Nos dias 14 e 15 de Novembro irá acontecer em São Paulo, no SESC 24 de Maio, um espetáculo em homenagem ao lendário Nick Drake.

O músico nos deixou cedo demais em 1974, quando tinha apenas 26 anos de idade, e após sua morte a obra do cara passou a ganhar novos significados e proporções, tendo influenciado muita gente importante como Robert Smith, do The Cure, com a leveza do folk aliada a letras das mais confessionais.

Nick Drake: Lua Rosa é o nome do espetáculo original idealizado por Eduardo Lemos e nós convidamos tanto ele quanto o diretor musical, Regis Damasceno, para criar uma lista com dez músicas essenciais para conhecer a obra do músico britânico que se suicidou após uma overdose de antidepressivos.

A direção do show será do Regis (Cidadão Instigado, guitarrista de Marcelo Jeneci, Karina Buhr e diversos outros nomes da música brasileira) e a banda é formada por Chris Mack, Thomas Rohrer, Bruno Serroni, Meno del Picchia e Richard Ribeiro.

Os cantores convidados são Filipe Catto, Ceumar, Gui Amabis e Stela Campos.

Confira logo abaixo!

Cantores convidados de Lua Rosa, homenagem a Nick Drake

Regis Damasceno

1. “River Man”

Obra prima de Nick Drake, por sua dramaticidade, fluidez e arranjo. É uma canção misteriosa, embalada num caminhar confuso mas que ao mesmo tempo progride bem. A orquestração ajuda a pontuar os momentos mais carregados.

 

2. “Pink Moon”

Simples e eficiente a ponto de ter sido usada em um comercial de carro nos anos 90, tornando Drake um pouco menos desconhecido. Canção singela e com temática catastrófica, um contrassenso de pouco mais de dois minutos.

3. “Time Has Told Me”

Essa poderia ter sido feita por Norah Jones em seus primeiros discos, tem apelo pop, progressão tradicional de música americana mas que reserva boas surpresas harmônicas. Mostra que Drake realmente era um achado raro.

 

4. “Know”

Despretensiosa canção, na verdade um exercício minimalista de um riff de blues tocado em uma corda de violão. Blues, aliás, uma constante no trabalho de Drake, tocado de maneira não convencional e imprevisível.

 

5. “Things Behind The Sun”

Urgência no dedilhado, mão direita do violonista muito eficiente. Aqui percebe-se sua influência celta em mais um exemplo de excelente harmonização na construção da canção. Um primor.

 

Eduardo Lemos

1 – “One of These Things First”

A primeira canção de Drake que escutei, assistindo ao filme “Garden State”. Aquele piano solar, a harmonia do violão que vai e volta, uma voz doce e potente: tudo me pegou pelo estômago, e nunca mais fui o mesmo. Anos depois, vi na letra uma relação com a pergunta que mais as pessoas fazem sobre Nick: o que ele poderia ter sido se não tivesse partido?

 

2 – “Introduction”

Nick Drake compôs e gravou alguns poderosos temas instrumentais, mas na minha opinião nada se compara ao efeito alcançado em Introduction, faixa que abre o seu segundo disco, Bryter Layter. Ela dura um minuto e meio apenas, o suficiente para parecer a trilha sonora de um portal de belas coisas a se abrir, e isso é toda vez que a escuto.

 

3 – “Road”

Minha canção preferida de Nick Drake, faixa número três de seu derradeiro disco, Pink Moon. Seu violão é avassalador. A letra poderia ser sozinha um poema consagrado. Tal qual o título sugere, é uma canção- convite-estrada-passagem-para-algum-lugar-melhor-que-aqui.

 

4 – “Saturday Sun”

Do álbum de estreia Five Leaves Left, tem uma onda blues/soul quase otimista.  Nick é feliz e triste dentro dela, como nós somos todos os dias. Canção com cheiro de mato. Imagino-o num sábado de manhã caminhando por Tanworth in Arden, o pequeno vilarejo onde ele passou a infância e os últimos dias, e voltando pra casa com uma ideia: fazer uma canção sobre isso.

 

5 – “All My Trials”

Essa não é uma canção de Nick Drake – trata-se de uma peça tradicional do folclore norte-americano. Nick gravou-a na casa dos pais, em meados dos anos 60, e divide os vocais com sua irmã, Gabrielle Drake. Essa raridade foi lançada em disco muitos anos depois (‘Family Tree’). Essas gravações me fascinam porque é o máximo de intimidade que teremos com Nick Drake: não há entrevistas em vídeo ou filmagem de seus shows. Nick deixou-nos sua obra, e olha só a gente aqui, em 2018, no Brasil pegando fogo, falando justamente dela.