Foto: Divulgação
 

O cinema de terror nunca se resumiu a um só estilo, mas sempre buscou mexer com o emocional e psicológico dos espectadores. Seja com suspense, sustos, fantasmas e espíritos, demônios ou imagens apelativas e explícitas de violência e do mais puro gore. E um dos filmes mais conhecidos do cinema exploitation é o infame Holocausto Canibal.

Dirigido por Ruggero Deodato e lançado em 1980, o filme italiano se tornou um clássico e uma das principais referências quando se trata de shock value e desconforto no audiovisual. A infâmia do longa-metragem fez com que Holocausto fosse proibido em mais de 50 países devido às representações gráficas de mutilações, violência sexual e crueldade contra animais. Sim, os animais realmente foram mortos nas filmagens, fato controverso que choca ambientalistas e qualquer pessoa com bom senso até hoje.

A história gira em torno de quatro documentaristas que se embrenham na Amazônia para filmar tribos indígenas isoladas e desaparecem. Dois meses depois, o antropólogo Harold Monroe (Robert Kerman) parte numa missão de resgate e acaba encontrando as filmagens perdidas. Quando retorna, uma emissora de televisão se interessa pelas imagens, mas Monroe insiste em assistir antes que o documentário seja transmitido. O que ele encontra nos rolos de filme levanta a dúvida de quem são os verdadeiros selvagens: os indígenas isolados da Amazônia ou os jovens da civilização norte-americana.

A estrutura do longa se baseia nos flashbacks das imagens encontradas pelo antropólogo. A partir de sua análise, somos levados para dentro do documentário dos quatro jovens viajantes e o que realmente aconteceu enquanto peregrinavam pela floresta amazônica. O título do filme já indica que é preciso ter estômago forte para uma hora e meia de imersão numa série de cenas violentas e desconfortáveis. Mas, por trás de toda a violência, Holocausto Canibal traz uma crítica à sociedade supostamente civilizada. Para o diretor, os crimes do homem contemporâneo são piores que o canibalismo retratado no filme.

Devido à repercussão negativa do longa, o diretor Ruggero Deodato foi preso em 1981, acusado de ter provocado a morte de atores durante as gravações e feito de Holocausto Canibal um filme snuff — subgênero de filmes que mostram mortes, assassinatos e suicídios reais. Deodato foi julgado e inocentado após provar aos tribunais que os atores, supostamente mortos, estavam vivos e muito bem, obrigado. O elenco assinara um contrato que os obrigava a sumir da mídia por um ano, para que as cruéis imagens do filme parecessem reais para o público.

Bizarrices a parte, Holocausto Canibal é considerada uma importante obra para o cinema de terror. Muito antes de A Bruxa de Blair popularizar o found footage e amedrontar muita gente em 1999, o filme de Deodato inaugurava este estilo em 1980, inspirando uma série de outros filmes de terror nas décadas seguintes também no quesito gore. Um exemplo é A Serbian Film – Terror Sem Limites (2010), que possui uma trama carregada de violência gráfica, incesto e necrofilia, e que também foi censurado em cerca de 50 países, incluindo o Brasil.

Se você tem estômago, pode conferir o Holocausto Canibal completo no Youtube: