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Foto: Divulgação
 

Antes de mais nada é importante ressaltar: o novo trabalho da John Filme não se trata literalmente de um EP de covers da banda Kings Of Leon. Mas para quem já conhece esses caras, sabe que o deboche é um elemento chave de suas composições.

O TMDQA! conversou com os membros da banda para entender mais sobre esse novo projeto. Segundo Fernando Paludo, o nome surgiu pois já era pra ser o nome original da banda, como forma de atrair pessoas para o show, porque “se a gente tocasse Kings Of Leon ou não, ninguém ia perceber. Porque não é isso que importa! (risos)”

E é essa temática, a falta de mérito que o público dá as bandas autorais, que guia boa parte das letras desse último trabalho.

Com influências que vão de Sonic Youth até o stoner rock, o primeiro álbum da banda, Jaromtom, saiu em 2014 e com uma formação em trio, diferente do power duo que seguiu sendo fixo na banda: com Fernando Paludo na bateria, Akira Fukai na guitarra e ambos revezando nos vocais.

Desde então, a John Filme lançou uma série de EPs se consolidando com uma banda realmente experimental. Desde o Selfie de 2016 até o Mammals de 2018, já tivemos 4 trabalhos menores, onde nenhum estilo musical pode ser definido, mas a estética JohnFilmica permanece: letras cheias de sarcasmo e um tom despretensioso no modo de compor e de tocar que torna a banda extremamente interessante.

Além dos EPs, a experimentação da banda chegou a outro nível no segundo álbum, Fohn Jilme, de 2017, onde Fernando e Akira trocam os papéis de baterista e guitarrista e cada um toca o instrumento que o outro costumava tocar. E o resultado é não menos sensacional do que o resto que a banda já produziu.

Nas palavras de Paludo, nem eles costumam se levar a sério. Mas a gente leva! E por isso, estamos lançando o mais novo trabalho da banda em primeira mão aqui no TMDQA!.

Confira Kings Of Leon Cover no player (também no bandcamp oficial da banda) e abaixo a conversa que tivemos com eles:

TMDQA: Apesar da banda já estar consolidada como um power duo, nesse trabalho vocês gravaram com mais dois membros. Por que isso aconteceu? E essa será a formação da banda a partir de agora ou foi apenas algo para esse projeto?

Fernando: Nós preferimos que a banda seja considerada um Power Puff, daqueles bem grandes que tu encontra em agências de publicidade. De fato, muita gente senta na banda, e a gente gosta. Você pode sentar no Puff sozinho, mas é o resquício de calor do bumbum anterior que vai fazer as coisas saírem de um jeito diferente. A gente estabeleceu essa ideia de Duo para persuadir nossos amigos da Muñoz Duo à nos acorrentar em uma mini tour em 2016 e tudo parece ter funcionado até aqui.

Akira: A John Filme é uma banda de fachada que serve somente para mascarar os verdadeiros motivos: pederastia e sacanagem. É uma suruba que sempre aceita mais um. Fomos felizes como casal, mas resolvemos nos abrir a novas experiências. Nós não somos músicos, somos gestores assim como o novo governador de São Paulo, João Dória.

TMDQA: Esse é o primeiro trabalho com letras totalmente em português. Por que vocês preferiram essa abordagem?

Fernando: A gente se encanta em redescobrir o português. Pra falar sério, a banda nunca levou adiante um caminho específico pra escrever letras, temos uma música (“UOO UOO”) que não tem letra, mas tem voz. Se pagar pra gravar bateria, guitarra e resmungo não é político, eu não sei o que estamos fazendo.

Comparando com as coisas que lançamos anteriormente, as letras buscam inspiração em costumes oestinos, casos de justiça, festas inocentes, embriaguez na BR, movimento “tendéu, gole e muierada”, #tudoputa dentre outros… ou seja, nada muito diferente da ”ficcionalização” que já vínhamos desencantando.

Akira: A galera se apega nos lance de banda brasileira ter que cantar em português mas nem assim as pessoas prestam atenção nas letras. Se alguém de fato ouvisse o que é dito a gente não teria uma eleição patética dessas. Na nossa forma de fazer música, muitas vezes a letra vem como recurso estético muito mais do que como um “conceito” ou “manifesto”, nesse caso específico acho que a gente mudou um pouco isso e acabou sendo mais contador de história. O bile (Fernando) descreveu bem os motivos das letras.

TMDQA: Além da menção ao Kings of Leon, tanto no nome do EP quanto no título da segunda canção, “Sex On Fire”, a última música é uma jam em cima de “Do I Wanna Know” do Arctic Monkeys. De onde surgiram essas ideias e o que vocês querem dizer com isso?

Fernando: A ideia do nome ainda é segredo. É só uma estratégia pra angariar likes de um nicho diferente. Se dá pra constituir a base de eleitores com fake news dá pra aplicar a mesma estratégia pra somar na fan base da banda né? Cabe deixar claro aqui que eu acho o Akira tão bonito quanto o Caleb Followill e é isso que importa, as vozes podem nem ser parecidas, mas acho que ninguém vai perceber.

Akira: Obrigado, Bile. Sim, também me acho tão bonito quanto Caleb Followill. Ultimamente a gente tem visto shows de bandas cover com “meet and greet”. Eu acho isso fascinante. Já a ideia toda de lançamento faz parte de um caixa 2 da banda que várias empresas patrocinaram através da Lei Rihanney, com o auxílio das tetas do governo que nos alimentam e em conchavo político com a Venezuela. Não queria ter que revelar, mas eu não me aguento: Faz tudo parte do plano de implementação comunista da nova ordem mundial. Kings of Leon Cover é um EP todo gravado em 432hZ, a frequência da água, que massificará os ouvintes do Brasil todo, agora com o apoio do TMDQA! que é um dos difusores do bolivarianismo venezuelano.

TMDQA: Eu acompanho o trabalho da John Filme a um bom tempo e sempre vejo vocês brincando com a luta diária que é ser uma banda de som autoral no interior de Santa Catarina. Toda essa ideia do EP teria algo a ver com isso?

Fernando: “Vamos tomar um banho em Xanxa com o chuveiro no frio”

Akira: É claro que sim! Veja o nível das respostas que demos agora. É muita revolta. Sério mesmo. Tem que encher de ironia em tudo porque simplesmente não dá aturar o jeito que a coisa tá. A gente estando em Chapecó então, é ainda pior. Graças a Jeová que eu não faço música pra viver, porque pra isso eu trabalho. Música eu faço pra poder morrer. Em paz. Sozinho e feliz.

TMDQA: E o que mais a John Filme está preparando para o futuro? Quais são os projetos em mente (ou já no forno)?

Fernando: Fizemos 2 shows em São Paulo/SP em Novembro, um com o Cultura Tres (VE) no Dissenso Estudio e outro com Eliminadorzinho, Matatag e Fernê na Casa do Mancha.
Temos um média-metragem dirigido, co-escrito e idealizado por Roberto Panarotto e um disco com mais de 15 faixas que já passa da temperatura média do forno, e é de nosso interesse dar EXCLUSIVA e CONTINUA atenção à esses projetos se alguém quiser patrocinar o PICO.

Akira: Acho que o plano é cada vez tentar tocar mais e ir mais longe. Obrigado ao TMDQA pelo espaço e pela ajuda pra que isso aconteça. A gente acompanha o blog desde o início da banda em 2010/2011 e tá sendo um lance muito louco essa oportunidade. Muito obrigado a todos!

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Todas os trabalhos da John Filme citados na matéria podem ser encontrados no Spotify e no canal no Youtube, que ainda conta com performances ao vivo da banda.