MGMT
Foto de Brad Elterman
 

Uma das atrações do Popload Festival 2018, o duo MGMT se reinventou esse ano.

Formada pelos amigos de faculdade Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden, a banda se tornou um dos principais e mais incensados nomes da música em 2007 com o álbum Oracular Spectacular. Desde então, a discografia foi de muitos momentos baixos e eles pareciam não se encontrar.

Isso mudou no começo desse ano, com o primeiro álbum da banda em anos: o ótimo Little Dark Age. Isso mesmo, ótimo! O novo trabalho deixa o experimentalismo dos dois últimos discos um pouco de lado e volta com a mesma força e sintonia dos áureos tempos do primeiro álbum.

Conversamos com Ben por telefone sobre as expectativas para a turnê no Brasil e as inspirações para o novo álbum.

TMDQA: Como está a expectativa para esses shows no Brasil? Faz um tempo desde a última vez de vocês por aqui.

MGMT: Estamos muito empolgados. Passamos um tempo muito bacana por aí e eu senti saudades. E saber que temos um público esperando pela gente, depois de tanto tempo, é algo bem legal.

TMDQA: Vocês vão fazer shows em festival e solo. O que muda mais de um tipo para o outro?

MGMT: Olha, eu não sei! (Risos) Eu sinto que estamos reaprendendo de verdade a fazer shows através dos festivais. Estamos fazendo tudo com mais energia, sentindo melhor o público e sentimos que agora conseguimos fazer isso de um modo realmente legal. No passado, não estávamos 100% confiantes, sabe? Hoje sinto que estamos em sintonia com o repertório, banda e equipe.

TMDQA: Para muita gente, esse novo álbum foi um “disco de retorno” da banda. Mas vocês nunca verdadeiramente foram embora. Isso foi algo que surpreendeu vocês?

MGMT: Não, de verdade. Sabemos que o nosso último ou últimos trabalhos não foram muito comerciais. Não que isso tenha sido um problema, foi algo que nós mesmos tentamos fazer. É só curioso como esse tipo de movimento muda o modo como as pessoas veem ou não veem você. A gente se sentiu invisível por alguns anos, mas foi positivo para esse novo momento nosso.

TMDQA: Para mim, no novo disco vocês fizeram uma de suas melhores músicas: “Time Spent Looking at my Phone”. E em shows e festivais, sempre tem alguém exatamente assim: vendo tudo pelo telefone. Como artistas, isso é algo que incomoda vocês?

MGMT: Não, mas é irônico! (Risos) Não sou desses artistas de parar o show e reclamar, acho isso algo bem caído pois é complicado determinar o que as pessoas podem ou não fazer, sabe? Se eu estivesse em um show, sozinho e quisesse mostrar algo para a minha esposa que não pode ir, por exemplo, e o artista ficasse me julgando ia ficar bem chateado. Mas tocar exatamente essa música para um mar de celulares é bem engraçado.

TMDQA: O disco de vocês foi composto no meio do turbilhão político ali da eleição americana. Vocês vão chegar aqui num período parecido pra gente, com uma sensação de terra arrasada após as eleições. Você acredita que música pode ser um conforto para esses momentos de ansiedade e raiva?

MGMT: Nossa, demais! O nosso disco não fala de política diretamente, mas da sensação que estava no ar. E é isso que busco numa música nesses momentos. Algo que possa retratar isso ao mesmo tempo que me tire desse círculo de notícias diárias, de timelines. É muito fácil ficar preso no meio disso e se sentir culpado. Você fica com a sensação que deveria sempre estar fazendo mais.

TMDQA: A música de vocês sempre pareceu um caldeirão de ritmos, de todas as partes. Você sabe algo de música brasileira?

MGMT: O Andrew conhece bem melhor que eu. Eu adoro a sonoridade de uns discos super psicodélicos dos anos 70 de vocês, mas eu não saberia te dizer os nomes dos artistas e discos! (Risos)

TMDQA: Você tem mais discos que amigos? Tem algum disco que sempre pareceu especial para você?

MGMT: Nossa, demais! Na verdade, estou agora olhando para a minha estante com meus discos procurando um para te falar. Acho que vou indicar um que comprei recentemente, que sempre curti e estou completamente feliz de ter o vinil. É o Strange Times, de uma banda chamada The Chameleons.