City And Colour em Toronto, 2012
Foto do City And Colour via Shutterstock
 

Dallas Green é um artista múltiplo. Conhecido por seu trabalho com o Alexisonfire, o canadense Green também tem o projeto You+Me com a P!nk e o maravilhoso City and Colour. Esse último sempre foi o lugar onde ele se abre mais e se mostra mais vulnerável e sincero. Inaugurando seu próprio selo, Still Records, acaba de chegar às plataformas de streaming Guide Me Back Home, uma jornada de 1h30 pela discografia do City and Colour em versão intimista e ao vivo.

Em 2016, enquanto divulgava If I Should Go Before You (2015), Green se sentiu mental e fisicamente exausto após ver os resultados da última eleição presidencial dos Estados Unidos – ele vive em Nashville, no Tennessee. Foi neste momento que as estradas do país natal do cantor começaram a chamá-lo. Ano passado ele embarcou em uma jornada por cidades de todo o Canadá para se reconectar com seu país. Foram 28 shows com ingressos esgotados em 25 cidades diferentes que resultaram no novo álbum: uma carta de amor à nação de origem e uma ótima introdução ao projeto.

Trocamos uma bela ideia com Dallas por telefone sobre esse novo lançamento do City and Colour, sobre seu selo e sobre relação sentimental com música.

TMDQA: Sua música sempre foi muito confessional, muito pessoal. Como você se sente com as pessoas se conectando com as suas histórias pessoais?

City and Colour: Me sinto ótimo, sabe? Quando era novo, sempre quis fazer alguém sentir algo que eu sentia. Isso sempre foi o que mais me chamou a atenção em qualquer tipo de música. Sempre foi um modo de trabalhar, comigo mesmo, os meus problemas. Fico muito feliz que pessoas consigam se relacionar com isso. Eu me sinto abençoado por ter essa conexão com um público que me faz sentir tão bem.

TMDQA: Essa troca com o público foi um dos motivos para essa gravação ao vivo?

City and Colour: Para ser sincero, decidir gravar foi a última coisa. Essa tour foi pensada para eu ir até as pessoas do mesmo lugar de onde eu vim mas que nunca tinham me visto, ou que tinham que viajar para me ver, e para que eu me lembrasse do motivo pelo qual eu faço música. Decidimos registrar tudo e lançamos, porque no fim da turnê eu estava muito feliz com o resultado e senti que poderia chegar a mais pessoas.

TMDQA: E como foram selecionadas as gravações? Os fonogramas de cada show?

City and Colour: Ouvimos tudo muitas vezes! (Risos) Tínhamos muito material gravado e acabou sendo algo mais sentimental, sabe? Qual versão arrepiava mais.

TMDQA: Além dos seus projetos, agora você dirige um selo! Você sente que os artistas têm que saber mais desse lado dos negócios também no mercado de hoje?

City and Colour: Acho que pelo menos um pouco. O mercado está sempre se transformando. Desde que eu comecei a consumir música mudou, desde minha primeira experiência gravando… Mas tem duas coisas que são exatamente iguais: a relação com o público e a música em si. Seja em vinil, streaming ou baixado ilegalmente, a música que importa tem o mesmo impacto. Essa é a minha esperança e o meu norte.

TMDQA: E o que você vai buscar para o seu selo?

City and Colour: Ainda não sei, pois só trabalhei eu mesmo. Por enquanto é um extensão do que eu faço. Mas eu quero algo além do meu nome, esses dias eu assinei a primeira pessoa, um grande amigo. Não sei o que estou procurando, mas não é um gênero específico. É um sentimento, uma reação. Faz sentido?

TMDQA: Demais! Isso fica claro no novo disco, que veio desse sentimento pós-eleições nos Estados Unidos. Estamos passando por algo parecido aqui no Brasil…

City and Colour: Estou sabendo…

TMDQA: Você acha que música pode ser um conforto nessas horas?

City and Colour: É o que espero. Esse foi o caminho para me curar e me encontrar. Acho que o mais importante em arte é que não existe certo ou errado. É algo que te faz bem, te faz lidar com o que você precisa lidar e que pode te ajudar.

TMDQA: Você tem mais discos que amigos?

City and Colour: Sim, demais. Essa sensação casa com o que estávamos falando antes. Sempre levo isso na vida, que a música não me deixa sozinho. Sempre através da música você tem alguém que te entende, um amigo…

TMDQA: Tem algum disco que é um amigo em especial?

City and Colour: Olha, muitos discos fizeram eu ser quem eu sou hoje. Um dos discos da minha vida é o Dirt, do Alice in Chains. Aí ouvi o Grace do Jeff Buckley e pensei: “é isso, é isso que eu quero fazer”. Foi o disco que me fez querer cantar. Aí ouvi Mogwai e pensei “é isso, música instrumental! Nunca mais quero cantar…” (Risos)