Greta Van Fleet é uma banda de Rock And Roll fundada em 2012 sobre a qual você já deve ter ouvido falar.

O quarteto é formado por três irmãos da família Kiszka, Josh, Jake e Sam, além de Danny Wagner, e desde que começou a ter performances ao vivo divulgada em vídeos na Internet, começou a ganhar cada vez mais atenção do mundo todo.

Muitos viram na banda uma espécie de “salvação do Rock”, já que o estilo anda tão em baixa quando o assunto é popularidade e desempenho comercial, e os jovens garotos que entoavam seus riffs com visível sinceridade e empolgação passaram a ser vistos como exemplos do que fãs de nomes como Black Sabbath, AC/DC e Led Zeppelin gostariam de ver e ouvir hoje em dia.

A última banda, inclusive, parece ter sido uma das principais influências para o Greta Van Fleet, já que os vocais de Josh são muito parecidos com o de Robert Plant, e até o lendário músico britânico já falou a respeito da similaridade em público.

É aí, senhoras e senhores, que entra o poder das redes sociais.

 

Greta Van Fleet e o Led Zeppelin

É seguro dizer que o Greta Van Fleet surgiu com suas próprias forças, vindo de uma cidadezinha chamada Frankenmuth, no estado de Michigan, Estados Unidos, e começou a fazer barulho por conta de virtudes ouvidas em músicas como “Highway Tune”.

É inegável, também, que a comparação com o Led Zeppelin fez com que muita gente fosse ouvir a banda só para dar o seu veredito e emitir a sua opinião, o que tornou-se a maior característica da era das redes sociais: não perder o bonde e falar, seja lá o que for, sobre o assunto do momento, é mais importante do que apreciar e entender qualquer obra ou tema na sociedade de 2018.

Sendo assim, muitos artigos foram publicados, vídeos foram gravados, brincadeiras foram feitas e a banda sempre levou muito na boa o fato de que todo mundo estava dizendo que o Greta Van Fleet era uma “cópia” do Led Zeppelin, o que foi uma decisão acertada.

Se tivessem se irritado, os integrantes provavelmente teriam perdido a mão e teriam deixado isso afetar sua carreira de alguma forma, o que não aconteceu. Ver tantas comparações sendo feitas e afirmar que o Zep é sim, mas não apenas, uma de suas influências, fez com que o grupo continuasse no centro das atenções por muito tempo, e eventualmente o resultado foi positivo, já que a maioria das pessoas não se importou com as similaridades e disse que isso era realmente o que queria ouvir do Rock And Roll nos dias de hoje.

Vale ressaltar inclusive, que para toda uma geração, essa é a primeira vez que uma banda de Rock no seu formato mais clássico, com guitarra, baixo, bateria e vocal, está nos holofotes, e é a primeira vez que não temos um Imagine Dragons da vida sendo chamado de “grande sucesso do Rock And Roll”, empurrado goela abaixo por ser um grande nome comercial.

Para muita gente, é a primeira vez que será possível ver de perto um grupo que evoca o hard rock dos Anos 70 e ao mesmo tempo tem milhões de visualizações no YouTube, rivalizando com nomes do pop e do hip hop, por exemplo, e na visão dessa gente, não importa se as similaridades com lendas do passado são latentes; para muitos deles isso é até bom.

 

Resenha da Pitchfork

Outro ponto interessante nessa história toda da ainda curta carreira do Greta Van Fleet é a resenha da Pitchfork para seu disco de estreia, Anthem of the Peaceful Army.

No texto, o jornalista faz uma série de duras críticas ao grupo, dizendo por exemplo que eles soam artificiais como “se tivessem fumado maconha exatamente uma vez, chamado a polícia e tentado gravar um álbum do Led Zeppelin antes de se levar para a prisão por conta própria.”

A nota, 1.6 de possíveis 10, é uma das mais baixas dos últimos tempos no exigente site, e todo mundo foi correndo ler o que o autor tinha para falar de um dos discos mais esperados do ano, já que ninguém resiste a uma bela trollada nas redes sociais.

Como contou para a Billboard, a assessora de imprensa Heidi Robinson-Fitzgerald, que trabalha com a banda, disse que assim que leu a resenha estava pronta para arrumar as suas coisas, deixar o escritório e ir correndo para casa. O motivo? “Alguém já tinha feito o trabalho para mim aquele dia.”

A resenha da Pitchfork acabou colocando ainda mais o disco em evidência, e na sua semana de estreia ele chegou ao topo das paradas de Rock nos Estados Unidos, terceiro lugar na geral, e ainda foi muitíssimo bem em países como Canadá, Alemanha, Itália e Nova Zelândia.

Com seus EPs anteriores, a melhor posição que o Greta Van Fleet havia alcançado na Billboard 200, por exemplo, era um trigésimo sexto lugar ao lançar From The Fires, e de repente os caras estão disputando o trono da principal parada de sucessos do planeta com nomes como Lady Gaga, Drake e Lil Wayne.

Definitivamente a frase “fale bem ou fale mal, mas fale de mim” é ainda mais importante em um período onde os compartilhamentos parecem valer mais que as opiniões em si, e o burburinho em torno de um lançamento musical é fundamental para fazê-lo decolar ou afundar.

Nesse caso, vale ainda dizer que a resenha da Pitchfork foi completamente exagerada, e o disco está longe de ser tão ruim como o texto pinta. Também não é nenhuma pérola, talvez seja um nota 6 ou 7 e muito provavelmente se fosse reduzido a um EP de 5 faixas, faria muito mais sentido.

Isso foi fundamental para que quando as pessoas lessem um artigo falando tão mal do álbum, fossem correndo ouvi-lo e acabassem percebendo que tinham ali algo que gostavam bastante: Rock And Roll cheio de energia e muita juventude.

Ciclos

Dizem que o Rock And Roll vem e vai em ciclos, e há muito tempo não temos um deles onde bandas que realmente reverberam com os amantes do gênero se tornaram populares nos grandes palcos do mundo todo.

Essa discussão é longa e envolve dezenas de fatores, incluindo os fãs cabeça-dura de Rock, mas aí é assunto pra outro dia.

De qualquer forma, apesar de não achar que o Greta Van Fleet seja o que há de melhor no estilo por aí, talvez estejamos presenciando o início de um novo movimento onde os moleques de 13 e 14 anos irão assistir aos vídeos da banda, ouvir seu disco no streaming e se aventurar a pegar uma guitarra para daqui a 4 ou 5 anos estarem fazendo barulho com o que vem por aí em uma nova safra de jovens roqueiros.

Talvez nada aconteça e os adolescentes prefiram continuar gravando batidas eletrônicas em seus laptops e smartphones, e aí será mais uma sinalização de que o rock conversa cada vez menos com a juventude a não ser que se reinvente completamente de uma forma como poucos conseguiram nos últimos anos.

Só o futuro dirá. Enquanto isso, ouça o disco do Greta Van Fleet ao final da matéria para xingá-lo ou exaltá-lo, logo depois que compartilhar esse texto me xingando ou concordando com os meus pontos de vista.

 
 
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