Maroon 5 no Super Bowl 2019
Foto: Reprodução / YouTube
 

Antes de começar já gostaria de deixar claro por aqui que não há nenhum tipo de crítica à escalação do Maroon 5 no Super Bowl e, menos ainda, uma visão negativa por conta de uma atração pop estar no famigerado show do intervalo da finalíssima do futebol americano.

É claro que não dá pra dizer que a banda seria a primeira escolha em um ano “normal” para a NFL, que buscou vários artistas mas ouviu vários “nãos” por conta de protestos como forma de apoiar o quarterback Colin Kaepernick, que passou a se ajoelhar durante a execução do hino dos EUA nos jogos como forma de chamar atenção para a brutalidade policial contra os negros e acabou sendo boicotado pela liga. Ainda assim, não dá pra dizer que não era uma boa escolha, afinal o Maroon 5 sabe muito bem fazer um grande show.

E foi justamente por isso, por saber do potencial de espetáculo da banda, que a apresentação de ontem (03) à noite deixou tanto a desejar.

Quando veio para o Rock In Rio em 2011 e depois em 2017, mesmo no meio da enxurrada de críticas de quem ainda (ZzZzZ) diz que “o Rock In Rio tem que ser de Rock”, a banda surpreendeu ao empunhar guitarras, mandar ver em grandes solos e riffs e deixar claro que é composta por músicos que não apenas sabem muito bem o que fazem como também sabem escrever alguns dos maiores hits dos últimos anos.

No Super Bowl ontem à noite, não teve nada disso. A superprodução não apareceu, o grupo tocou em um palco em formato de “M” que fora alguns efeitos pirotécnicos não chamou muito a atenção e mesmo os hits foram tocados em versões estranhas e sonolentas, em um medley que não se destacou em nenhum momento.

A participação especial do rapper Travis Scott, anunciada pelo “elenco” de Bob Esponja em uma tímida menção a um movimento que começou na Internet, foi a melhor parte do show, com a chegada do músico em um meteoro e uma apresentação explosiva no palco e ao lado da plateia que deixou bem claro: o show de Atlanta deveria ter sido de hip hop do início ao fim.

Big Boi, dos locais Outkast, também apareceu por lá e chegou em grande estilo em um carrão, mas não disse a que veio. Ficou no palco por cerca de um minuto, agregou pouco ou quase nada e da forma que apareceu, se foi.

Show do intervalo do Super Bowl

Quando teve seu show do intervalo completamente repaginado por conta de Michael Jackson, o Super Bowl elevou o nível das apresentações ao vivo e das transmissões, fazendo com que não apenas a expectativa em torno da música fosse aumentada como também a NFL conseguisse fechar contratos mais lucrativos para sua galinha dos ovos de ouro.

Shows como o do Maroon 5 ontem, bem abaixo do que o artista principal costuma apresentar mundo afora em suas turnês, fazem com que a decepção seja grande e a expectativa para os próximos vá diminuindo.

Além disso, parece ser evidente que os artistas têm cada vez mais medo de arriscar e se posicionar em shows como esse. Em um tempo onde estamos passando por tantas transformações sociais e políticas, não ter nenhum tipo de menção às recusas dos outros artistas e, muito menos ao caso de Colin Kaepernick, mostra que não apenas a atração do show do intervalo se sente pressionada por todos os cantos como isso acaba refletindo na qualidade de sua apresentação. Na hora do famoso “play it safe”, onde o risco é zero, as coisas também podem acabar dando errado.

 

Nem tudo está perdido, porém, já que recentemente tivemos uma apresentação incrível da Beyoncé e no último Sábado (02) o Foo Fighters, que poderia muito bem fazer uma grande apresentação nas próximas edições do Super Bowl, chamou convidados como Tom Morello, Roger Taylor, Perry Farrell e mais para fazer um grande show “pré-Super Bowl” tocando Black Sabbath, Jane’s Addiction, Queen e sua costumeira enxurrada de hits.

Você pode ver tudo por aqui, inclusive.

Que venha 2020, as especulações, os dramas e, quem sabe, um grande show novamente.

     
 
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