci o Ed há mais de uma década – nós dois tocávamos no mesmo bar uma noite e viramos grandes amigos desde então. Ele tem sido muito generoso comigo ao longo dos anos – me levando em turnê e me deixando tocar na frente de seus fãs. Teve um enorme impacto na minha carreira – devo muito a ele. Fico muito orgulhoso de ver seu sucesso contínuo, e não poderia ter acontecido com um sujeito mais genuíno e trabalhador. Para mim, os próximos passos são apenas continuar fazendo a música que amo e tocá-la para as pessoas que querem ouvir.

TMDQA!: Sei que você está divulgando Runaway, mas já que é sua primeira vez aqui no Brasil, vai rolar uma espécie de coletânea nos shows?

Mike: Com certeza, meu show solo vai ser uma verdadeira mistura de músicas novas e antigas.

TMDQA!: Runaway passa a impressão de que você está se reconectando às suas raízes americanas – não que você as tivesse perdido, pra começo de conversa. Além da sua bagagem de família, você poderia nos contar sobre onde buscou inspiração para essa nova leva de canções? Você estava canalizando ali algum disco antigo que cresceu ouvindo?

Mike: Com certeza. Meu pai é dos Estados Unidos e me apresentou a muita música americana quando eu era criança. Artistas como Paul Simon, Bob Dylan, etc. Sempre fui muitíssimo influenciado pelo gênero americana e acho que com Runaway eu o assumi de vez.

TMDQA!: Sei que você já falou sobre a pressão de outro sucesso depois de “Let Her Go”, mas você parece um cara bem pé no chão, que trabalhou bastante, é grato por tudo e só está tentando entregar sua alma em um monte de músicas – as quais as pessoas receberam de uma forma massiva. Agora que você já lançou outros discos depois disso, como você se sente sobre “Let Her Go” e onde ela te levou?

Mike: Obrigado! Eu acho que houve vezes em que eu senti pressão para criar outro grande hit. Parece que quando você tem um sucesso, as pessoas esperam que você tenha centenas. Para ser bem sincero, eu nunca imaginei ter uma música como “Let Her Go”, e fico muito feliz só por ter tido essa experiência uma vez. Ela abriu muitas portas pra mim e permitiu que tantas pessoas ouvissem o restante das minhas canções também. Se um dia eu escrever outro sucesso mundial, ótimo, mas isso não é algo que me incomoda, pra ser sincero.

TMDQA!: Com certeza você já ouviu algo sobre música brasileira, ou nossas comidas, ou nossos públicos apaixonados. Tem algo que você está a fim de fazer, comer ou ver aqui?

Mike: Claro! minha mãe morou no Brasil por quatro anos na década de 70 e ela absolutamente ama esse país. Ela costumava fazer algumas refeições brasileiras quando estávamos crescendo e estou empolgado para explorar os lugares por conta própria.

TMDQA!: Por fim, o nome do nosso site tem muito a ver com o quanto a música significa pra gente e está ao nosso lado nos momentos bons e ruins. Você poderia compartilhar alguns dos discos que têm sido seus “amigos” enquanto está na estrada com essa turnê?

Mike: Legal! Um bom “amigo” que eu conheci recentemente é o novo disco do Gregory Alan Isakov, Evening Machines. Acho que ele é um dos melhores letristas dos nossos tempos.